março 2009
Arquivo mensal
março 18, 2009
Alex resumiu bem um debate que, na imprensa e blogosfera brasileira, geralmente toma tons ideológicos, religiosos e, portanto, inúteis para o entendimento da realidade: o debate sobre as políticas fiscal e monetária. Recomendo fortemente a leitura. Aqui, em diversos momentos, citei o problema da política fiscal e de como alguns interesses se faziam ecoar na imprensa por meio de críticas quase infantis à atuação do Banco Central brasileiro (“patinando”, “complô”, “anti-social”, etc).
É curioso lembrar que, justamente pela política monetária recente, temos uma situação menos perigosa do que a que teríamos se estivéssemos sob o arranjo monetário do governo Geisel, Sarney ou Collor, para citar apenas alguns. O criticado sistema de metas ainda nos mantém em situação melhor do que no resto do mundo.
Verdade é que, lá fora, critica-se o sistema de metas. Gente de calibre muito maior do que muitos de nossos críticos debate melhorias no sistema enquanto, aqui, ainda é muito forte o vício da autoridade do jornalista (blogueiro) que nem sempre lê (ou entende o que lê) artigos científicos. Cabe ao leitor, claro, escolher o que é ou não artigo de qualidade por conta própria e, claro, com ajuda de gente boa.
Este blog não tem pretensões religiosas e nem recebe patrocínio do Banco Central. Mas também não concorda com críticas infantis.
março 18, 2009
Quando leio coisas assim, a pergunta me vem, inevitavelmente, à mente.
março 18, 2009
IV Encontro de Pensadores Liberais – A Crise Internacional e a Atuação do Estado Brasileiro
A CRISE INTERNACIONAL E A ATUAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO
Data: 28/03/2008 (Sábado)
Horário: 14:00 às 18:00 horas
Local: Universidade Católica de Brasília (916 norte)
Temas a serem discutidos durante o IV Encontro de Pensadores Liberais
1) Ajuda estatal ao mercado imobiliário: não foi assim que começou a crise nos EUA???
2) Banco Central e swap cambial
3) Concentração Bancária
4) BNDES e os beneficiários do dinheiro público
5) Ajuda estatal ao mercado de automóveis: será que vamos criar uma bolha aqui também?
Conto com vocês no encontro.
O esforço de Adolfo Sachsida certamente não será divulgado em jornais de sindicatos, conselhos ou associações. Também será ignorado por muitos supostos aliados. Mas continua como uma prova de que o esforço individual é a fonte do sucesso. Se eu morasse em Brasília, iria até lá.
março 18, 2009
Prometi um texto maior sobre a – obviamente – relevância do debate da existência de raiz unitária no PIB. Chamei a atenção, anteriormente, do leitor do blog para o debate nos EUA. Erik, por sua vez, resumiu bem a intuição neste texto. Leia as cinco primeiras páginas deste artigo e você entenderá o debate. Aliás, Erik encontrou fortes evidências favoráveis à existência de raiz unitária no PIB brasileiro.
Significa isto (a existência de raiz unitária no PIB), basicamente, que políticas econômicas podem alterar a trajetória de longo prazo da economia de uma forma bastante séria. A visão antiga – muito comum em capítulos iniciais de livros de macroeconomia – é a de que uma recessão no curto prazo seria apenas um desvio de uma tendência fortíssima de crescimento gerada pelos fatores reais da economia (estoque de capital físico, quantidade de trabalhadores, capital humano, etc).
Em síntese: se o PIB tem raiz unitária, políticas econômicas desastrosas podem nos condenar a uma trajetória de longo prazo pior. Nada desta história maravilhosa de voltar à tendência de longo prazo. Em verdade, há quem diga que a política econômica “não teria importância no curto prazo”, neste caso. Não sei se esta é uma boa interpretação da hipótese de existência de raiz unitária. Basta lembrar que existem muitos outros aspectos de política econômica do que apenas a política fiscal ou monetária.
Mas voltemos ao problema. Já citei aqui que o debate, lá fora, está em outro nível (mesmo). Mas o que dizem autores brasileiros sobre nosso PIB? Há ou não raiz unitária?
Fava & Cati (1995) encontraram evidências mistas para o Brasil. Mas o trabalho – clássico – estaciona o estado das artes em mais de dez anos. Lima, Lopes, Moreira & Pereira (1995) encontram evidências favoráveis à hipótese de raiz unitária na série do PIB. Aguirre & Ferreira (2001), por sua vez, não encontram evidências de raiz unitária. Finalmente, o já citado Erik, Figueiredo (2006), com um teste diferente, encontra resultado favorável à existência de raiz unitária.
