março 2009


O eterno licenciado co-fundador deste blog, o Leo Monasterio, pede para divulgarmos o concurso para professor de economia  da UFPEL. Ei-lo.

Durão Barroso (sim, ele mesmo), em um bom momento de sua infância.

Curioso artigo este aqui. Veja o resumo:

We analyze the relationship between housing and the business cycle in a set of 36 US cities. Most surprisingly, we …nd that falls in house prices are often not followed by declines in employment. We also …nd that the leading indicator property of residential investment is not consistent across cities and that, at the national level, the leading indicator property of residential investment is not robust to including …nancial factors as control variables.

Em outras palavras, o preço dos imóveis não parece ser um bom indicador de ciclos econômicos. Os próprios autores se espantam com o resultado e sugerem explicações, mas o que parece ser senso comum na imprensa ainda é alvo de estudos na academia. 

Isto me faz pensar livremente sobre o processo científico. Se ainda conhecemos pouco sobre ciclos econômicos, então eu esperaria mais investimentos em pesquisas que envolvam ciclos econômicos.

It is that the Fed seems to deny or misunderstand the importance of the type of rule-based policymaking that academics have in mind. This misunderstanding, furthermore, is currently contributing to the problems of “communication with the public” that the Fed has been experiencing, as recently reported in the WSJ by Ip (2003b).

Grifos meus. As consequências disto? Bem, eu diria que não é uma boa idéia seguir charlatães, mas o problema dos interesses políticos que se sobrepõem aos sociais (que são os econômicos, claro, já que ninguém gosta de ter que pagar mais impostos a um governante gastador e irresponsável e ficar com menos dinheiro pro almoço) não deve ser ignorado.

McCallum é autor do melhor livro de Economia Monetária (intermediário) que já vi.

Pego carona na discussão do Caplan com Kling sobre a crise mundial em um arcabouço IS-LM (adequado para os EUA). Pergunta Kling:

The most important thing going on in financial markets right now is de-leveraging, which means that everybody wants to sell risky assets and buy U.S. Treasuries. Where do you stick that in the IS-LM framework? Treat it as an increase in liquidity preference and shift the LM curve? Treat it as a drop in animal spirits and shift the IS curve?

Primeiro, acho não dá para falar de IS-LM, mas sim do modelo Mundell-Fleming (IS-LM-BP). Concordo que não precisamos usar o IS-MP já que não há uma explícita adesão a um modelo de metas por parte do FED. Mas, posto isto, acho que Kling precisa de um pouco mais de ajuda. Na minha opinião, um pouco de Obstfeld & Rogoff talvez ajude. Nada como microfundamentos em um IS-LM aberto (ou fique com McCallum).

Se o objetivo é uma análise bem simples e didática, talvez eu seguisse a sugestão do Kling, mas tentaria algo mais completo, com o bom e velho Mundell-Fleming.

O que você acha?

Olha o evento do ano para a patota de econometria com dados medidos no tempo: 13a ESTE.

Sim, sim. Ele faz isto com seu excelente livro-texto. Mas, no caso, eu falo da ajuda que ele acaba de me dar para meu curso de Econometria II. Onde? Aqui. Os alunos reconhecerão a matéria recém-ensinada (ahã, antes do carnaval) neste pequeno texto.

Pedro Dória – e seus leitores – tiveram a gentileza de nos colocar no “As últimas”. Não que estejamos nas últimas, mas..bem, estamos.

Recente matéria no Jornal da Globo aqui e aqui retoma um antigo problema no qual fui pioneiro. Em breve, volto ao tema com uma revisão da literatura cientificamente correta (ou seja, diferente desta picaretagem que existe por aí de fingir que não existe gente escrevendo sobre o assunto antes do seu artigo…). 

O jornal tocou na ferida mas, de onde veio o problema existe muito mais.

Este livro é mais sobre o uso da ciência como meio político de se conseguir fundos e poder. O outro, já citado aqui, The Master Plan, foi excelente. O uso político da ciência inclui, sim, uma distorção do processo científico que, claro, é a adoração de alguns nomes como se ciência fosse religião. Lembro-me de alguém me dizer que, em certa ilhota da América Central, citar um trecho de algum discurso de um ditador-presidente era pré-requisito básico para se conseguir bolsas de pesquisa. 

