março 2009


Mr.X tem uma excelente pergunta: por que a imprensa só curte um determinado tipo de notícias sobre o mundo islâmico-muçulmano-palestino?

É o título deste resumo breve sobre variáveis instrumentais do Stock.

Diz Tiago Severo, doutorando em Harvard, em Cristiano Costa:

 Economias que se baseiam em alavacangem elevada, principalmente no sistema financeiro, ficam expostas a riscos sistêmicos que eventualmente redundam em crises financeiras agudas. Financiamento via participação acionária, por outro lado, permite a economia disseminar perdas e evitar riscos sistêmicos. Esta premissa deve guiar a reconstrução do sistema financeiro nos Estados Unidos e em outros países.

Eis aí uma interessante hipótese que pode não ser uma correlação, mas sim uma relação de causalidade. Alguma sugestão de teste?

David Friedman, antes da eleição, tinha uma visão positiva sobre Obama. Ela continua, mas não é ingênua ou acrítica.

Quantos ex-alunos na faculdade passaram no mestrado, lá na Carlos III, nos últimos 3100 anos? 

Confira aqui.

Quando um bem privado é ofertado como bem público, distorções acontecem.

Labor Markets in South Africa During Apartheid

Mariotti, Martine (2009): Labor Markets in South Africa During Apartheid. Unpublished.
Abstract

Conventional wisdom holds that international political pressure and domestic civil unrest in the mid-1970s and 1980s brought an end to apartheid in South Africa. I show that, prior to these events, labor market pressure in the late 1960s/early 1970s caused a dramatic unraveling of apartheid in the workplace. Increased educational attainment among whites reduced resistance to opening semi-skilled jobs to Africans. This institutional change reflected white economic preferences rather than a relaxation of attitudes toward apartheid. I show that whites benefited from the relaxation of job reservation rules and that this is the primary cause of black occupational advancement.

Conclusão interessante.

Trechos de um bom texto de Sumner:

It is easy to find numerous examples of where common sense views differ from the economistic perspective.  Some of these do not even involve empirical judgments, but rather seem to merely reflect logical errors.  For instance, in Pop Internationalism Krugman pointed out that people often worry about a net loss of jobs both from U.S. investment flowing overseas, and from Americans buying foreign goods, even though (as a matter of accounting) both the current and capital accounts cannot be in deficit at the same time.  (A U.S. trade deficit can only be financed by a capital account surplus.)

Sim, o velho tema de sempre. Mas este trecho é incrivelmente interessante:

Economic philosophers have also addressed this problem.  Wilkerson (2005)noted that human brains evolved under conditions far different from the modern economy:

because of the social nature of hunting and gathering, the fact that food spoiled quickly, and the utter lack of privacy, the benefits of individual success in hunting and foraging could not be easily internalized by the individual, and were expected to be shared.  The EEA [i.e. Stone Age] was for the most part a zero-sum world, where increases in total wealth through invention, investment, and extended economic exchange were totally unknown.  More for you was less for me.  Therefore, if anyone managed to acquire a great deal more than anyone else, that was pretty good evidence that theirs was a stash of ill-gotten gains . . . Our zero-sum mentality makes it hard for us to understand how trade and investment can increase the total amount of wealth.  We are thus ill-equipped to easily understand our own economic system.

O original de Wilkerson nos fala de Psicologia Evolucionária (ou Evolutiva). O tema nos lembra de alguns de meus últimos posts aqui. Pois bem, vamos ao próprio Wilkerson então:

First, a word of caution: We cannot expect to draw any straightforward positive political lessons from evolutionary psychology. It can tell us something about the kind of society that will tend not to work, and why. But it cannot tell us which of the feasible forms of society we ought to aspire to. We cannot, it turns out, infer the naturalness of capitalism from the manifest failure of communism to accommodate human nature. Nor should we be tempted to infer that natural is better. Foraging half-naked for nuts and berries is natural, while the New York Stock Exchange and open-heart surgery would boggle our ancestors’ minds.

Logo, não se defende esta ou aquela ideologia. O foco é mais amplo. O trecho que Sumner citou vale ser completado aqui. Vamos a ele:

We are Envious Zero-sum Thinkers

Perhaps the most depressing lesson of evolutionary psychology for politics is found in its account of the deep-seated human capacity for envy and, related, of our difficulty in understanding the idea of gains from trade and increases in productivity—the idea of an ever-expanding “pie” of wealth.