Poderíamos continuar indefinidamente (realmente esta era minha intenção ao iniciar este texto), mas eu teria que detalhar aspectos de cada artigo. De qualquer forma, só posso dizer uma coisa: aguardem que vem novidade aí.
p.s. ver também Figueiredo & Leite Filho (2005).
março 17, 2009
O que será que nosso leitor médio acha disto? O CADE deve estar muito feliz, mas será é o melhor para a economia brasileira? Comentários do pessoal entendido de modelos regulatórios são bem-vindos.
março 17, 2009
Eis um journal que tem uma proposta muito interessante. Anos luz à frente do que qualquer coisa que se veja por aqui, fora de alguns círculos de discussão de alto nível. O melhor mesmo é o nome: nada mais claro em suas intenções…
março 17, 2009
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março 17, 2009
Excelente discussão: o sistema de crítica de periódicos científicos econômicos é ineficaz? O autor não é moleza não e, claro, este tema é importante para a discussão sobre produção acadêmica que, modéstia parte, este autor tem pesquisado nos últimos anos.
março 17, 2009
Já falei que a discussão atual, no Brasil, é fraca, quase toda ideológica porque gente que poderia responder esta pergunta está ocupada com alguma atividade ou desistiu. Já o pessoal do NBER mostra que o debate econômico nos EUA existe e é infinitamente mais rico que o daqui. Senão, vejamos…
O resumo:
Renewed interest in fiscal policy has increased the use of quantitative models to evaluate policy. Because of modelling uncertainty, it is essential that policy evaluations be robust to alternative assumptions. We find that models currently being used in practice to evaluate fiscal policy stimulus proposals are not robust. Government spending multipliers in an alternative empirically-estimated and widely-cited new Keynesian model are much smaller than in these old Keynesian models; the estimated stimulus is extremely small just when needed most, and GDP and employment effects are only one-sixth as large, with private sector employment impacts likely to be even smaller.
E olha que nem falei do debate sobre raiz unitária que só não é importante se você ignora tudo o que foi escrito em Teoria Macroeconômica nos últimos 40 ou 50 anos. Sobre este já falei aqui, mas o leitor é fortemente convidado a juntar as peças com esta nova referência.
p.s. Veja também o Renato passar pela prova de fogo aqui.
março 17, 2009
Artigo interessante no NBER de Nunn & Wantchekon:
We investigate the historical origins of mistrust within Africa. Combining contemporary household survey data with historic data on slave shipments, we show that individuals whose ancestors were heavily raided during the slave trade today exhibit less trust in neighbors, relatives, and their local government. We confirm that the relationship is causal by using the historic distance from the coast of a respondent’s ancestors as an instrument for the intensity of the slave trade, while controlling for the individual’s current distance from the coast. We undertake a number of falsification tests, all of which suggest that the necessary exclusion restriction is satisfied. Exploiting variation among individuals who live in locations different from their ancestors, we show that most of the impact of the slave trade works through factors that are internal to the individual, such as cultural norms, beliefs, and values.
Como? Bem, vamos aos autores:
Using fine-grained individual-level survey data, we test whether the slave trade caused a culture of mistrust to develop within Africa. Early in the slave trade, slaves were primarily captured through state organized raids and warfare. By the end of the trade, because of the environment of ubiquitous insecurity that had developed, individuals – even friends and family members – began to turn on one another, kidnapping, tricking, and selling each other into slavery (e.g., Koelle, 1854, Hair, 1965, Piot, 1996). We hypothesize that in this environment, where everyone had to constantly be on guard against being sold or tricked into slavery by those around them, a culture of mistrust may have evolved, and that this mistrust may continue to persist today.
Isto sim é trabalho bacana…
março 16, 2009
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Há várias opiniões. Vejamos algumas delas.
Para Thornton, preparar o caminho para o fim de qualquer política econômica:
If we want to avoid the next great depression, all such government interventions should cease.
Rothbard acha que:
Thus, what the government should do, according to the Misesian analysis of the depression, is absolutely nothing. It should, from the point of view of economic health and ending the depression as quickly as possible, maintain a strict hands off, “laissez-faire” policy. Anything it does will delay and obstruct the adjustment process of the market; the less it does, the more rapidly will the market adjustment process do its work, and sound economic recovery ensue.
The Misesian prescription is thus the exact opposite of the Keynesian: It is for the government to keep absolute hands off the economy and to confine itself to stopping its own inflation and to cutting its own budget.
Se você tem dúvidas quanto a isto, diz Rothbard, basta pensar com otimismo mais a la Francis Fukuyama, só que aplicado à ciência. Diríamos, “o fim da ciência”. Afinal, o “trabalho correto e completamente desenvolvido” sobre os ciclos econômicos já foi feito:
The correct and fully developed theory of the business cycle was finally discovered and set forth by the Austrian economist Ludwig von Mises, when he was a privatdozent in Vienna. Mises developed hints of his solution to the vital problem of the business cycle in his monumentalTheory of Money and Credit, published in 1912, and still, nearly 60 years later, the best book on the theory of money and banking.