Nada que não se encontre em certos círculos mais radicais…

p.s. será que compro o livro agora ou espero a crise piorar? Pior para o dólar, melhor para mim…?

…ele é sempre “nazista”. É mesmo? Coloquemos os pingos nos “i’s”.

p.s. o mais engraçado é isto.

Duke of Hazard faz o que ninguém – mas ninguém mesmo – fez na blogosfera, até agora, sobre a tal polêmica maluca do jornal paulista.

Tyler Cowen acha que Krugman não respondeu a Summers.

Uma interessante carta para Krugman. De Scott Summer.

Ancelmo Góis relata o caso.

p.s. enquanto isto, na Índia… (talvez esta última exija cadastro gratuito).

1. Grande período para uma namorar com a patroa (mesmo que ela tente me jogar sapatos e pratos quando está com sono).

2. Sekihan da patroa aprovado pelos colegas do karaokê (nenhuma surpresa, certo?).

3. Um amigo meu se revelou um grande cozinheiro (pena que não pude levar marmita para casa).

4. Não consigo acordar depois das seis da manhã, mesmo no carnaval (devo ter algum problema…). 

5. A cidade de BH é, certamente, um pólo não-atrator de turistas no carnaval (preciso comentar?)…

Ronald mostra, novamente, como é difícil fazer ciência tentando transformar seres humanos em seres infalíveis e imutáveis.

Mais um artigo revisado e submetido. A produção acadêmica avança, ainda que aos pouquinhos.

Uma carreira científica é peculiar de certas maneiras. Sua razão de ser é o aumento do conhecimento natural. Ocasionalmente, portanto, um aumento do conhecimento natural ocorre. Isso, porém, não demanda tato, e sentimentos podem ser feridos. Pois em algum grau é inevitável que visões previamente expostas se mostrem obsoletas ou falsas. Acho que a maioria das pessoas pode reconhecer isso e aceitar que aquilo que elas vêm ensinando há dez anos ou mais precisa de uma pequena revisão; contudo, alguns sem dúvida acharão difícil aceitar, como um golpe em seu amor-próprio, ou mesmo como uma invasão do território que julgavam ser exclusivamente seu, e devem reagir com a mesma ferocidade que vemos nos papos-roxos e tentilhões-de-peito-rosa, nesses dias de primavera, quando sentem uma intrusão em seus pequenos territórios. Acho que não se pode fazer nada a esse respeito; é inerente à natureza de nossa profissão. Mas deve-se aconselhar e avisar o jovem cientista de que, quando tiver uma jóia a oferecer para o enriquecimento da humanidade, alguns certamente desejarão cercá-lo e despedaçá-lo. [Ronald Fisher, 1947, em entrevista para a BBC, citado por David Salsburg em "Uma senhora toma chá...como a estatística revolucionou a ciência no século XX, Zahar, 2009]

Ontem eu citei um trecho de Hayek similar em espírito. O ponto comum de ambos é que a empresa produtora de conhecimentos é sujeita a muitas imperfeições.

Existem barreiras à entrada e à saída. Por exemplo, digamos que um grupo decide que seus membros são os únicos, digamos, a entenderem como a economia funciona (logo, os demais são tidos como “ignorantes” ou “mal-intencionados”). Aí não tem quem lhes diga algo novo porque, afinal, eles sabem tudo. É um fenômeno brevemente citado neste pequeno artigo de Klein & Stern. Por outro lado, o sujeito que leu determinado autor e resolveu avançar em sua interpretação em direção distinta à do grupo que pertence, claro, pode ser discriminado e perder amizades (senão acesso a recursos financeiros). 

Note que não estou a afirmar que o grupo do exemplo está mais ou menos perto de algo que se possa chamar de “verdade científica” (existiria tal coisa?). A análise se preocupa menos com o que Fisher, o interessante estatístico, chama de “avanço do conhecimento” do que propriamente com os incentivos envolvidos na aceitação ou não de novas idéias. Claro que pode haver um maluco que queira nos vender misticismo como ciência – e ele sofrerá os mesmos efeitos descritos acima a partir de seu grupo – mas não julgo a qualidade científica de sua contribuição, apenas analiso os incentivos, ok? 