There is evidence that greater skill and initiative could lead to higher status and bigger shares of resources for an individual in the EEA. But because of the social nature of hunting and gathering, the fact that food spoiled quickly, and the utter absence of privacy, the benefits of individual success in hunting or foraging could not be easily internalized by the individual, and were expected to be shared. The EEA was for the most part a zero-sum world, where increases in total wealth through invention, investment, and extended economic exchange were totally unknown. More for you was less for me. Therefore, if anyone managed to acquire a great deal more than anyone else, that was pretty good evidence that theirs was a stash of ill-gotten gains, acquired by cheating, stealing, raw force, or, at best, sheer luck. Envy of the disproportionately wealthy may have helped to reinforce generally adaptive norms of sharing and to help those of lower status on the dominance hierarchy guard against further predation by those able to amass power.

Our zero-sum mentality makes it hard for us to understand how trade and investment can increase the amount of total wealth. We are thus ill-equipped to easily understand our own economic system.

These features of human nature—that we are coalitional, hierarchical, and envious zero-sum thinkers—would seem to make liberal capitalism extremely unlikely. And it is. However, the benefits of a liberal market order can be seen in a few further features of the human mind and social organization in the EEA.

Ou seja, ironicamente ou não, um conhecimento “científico” da economia – em oposição ao “utópico” – deveria considerar que pensar nos mercados como um jogo de soma zero é algo…primitivo. Assim, concluo eu, humildemente, é necessário ensinar economia.

Na verdade, há várias evidências de que as pessoas não entendem conceitos básicos de economia. Tome-se como exemplo a vantagem comparativa, incompreendida por muitos economistas, não apenas por leigos. Como a ciência evolui conforme os interesses dos cientistas, economistas interessados em desfazer mitos podem muito bem ajudar na evolução da mente humana. Podem, mas alguns preferem a luta por cargos políticos ou mesmo a proteção das barreiras à entrada no mercado das idéias, alardeando que não precisam mais estudar ou nem de prestar atenção a aspectos interdisciplinares. 

Este texto de Sumner foi, realmente, um doce na boca, logo pela manhã…

Polêmica: o artigo de Robert Frank. Comentários?

Eis um breve resumo sobre a queda da Selic, no Nepom.

Pessoal, o Sérgio e o Pedro, sobreviventes do “O Indivíduo”, são uma das provas de que existe inteligência na rede.

Eis um artigo de Bruno Frey que vai ao limite do debate sobre o que é a ciência econômica e qual sua relevância no mundo.

Frey é um sujeito cheio de insights, logo, vale a pena ler seus textos. Entretanto, este dá pano para manga para brigas com quem não leu (ou leu, mas não conseguiu entender) o que ele tem escrito nos últimos anos. Logo, cuidado na leitura. Frey não vive em um ambiente como o brasileiro no qual o nível do debate se revela na estranha mudança do grau de exigência, fartamente debatido na blogosfera, do último concurso do IPEA (por exemplo, aqui, aqui, aqui e aqui).

Esqueça, por enquanto, suas preferências ideológicas. A relevância da economia deve ser sujeita ao confronto com a realidade, seja na forma de teste de hipóteses numa abordagem mais tradicional (Friedman), ou sob a forma de estudos específicos (Coase) ou, ainda, no formato de algum tipo de simulação como curte o pessoal – hoje – de DSGE

Será mesmo? O argumento de Frey toca nestes pontos sensíveis. Por exemplo, muitos usam o discurso econômico apenas para maximizar a chance de obter um favor político, sem tanta preocupação com o cálculo do custo e do benefício de sua proposta para a sociedade. Isto já foi apontado, para o Brasil, pelo velho Bulhões e tem sido reiterado por alguns críticos recentes (como Pedro Cavalcanti, em sua querela com os defensores da política industrial a qualquer custo). Neste sentido, argumentos políticos geralmente expulsam/diminuem a influência (mas não a importância) dos argumentos econômicos, como eu disse no título, traduzindo uma frase citada no texto original de Frey (um exemplo seria, talvez, este).

