março 2009
Arquivo mensal
março 11, 2009
Não. Antigamente, por algum motivo, as dissertações de mestrado eram bem extensas entre os economistas brasileiros. Eu já disse aqui, várias vezes, que isto tem a ver com a verborragia inútil que Joseph Love bem detectou no Brasil, no início de nossa profissão.
Hoje em dia, não mais é assim. Um mestrado, ainda mais um mestrado profissional, não se enquadra na suposta pretensão de que o mestre é um sábio conhecedor de diversas superficialidades (“um pouco de cada coisa”, logo, “muito de nada”). Eu gosto de mostrar às pessoas trabalhos de boa qualidade neste blog. Pois bem, a dissertação que se encontra aqui não é de nenhuma ex-aluna minha, mas é um bom exemplo de concisão, ligação entre teoria e prática e objetividade.
Claro que deve ter tido lá seus problemas – quem não os tem? – e a banca deve ter reclamado aqui e acolá. Isto faz parte do processo. Mas repare, leitor, no tamanho da dissertação. Certamente ela não ilustra a carga de leitura necessária e que deve ter sido o fardo da orientanda por um bom tempo. Mas, ora bolas, capacidade de síntese também é algo que um mestrando tem que ter. Senão, pobre coitado, as portas do inferno lhe estarão bem próximas…
março 11, 2009
O Laurini anunciou e eu dou mais uma dica. Olha o resumo abaixo. Atenção para as conclusões da patota:
The literature on monetary economy has aroused growing interest in macroeconomics. Due to computational advancements, models have been increasingly more complex and accurate, allowing for the in-depth analysis of the relationships between real economic variables and nominal variables. Therefore, using a dynamic stochastic general equilibrium (DSGE) model, based on Gali and Monacelli (2005), we propose and estimate a model for the Brazilian economy by employing Bayesian methods so as to assess whether the Central Bank of Brazil takes exchange rate fluctuations into account in the conduct of monetary policy. The most striking result of the present study is that the Central Bank of Brazil does not directly change the interest rate path due to exchange rate movements. A simulation exercise is also used. Our conclusion is that the economy quickly accommodates shocks induced separately on the exchange rate, on the terms of trade, on the interest rate, and on global inflation.
O que há de bacana neste artigo, além desta conclusão? Bem, os autores não fizeram o famoso “pega-o-modelo-do-cara-e-encaixa-ele-na-marra-na-sua-amostra” que é sugerido como trabalho monográfico por professores inexperientes, com pouca formação ou, claro, os picaretas de sempre.
Nada disso.
O modelo do texto foi adaptado e modificado para tentar ser uma estilização do caso brasileiro. Com todos os problemas que isto pode causar, na minha opinião, ainda será sempre melhor do que o exercício bobo de replicar um modelo construído para Ronaldinho Gaúcho em Casagrande. Ou vice-versa.
março 11, 2009
Bender, do Bender Blog, envia esta dica engraçada.
março 11, 2009
Rafael, meu ex-aluno e amigo, em um projeto musical que você pode ter em seu computador. Basta ler aqui.
março 10, 2009
março 10, 2009
Muita gente vive de psicografismo econômico. É um tal de psicografar economista aqui ou ali que ninguém aguenta. Com tantos problemas para se resolver, o sujeito quer brigar porque ele acha que o fulano disse isso ou aquilo. Vamos a um economista que não morreu, Ronald Coase. E vamos ao que ele disse, realmente:
In my paper on “The Problem of Social Cost”, I argued that, in choosing between social institutions, the decision should be based on how they would work in practise. [Coase, Ronald H., Economists and Public Policy, in: Essays on Economics and Economists, University of Chicago Press, 1994, p.61]
Pronto. Agora você já sabe o que ele quis dizer. Sem psicografias. Por falar nisso, Ronald Coase fundou o The Ronald Coase Institute, com o dinheiro que ganhou com seu Nobel.
Gosto sempre de lembrar estes fatos da vida do bom velhinho porque eles mostram que você pode ter uma vida coerente. Se você acredita que devemos estudar instituições e mercados, então os estude. Se acha que é importante e pode financiar pesquisas sobre o tema, faça-o.
Coase seguiu todos os passos…
março 10, 2009
Cristiano Costa comenta sobre os gold farmers, numa retomada do tema sob um ângulo distinto. Trechos:
A blogosfera se agitou com os Gold Farmers, o Leo postou, o Philipe analisou e o Shikida deu até referências. Então, resolvi palpitar também. Pra dar graça, eu vou ser do contra. Lá vai (mas para entender primeiro leia o post do Philipe clicando AQUI):
E por aí vai. Leia tudo lá.
março 10, 2009
Continuamos a receber várias visitas oriundas do As Últimas. Recomendamos, especialmente, os seguintes companheiros de trabalho:
Obviamente há muito mais gente boa recomendada, mas você pode descobrir isto pelos links ao lado e/ou pelos conteúdos que sempre aparecem aqui.
março 10, 2009
Chinn – do blog do James Hamilton – tem comentários sobre o último texto de Mankiw, em seu próprio blog, acerca da magnitude dos multiplicadores keynesianos.