O mercado das idéias é algo interessante de se analisar e não há respostas definitivas sobre o tema. Há incentivos políticos e econômicos envolvidos e a própria definição de ciência sempre está no âmago destas brigas (o argumento estúpido, mas  final é sempre:  “você não faz ciência, eu faço”). Só para se ter uma idéia do tamanho do buraco, veja este texto. Ah sim, um bom estudioso do tema, creio, é o Alberto Oliva, que anda sumido da internet, infelizmente…

Cristiano Costa em bom momento.

Daniel B. Klein and Charlotta Stern

PROFESSORS AND THEIR POLITICS: THE POLICY VIEWS OF SOCIAL SCIENTISTS

ABSTRACT: Academic social scientists overwhelmingly vote Democratic, and the Democratic hegemony has increased significantly since 1970. Moreover, the policy preferences of a large sample of the members of the scholarly associations in anthropology, economics, history, legal and political philosophy, political science, and sociology generally bear out conjectures about the correspondence of partisan identification with left/right ideal types; although across the board, both Democratic and Republican academics favor government action more than the ideal types might suggest.Variations in policy views among Democrats is smaller than among Republicans. Ideological diversity (as judged not only by voting behavior, but by policy views) is by far the greatest within economics. Social scientists who deviate from left-wing views are as likely to be libertarian as conservative.

Daniel Klein tem sido um nome relevante no debate sobre o viés ideológico na Academia norte-americana. Em outro texto, interessante mas algo incompleto, os mesmos autores dizem o seguinte:

Most intellectuals develop ideological sensibilities by the age of twenty-five or thirty (Sears and Funk 1999), and afterward they rarely revise them substantially. Intellectual delight and existential comfort are taken not in reexamining prior decisions, but in refining and developing ideas along the lines already mastered (Ditto and Lopez 1992; Nickerson 1998). Professors are likely to respect scholars who pursue questions similar to their own and who master similar modes of thought. They are not likely to respect scholars who pursue questions predicated on beliefs at odds with their own. Indeed, if a scholar is engaged in a task that might threaten a colleague’s sense of self, he may give rise to personal distress and create acrimony between them. Professor A might lose standing and credibility with students if a colleague, Professor B, who is teaching those same students in a different course, exploded some of the premises of Professor A’s course materials, lectures, and writings.

Será que os professores se deixam levar por suas ideologias frequentemente? E esta história do sujeito já estar mais ou menos confortável com sua visão de mundo aos 25 ou 30 anos de idade? Concordo com o fato de que a ideologia é algo difícil de se entender, mas isto não implica que ela não esteja presente em nossas vidas. No caso da pesquisa acadêmica, acho que falta alguém que faça algo similar a Klein & Stern. Gostaria de saber se existe o tal viés “esquerdista” que tantos citam – sem uma única evidência empírica, por mais pobre que seja – nas universidades brasileiras. Eu até suspeito que ele exista, mas minha experiência pessoal não é generalizável (qualquer um que tenha estudado…e entendido…um pouco de estatística sabe disso).

De qualquer forma, ficam para o leitor deste blog as referências para começar sua pesquisa na área.

Entrepreneurship and the Taste for Discrimination

Christopher J. Coyne, Justin P. Isaacs and Jeremy T. Schwartz
Abstract
This paper analyzes the connection between discrimination and entrepreneurship. We contend that the entrepreneur is the central mechanism through which inefficiencies associated with discrimination are competed away. In addition to illuminating the mechanism through which existing discrimination tends to be eliminated, we also consider the more difficult case of consumer discrimination. The standard assumption is that consumer discrimination will not be competed away through market forces. In contrast, we find that entrepreneurs can correct the inefficiencies associated with this form of discrimination by influencing the costs and benefits associated with consumer discrimination. We empirically analyze the integration of black players in Major League Baseball to illustrate our theoretical arguments regarding entrepreneurship and consumer discrimination.

Artigo interessante, de Chris Coyne e co-autores, sobre o papel do empreendedorismo na diminuição da discriminação. A parte econométrica do artigo, contudo, não me parece suficiente para generalizações. De qualquer forma, leia-o.

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