Diga-se de passagem, este trecho do texto de Frey resume muito do que eu penso ocorrer no Brasil:

The demand for economists is partly produced by the economics profession itself. Economic theories favouring government intervention increase the demand for economists in public advisory boards and within the public administration. According to Friedman (1986, pp. 8–9), one reason why Keynesian theory became accepted so quickly was that “. . . it opened up such wonderful opportunities for employment and influence by economists . . . the New Deal was the greatest employment programme for economists that ever existed“. In the 80s, the policy of privatisation and deregulation also increased the demand for economists in the private sector.

A citação é boa: ela mostra que há incentivos para que economistas se afastem das proposições positivas e se aproximarem das normativas não por conta de algum apelo vagamente preocupado com a sociedade e o mundo real, como querem alguns, mas apenas por interesse próprio. 

Assim, veja bem, devemos estudar o processo de produção acadêmica. Embora muitos colegas não-economistas concordem comigo, é difícil encontrar algum que se submeta a uma investigação dentro de sua própria área. Touché! Sabemos que o telhado de vidro de médicos, biólogos, físicos, sociólogos, etc etc etc, é tanto quanto ou mais frágil que o nosso. Aliás, este é um dos motivos pelos quais eu gosto da Ciência Econômica: há a possibilidade de uma investigação científica sobre a honestidade de nossos próprios membros. Gera alguma bronca? Claro, mas a compreensão da realidade não avança sem que se pise em patas de ruminantes ou mesmo que se enfrente mamutes…

No Brasil, o debate econômico tem uma dimensão interessante gerada, penso eu, em algum momento do nossa vida sob o padrão-ouro. Em algum ponto daquela época (trata-se de um simples palpite a escolha do final do século XIX, mas há algo aí…creio), o debate se tornou uma bravata ideológica contra a teoria econômica que resultaria em discussões pouco elaboradas com um ou outro insight interessante.

A construção da Ciência Econômica no Brasil tem lá seus aspectos ideológicos, mas também tem seu elemento de capital humano (veja meu post imediatamente anterior a este). Ou seja, enquanto a criação da formação universitária em nossa área prosperou no mundo e gerou externalidades positivas, aqui a dificuldade de suplantar os discursos vazios, mas de bela retórica, parece ter sido uma barreira importante à construção do pensamento econômico baseado em uma forte análise da realidade brasileira. Penso, por exemplo, na imensa diferença de qualidade entre o debate econômico na imprensa/blogosfera brasileira e na de qualquer país desenvolvido.

É quase inevitável não lembrar dos apelos representados pelo currículo proposto por Gudin para o curso e as queixas de Mircea Buescu contra as interpretações econômicas de nossa história que, propositalmente ou não, ignoravam a simples análise estatística dos dados (já citei isto antes, várias vezes, aqui): economistas –  tal como entendo o termo – no Brasil dos anos 50 lutavam para que seus colegas, ao menos, estudassem estatística! Nossa história econômica, digo, nossa historiografia econômica, por exemplo, poderia ser infinitamente melhor se as pessoas não lessem Celso Furtado de joelhos, em frente ao altar, mas sim com a mesma atitude crítica que um estudante tem ao estudar qualquer autor, qualquer teoria ou qualquer coisa.

Entender a produção acadêmica e sua relação com os grupos de interesse é um projeto de pesquisa interessante para os próximos anos. Não para os EUA ou para a Inglaterra, mas para o Brasil. Faz parte da compreensão da história de nossa ciência no país e também, claro, de sua relevância para a economia atual. Até que ponto geramos mais benefícios do que custos é uma questão em aberto. 

Amontoado de textos sobre o tema e/ou quase sobre o tema: este, do Gustavo Franco. Sobre a pesquisa econômica no Brasil, este do Walter Novaes e este, de alguns autores mais ou menos conhecidos aqui sob a aba: “Economic Incentives in Academy”. Se alguém se lembrar de algum outro, por favor, use os comentários abaixo.

Leo Huberman pode ser bom em despertar em qualquer um o sentido de revolta. Mas não entende nada de economia. Em resumo, assim se pode ver seu livro mais famoso. E, novamente, nosso amigo Tambosi reclama da persistência aparentemente irracional de muitos em adotarem seu livro no século XXI.