Mas, será que Rothbard está correto? A teoria definitiva já foi desenvolvida? Nada há mais a dizer? A crise só se resolve com a posição passiva do governo? Mises realmente disse para esperarmos o cataclisma? O leitor mais próximo do debate macroeconômico atual (este mesmo que envolve raízes unitárias e tudo o mais) sabe que nem tudo é o que alguns dizem ser. Como sempre, a simples leitura mais cuidadosa nos leva a uma posição mais complicada da velha discussão “meu ídolo do cinema disse que…e não erra nunca”. Então Hayek e Robbins não jogaram no mesmo time de Rothbard, pelo menos no que diz respeito ao que fazer diante da crise. Mais ainda, alguém pode ter lido alguma coisa de forma superficial e eu não acredito que Larry White seja o leitor desavisado. Ponto para White ao nos esclarecer – sem frescuras – um detalhe do debate da Grande Depressão.
Aconselho fortemente o leitor a acompanhar, na blogosfera norte-americana, os textos de (sorry pals, apenas alguns links) Larry White, DeLong, Krugman, Mankiw, Chinn e Scott Sumner. Um breve passeio por este blog é um exercício de paciência – útil para os apressados dias de hoje – e também para se ter noção deste debate, muito interessante, ocorrido nos últimos dias.
março 16, 2009
O leitor deste blog já viu que não vamos nos livrar desta discussão tão cedo. Pois eis mais duas discussões: DeLong e Boldrini e DeLong. Ontem eu coloquei aqui o link para um post do Erik, sobre o mesmo tema. Creio que é um bom resumo do que DeLong gostaria de entender melhor e, sim, ainda há mais para se fazer nesta área.
Pergunta para o leitor: o que a raiz unitária e a discussão macroeconômica têm em comum? Dica: procure no seu livro de econometria.
março 15, 2009
março 15, 2009
Erik contribui no debate sobre o tipo de tendência do PIB norte-americano. Por que este debate é importante? Bem, se você acha que esta briga de economistas sobre o pacote de Obama é só retórica (bem, há os que realmente ficam só na retórica, mas não dá para dialogar com estes…), está enganado. Qualquer economista sério sabe que as prescrições de política econômica têm tudo a ver com o tipo de tendência do PIB.
Um pouco de econometria não faz mal. Dê uma olhada no artigo dele. Se eu tiver tempo, farei um artigo pequeno, no blog do NEPOM, sobre o tema. Mas só se tiver tempo.
março 14, 2009
Chinn entrou na discussão de Mankiw e DeLong sobre a natureza da tendência do PIB norte-americano. As discussões são interessantes porque quem aprende econometria de séries de tempo não tem como não perceber que a discussão da crise atual tem muito a ver com o tema. Não que toda a crise se resuma nisto, mas sem entender os conceitos de trend-stationary e difference-stationary, você fica só no feijão com arroz…
março 14, 2009
Embora o IBMEC esteja com sua equipe encarregada apanhando da pane que nos deixou fora do ar dentro da faculdade (nós e o (sic) blog oficial do NEPOM, da própria faculdade), o pessoal do resto do mundo pode nos ler. Por exemplo, somos referência nos links do blog do Los Angeles Times.
É isto aí. Você é mais (menos) valorizado onde menos espera…
março 13, 2009
O IBMEC-RJ e o IBMEC-MG tiveram um problema hoje. Acho que persistirá nos próximos dias. Simplesmente, o aluno de nossa faculdade, aquele que mais ganha com o NEPOM, está impossibilitado de ler o respectivo e também este blog.
Ninguém me explicou o porquê do ocorrido, mas lamento muito porque vários dos comentaristas só receberão suas respostas à noite (até que tudo se normalize…se isto acontecer).
Tristes dias para o pessoal do suporte que, até o momento, creio, não foi capaz de solucionar o problema.
UPDATE: ainda estamos com problema! (post original em 12.03)
março 12, 2009
Quando o Leo Monasterio me enviou isto, achei que se falava de xenotransplantes ou algum outro avanço tecnológico. Não era. Custei a entender, mas é bacana. Vale conferir os links.
p.s. veja também a reação maluca de alguns.
março 12, 2009
Marcio Salvato e nosso aluno em video já eleito o melhor deste blog.
março 12, 2009
Mankiw foi literalmente chamado de bobo por Krugman. A resposta foi inteligente e, bem, parece que Krugman ficou quietinho, quietinho…
março 12, 2009
março 12, 2009
O grande Peter Boettke vai ao ponto: blogar é bacana, mas não é pesquisa. Pesquisa, esta sim, é coisa que exige leitura cuidadosa e geralmente se deve ter concentração. Já blogs podem nos dar bons momentos e também oportunidades de descoberta sobre o baixo nível de certas pessoas.
Uma coisa, claro, complementa a outra. Mas não se confundem, ok?
Por falar em blogs, quanto o leitor aposta que, amanhã, ainda estaremos com problemas lá no local de trabalho?
março 12, 2009
Se um famoso da área médica pode fazer isto, e como sabemos que viés pode vir disfarçado em novas bolsas, cargos públicos, viagens pagas ou dinheiro no bolso, eu me pergunto: será que muitos dos meus colegas sucumbem à tentação? Espero que não.
março 12, 2009
Aula bem conectada esta. Eu e dois alunos em leituras, discussões e aprendizado. Nada de dogmatismo quadrúpede, claro.
março 12, 2009
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