Note, leitor, a diferença da qualidade do debate. Primeiro, a blogosfera econômica brasileira ignora qualquer indício de discussão similar (talvez, concedo, porque boa parte da academia brasileira se recusa a calcular os similares nacionais, embora isto não seja 100% correto). Segundo, a mesma blogosfera brasileira ignora até o debate norte-americano.
Ou seja, aqui, quer-se falar mal ou bem dos economistas mesmo que não se saiba nada de economia. Algo que, como já disse antes, retroage o debate à era Vargas (ou anterior), na qual existiam apenas palavrórios soltos, talvez ritmados e poéticos, mas sem conteúdo relevante.
Obviamente, alguns não entram neste debate simplesmente porque não sabem ou não querem discutir com as armas do adversário (no caso, com os modelos keynesianos) porque isto exige, claro, estudo. A crítica que fazem, neste caso, fica opaca, pobre e pouco potente. Não há como não ficar com a blogosfera econômica norte-americana nestas horas…
março 9, 2009
Diogo Costa faz um belo apanhado das idéias de David Friedman sobre o futuro. Aliás, é só um resumo pequeno, mas o exemplo escolhido é interessante, muito interessante.
março 9, 2009
Ok, tem gente que aposta em “irracionalidade” dos empresários rasgadores de dinheiro. Eu não seria tão ingênuo assim.
março 9, 2009
Propaganda gratuita para os advogados e economistas envolvidos no 1o Seminário da AMDE.
março 8, 2009
Posted by claudio under
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Kaizen |
[7] Comments
O Leo Shikida fez um interessante depoimento pessoal aqui. Primeiramente, parabenizo-o e aos seus pelos cumprimentos dos objetivos da empresa. Só Deus sabe o quanto isto é difícil (talvez nem Deus saiba). Por outro lado, esta história de Kaizen, que ele conta me deixa cético (ceticismo é uma característica na família). Será que empresas japonesas realmente adotam tal filosofia? Se adotam, por que a economia japonesa não decola?
Claro que há vários fatores adicionais, mas o conceito é tão propositalmente amplo que, cá para nós, qualquer coisa pode ser Kaizen…o que me leva a acreditar que meu irmão é humilde e debita na conta de um conceito que supostamente funciona sua própria criatividade e competência. Será que ele acredita mesmo em algum Kaizen? Ou que pratica Kaizen em toda sua vida? Pouco importa. O que importa é que ele se sente confortável com isto.
De qualquer forma, eis a grafia de Kaizen: 改善. Cientificamente falando, ainda quero ver evidências de que este conceito é mais do que uma palavra de auto-ajuda. Evidências científicas empíricas são bem-vindas.
março 8, 2009
Posted by claudio under
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漢字、姦しい、日本語 |
1 Comment
Eis o kanji de mulher: 「女」. Agora, o divertido kanji para 「かしましい」:「姦しい」(note que há três mulheres na parte do kanji que forma a raiz do adjetivo).
A tradução de “kashimashii”? Bem, aqui está.
E o que dizer de dois homens – com uma mulher no meio 「嬲」(” naburu” ) – ou o inverso: 「嫐」(cuja leitura é “tawamureru” )?O primeiro está aqui. O segundo, aqui. Há ainda um terceiro, com três homens, mas não encontrei o significado (para os que lêem japonês, eis algo).
Divertido isto…
março 8, 2009
Excelente resumo – para os já iniciados – aqui.
março 8, 2009
A UnB jamais escapará das manchetes após 2008…
março 8, 2009
Agende-se! Parem as rotativas! Amanhã, o Nepom divulga suas previsões do que o Copom deverá fazer com a taxa Selic. Nossas previsões vêm em forma de cenários. Temos um modelo e temos alunos competentes o suficiente para estimar, verificar e criticar o modelo. E temos uma boa análise de conjuntura.
Se tivermos sorte, temos até biscoitinhos e suco na porta da sala, mas não posso garantir. ^_^
março 7, 2009
Journal of Development Effectiveness
Aims & Scope
Journal of Development Effectiveness aims to support evidence-based policy making to enhance development effectiveness. It will do this by publishing high quality papers reporting evidence of the impact of projects, programs and policies in developing countries. Review papers covering a number of studies are particularly encouraged. The Journal does not subscribe to any one approach to impact evaluation, but requires that the techniques employed be rigorously applied, with a preference for studies which have been well contextualized with an appropriate use of mixed methods. The Journal will also publish papers of a more conceptual nature related to impact evaluation, as well as papers covering practical aspects of conducting impact studies. Journal of Development Effectiveness has an explicit policy of ‘learning from our mistakes’, discouraging publication bias in favour of positive results – papers reporting interventions with no, or a negative, impact are welcome. A listing of new impact studies will be included in each issue.