Este é um tema muito interessante na história da ciência: sabe-se que o sujeito errou, mas persiste-se no erro maior de divulgá-lo como correto. A adoção de idéias estranhas pode ocorrer por má formação de quem as lê (nível baixo de capital humano) ou por algum outro mecanismo no qual o custo de se acreditar em bobagens seja baixo para o crente

O resultado disto, para mim, é que a ideologia passa a exercer um papel muito maior no receituário que a pessoa pensa ser adequado para entender/resolver algum problema do que o raciocínio científico normal (erro-e-tentativa). Minha leitura – ainda li pouco, sei disso, sobre este tema – sobre a ciência na Alemanha nazista e na Rússia soviética (pense em exemplos mais recentes, leitor) – mostra que é o que acontece: gente absolutamente sem preparo assume o poder por conta de lealdade ao regime muito mais do que por conta de algum conhecimento científico (geralmente até o tem, mas é menor do que a maioria dos pares) e tudo é resolvido por ideologia. 

Note que o caminho da ideologia não é exclusivo desta ou daquela corrente de pensamento. O sinal de que a canoa virou ocorre quando o sujeito começa a negar que sua teoria tenha falhas. Ou ela é “científica” e as outras não o são, ou ela é perfeita e definitiva. Mais ou menos o contrário do que se propõe para a empreitada científica. Simplesmente: se você acha que sua teoria é definitiva, então deve investir apenas em divulgação ideológica (e não em desenvolvê-la já que não há porque desenvolvê-la).

Se fizermos um estudo empírico simples sobre isto no Brasil, o que será que encontraremos?

Tambosi tem toda razão. O silêncio que ecoa no Brasil diante de tanta arbitrariedade no país vizinho me lembra muito Chamberlain nos anos 30.

Cara difícil este…mas aqui está o blog dele.

Eis um artigo interessante sobre a microeconomia dos controles governamentais na Grécia antiga.

Meu amigo Marcus Xavier – conhecido na faculdade como “professor Xavier” – deve, realmente, ter poderes mutantes. Afinal, ele encontrou esta interessante base de dados de Comin e Hobijin. 

Confira que vale a pena. Quem gosta de História Econômica terá bons momentos com a planilha…

Após meses de louvor religioso de alguns quanto à Obama, eis que a casa cai: o homem comete gafes! Contagem regressiva para as camisetas do Obama com nariz de palhaço iniciada.

p.s. para ser coerente, aguardo também as camisas com o presidente da Silva com o mesmíssimo nariz de palhaçote.

A notícia é que o sr. da Silva perdeu pontos em popularidade. Mais uma vez constatamos que não importa o que ele diga ou deixe de dizer (eu até prefiro esta segunda alternativa), mas sim a economia. O povo não liga se ele afaga Fidel Castro ou os empresários da FIESP. O povo não se importa se ele justifica asilos para terroristas e fecha os olhos para invasões de terras.

O povo se importa, sim, com o próprio bolso. De pobretão a intelectual da USP, o que conta é o dinheiro no bolso. Até os que falam asneiras sobre o “horror econômico” e afins só querem saber de dinheiro no bolso.

É assim que interpreto os dados acima. Não adianta dizerem que é o mensalão, o uso da máquina para antecipar a campanha eleitoral, as safadezas dos meninos no avião da FAB ou a volta deste ou daquele quase-criminoso do mensalão à cena política. Não consigo enxergar nada disso. É, pura e simplesmente, a economia. 

Talvez uma correlação simples entre a popularidade de qualquer presidente (de uma banana a um sociólogo, passando por um sindicalista) e o crescimento econômico revele mais do que qualquer papo de politólogo de boteco. 

p.s. Pode-se supor que o povo é bocó em teoria econômica (e não distingue o cenário interno do externo) ou que o analista é que é bocó, pois o povo entende melhor do próprio bolso do que o analista (bocó).

http://www.dilbert.com/strips/comic/2009-03-20/

http://www.dilbert.com/strips/comic/2009-03-20/

A saga de um monopólio após a conquista do mercado pode resultar em desastre. Basta que o monopolista se esqueça que o que importa não é a concorrência efetiva apenas, mas também a concorrência potencial. 

No nível interno da firma, como explicar estas ineficiências? Não são os agentes racionais? São. Mas o que eles maximizam, exatamente? O gerente não é o empregado e vice-versa. Talvez este tenha sido um dos poucos insights bons de Marx em economia (na verdade, Adam Smith e Ricardo já haviam usado esta distinção entre “donos do capital” e “trabalhadores”, mas vamos satisfazer os nossos leitores mais religiosos).

Na empresa monopolita, portanto, podem ocorrer problemas internos. Panes aqui e ali transformam os incentivos de forma que o incentivo de participação e o de participação podem apontar em uma nova direção. Veja aqui um exemplo disto.

O problema do principal-agente (ou do agente-principal) está na raiz de muitos problemas que a administração de uma empresa revela no dia-a-dia.

Matamoros pode não ser unanimidade, mas discute economia de uma forma distinta do que normalmente se vê. Leia o que ele escreveu para entender porque a frase anterior é um elogio.

É um austríaco bem doente este pai que estuprou a filha. Mas pelo menos não jogou a culpa na sociedade (como se isso fosse vantagem…). Ler sobre este sujeito realmente não inspira os meus melhores sentimentos…

Ilan fala sobre a economia brasileira e sobre o bizarro termo acima citado. Termina seu artigo assim:

Em suma, a economia brasileira não conseguiu desacoplar-se do resto do mundo. A queda do PIB do final do ano passado foi severa e tem implicações sobre o crescimento deste ano. A “herança estatística” é uma queda adicional do PIB neste primeiro trimestre do ano e um carry negativo de 1,5% para o ano. Mesmo com uma recuperação saudável no segundo semestre deste ano, prevemos que a economia deva ainda retrair-se em 2009 um pouco além de 1%.

Será que ele tem razão? Tudo depende de como o PIB reage às crises e às políticas econômicas de curto prazo. Conversamos eu e o Erik (Moral Hazard) por alguns dias sobre o tema. Além disso, tenho feito várias observações aqui sobre o tema. Procure aí na caixa de buscas por “raiz unitária”. O debate, nos EUA, é bem mais rico do que aqui (basta acompanhar os blogs de acadêmicos de lá). Tem nosso PIB tal propriedade? Tentamos pensar sobre o tema, mas acho que o trabalho dele (citado aí em cima) parece ser o estudo mais atual sobre o problema. 

De qualquer forma, meus alunos de Econometria certamente ganharão muito se analisarem o problema. Eu, aliás, tenho pensado muito nisto.

Eis o melhor título que eu poderia colocar neste pequeno relato. Aliás, é tão absurdo que vou me remeter à breve explicação do Cristiano Costa. Ah, a pterodoxia…

Note este trecho:

Outra alternativa seria diminuir os impostos que incidem em outras aplicações financeiras mas não na poupança, como o Imposto de Renda, por exemplo. Mas esta alternativa reduz a receita federal, que já está mal das pernas.

Entendeu? Ao invés de uma boa reforma microeconômica, pró-concorrência, o presidente da Silva resolveu culpar o mercado e, de mansinho, promove uma mudança radical na poupança (calma que ainda não é um bloqueio da poupança como o dos anos 90…) privada porque, sabe como é, uma reforma na própria casa não foi feita nesta última década. Esta sim foi uma década perdida. Perdeu-se a chance de fazer reformas estruturais na economia (o máximo que fizeram foi escrever um documento sobre o assunto, lá na era do Pallocci) e promoveram um aumento dos gastos públicos que nos leva ao ponto em que estamos hoje.

Nos anos 80, críticos do governo militar diziam que os economistas do governo geraram uma dívida externa “irresponsável” porque não teriam – este é o termo – previsto corretamente o futuro (ou porque estavam em “marcha forçada”).

Os historiadores futuros da economia, aqueles não ligados ao sr. da Silva e seus aliados, terão um belo trabalho científico para explicar porque a administração da Silva aumentou seus gastos, gerou superávit, fez o maior drama por conta de uma CPMF (IPMF), dentre outras…

A Escolha Pública nos ensina que não é preciso ter uma ditadura para que o governo destrua a economia. As evidências empíricas, lamentavelmente, nunca me decepcionam.

Nosso co-fundador e sempre licenciado Leo foi atrás do amor (ha ha ha)…do seu amor. Detalhes aqui.

p.s. Sim, fico feliz por ambos.

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