Missão difícil, mas válida a deste novo periódico. Deve evitar a baboseira pterodoxa do “blá-blá-metrics” que serve apenas para defender interesses e fundos de pesquisa para quem não consegue dizer, efetivamente, avaliar cientificamente um determinado programa de desenvolvimento.
Um dos membros do
board é o
Martin Ravallion, muito na moda, atualmente, entre o
pessoal da área.
março 7, 2009
A versão asiática do bolivarianismo é a Coréia do Norte. Como está o meio ambiente após anos de socialismo? Assim. Não, não me venha perguntar sobre a camada de ozônio lá. Nem quero saber…
março 6, 2009

http://davidmlane.com/ben/outlier.gif
Dica: Margens de Erro.
março 6, 2009
Há muito tempo eu escrevi em algum lugar (ou disse para algum amigo) que esta histeria dos sem-terra contra o capitalismo tem dois lados. Um, bobo mesmo, é o ideológico. O outro, mais disfarçado, é o do rent-seeking explícito. Muito desta destruição de laboratórios – eu dizia – tem a ver com o desejo de eliminar a competição.
O falecido Jack Hirshleifer, ao falar de economia do conflito, dizia em seu livro-texto que firmas competem com estratégias, muitas vezes, violentas. O que foi aquilo em 1930 em Chicago?? Nem Marx explica, né? Afinal, Marx não tinha o mesmo arcabouço analítico de um Mancur Olson ou um Jack Hirshleifer. Mas vamos lá às evidências. O esforço deste pessoal para maximizar o lucro tem sido evidente.
Ah sim, eu e o Ari já falamos sobre isto antes. Veja aqui. Mas o especialista, mesmo, nisto, é o Bernardo Mueller, um sujeito para lá de inteligente.
março 6, 2009
O Philipe leu o Leo e eis o que são os gold farmers:
Eles são pagos para jogar online e acumular dinheiro e ativos virtuais que depois são vendidos para jogadores estrangeiros por sites como o e-Bay. Fui atrás de maiores informações sobre esse mercado e descobri que um estudante de doutorado da Universidade de San Diego fez um documentário sobre os gold farmers.
Mais uma evidência de que mercados funcionam e nos ajudam, mesmo quando se diz por aí bobagens sobre um suposto fim do capitalismo.
março 5, 2009
Quem me conhece há mais tempo sabe que gosto de um velho artigo sobre o peso morto do Natal. O ponto do artigo é bem simples: como você presenteia alguém com algo que a pessoa não necessariamente deseja, gera-se uma perda de peso morto na sociedade (o sujeito gastou recursos para comprar algo que não trouxe satisfação para o presenteado) . Exatamente o oposto ao que acontece no casamento japonês tradicional.
p.s. eu bem gostaria de ter ganho um dinheirinho…
março 5, 2009
Quer saber? É a sua esposa. Bem, pelo menos no Japão, é assim. Aí vai um bom trecho da matéria.
Apesar da sociedade nipônica ser conhecida pelo machismo, entre quatro paredes, quem dita as regras é a esposa.
O exemplo mais evidente dessa hierarquia familiar é a responsabilidade da dona de casa que, pouco após a troca de alianças no altar, passa a ter o comando das finanças do marido.
Ou seja, é ela quem administra as despesas domésticas e ainda separa um bocadinho para os gastos pessoais dele. Por mais contraditório que possa parecer, é a mulher quem dá o “okozukai”, mais conhecido como a “mesada”, ao homem.
A cota para almoço, lanche, cigarro, além de eventuais gastos com momentos de entretenimento como a cervejinha pós-expediente são totalmente controlados pela dona de casa.
O padrão é adotado pela maioria das famílias e vem de uma antiga tradição do arquipélago. Uma explicação a respeito da popularidade deste sistema são os longos expedientes a qual um trabalhador japonês é muitas vezes obrigado a se submeter. O nível de cansaço e estresse seria tanto, que na teoria, eles não possuiriam tempo ou disposição para cuidar das finanças de sua família.
Conforme pesquisa divulgada pela empresa de crédito GE Money, a porcentagem padrão de okozukai é de 10% sobre o salário dos maridos. Normalmente o valor é determinado nos primeiros meses após o casamento, a partir de cálculos feitos sobre os gastos com alimentação, contas, educação dos filhos e prestações de casa e carro.
Sentiu o drama? Obviamente, na medida em que a mulher entra no mercado de trabalho, esta maravilhosa “estrutura de poder” feminina pode desaparecer mas, aposto, elas arrumarão um jeito de continuar mandando em nós, os pobres maridos…^_^
março 4, 2009
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