fevereiro 2009


Com vocês, o texto. Já no Brasil, os supostos heterodoxos parecem se esquecer do velhinho…

Opinião similar, do Laurini.

p.s. Hélio me comunicou que não falaram em nome do IMB o que é bom, já que a instituição começou e se quer ser um bom think tank não pode se envolver em discussões com posturas mal-educadas. Meu ponto está feito. Vou ler Roger Garrison e Peter Boettke e continuar crítico em relação a qualquer semi-deus, seja ele Mises, Marx ou Friedman.

Nunca achei que fosse escrever isto. Quem me acompanha neste blog sabe que já fiz várias invocações aos bons jovens liberais brasileiros que, como eu, gostam de Hayek e alguns insights  da economia austríaca.

Falarei do ponto de vista da Teoria Econômica e o argumento, aqui, não é elaborado o suficiente para se dizer um artigo científico, ok? 

Primeiro, continuo a achar que os austríacos são a “heterodoxia ignorada” da academia brasileira. Sempre achei que havia um certo preconceito por conta do liberalismo inerente ao pensamento austríaco mas, após o tom de certas respostas que tive em uma discussão recente, lá no Ordem Livre, percebo outra deficiência dos auto-proclamados austríacos brasileiros.

Vamos a ela.

O que se segue, novamente, pretende ajudá-los a pensar sobre o próprio destino. Longe de mim dizer o que é bom para eles. Sou hayekiano: eles que descubram o que é melhor para si. Juliano, Joel e demais participantes da ala “educada do debate”, tomem isto como um palpite bem-intencionado e nada mais.

No debate em questão, um comentário muito infeliz foi: “apesar do Ph.D. o fulano disse algo que eu acho estúpido”. Em seguida, a afirmação com a qual concordo: “ph.d.’s estúpidos podem dar aula em Yale, Stanford, etc”. Concordo mesmo. Deve mesmo existir alguns Ph.d.’s estúpidos em Yale, George Mason, New York University, Stanford, Auburn University, Chicago, Boston, etc. 

Notou? A ironia do argumento é que sua defesa do obscurantismo leva à própria auto-destruição. Obviamente eu não acho que é estúpido um argumento que vai contra o que penso, mas para quem nisto acredita, que aceite o contra-argumento. 

Mas eu falava da fraqueza austríaca na academia. É certo que gosto do insight austríaco sobre o funcionamento do mercado e aprendi muito – mas muito mesmo – sobre economia austríaca com o pragmatismo de Peter Boettke, um sujeito realmente sério no que tange à promoção dos insights austríacos na academia.

Ainda que não concorde com tudo o que ele diz (não sou seguidor de religiões austríacas que se dedicam a interpretações do misticismo de algum economista austríaco, sou cientista), vejo em seus pupilos notáveis talentos com boas idéias, argumentos logicamente construídos e sem nenhum dogmatismo. 

Há no Brasil gente séria que estuda economista austríaca?

Há lá um Jorge Soromenho na USP que fala sobre Hayek e ciclos , e o Fábio Barbieri (não me lembro onde, mas também em SP) e, claro, nenhum deles nunca é citado pelos austríacos brasileiros (refir0-me aos que me cretinizaram na discussão). Por que será? Talvez porque tenham Ph.D (de fato, ambos são, pelo menos mestres, senão doutores, em economia). Ou será que os próprios bons economistas já perceberam a cretinice de certos debates? 

Os austríacos brasileiros prometem mas, por enquanto, não querem um debate científico. Não publicam no Review of Austrian Economics. Entendo que não queiram publicar na American Economic Review, ou nas nacionais como Economia Aplicada, Revista Brasileira de Economia, etc. Mas nem um único artigo no Journal of Libertarian Studies? E o Quarterly Journal of Austrian Economics? Nem um único artigo? O que será que falta para dar este passo? Talvez alguns queiram (acredito em gente séria, claro, como os sempre citados aqui), mas ainda lhes falte estudos (ou um…titulozinho de ph.d.?).

É este o ponto que tenho insistido em meus diálogos com os austríacos brasileiros. Reproduzir panfletagem norte-americana traduzida funciona até certo ponto. Gosto muito do Helio Beltrão Jr. e em respeito a ele vou dizer o que penso: é preciso escrever sobre a realidade nacional. Mas não é preciso apenas escrever. Não é só inverter o sinal de “A Causa Operária” e sair em passeata por aí. Precisamos de análises minimamente científicas. Ok, não precisa usar econometria, mas tem que fazer o trabalho de estatística básica com o mínimo de profissionalismo. 

Hélio não tem nada a ver com o debate, mas parece que foi de seu instituto, o Instituto Mises Brasil, que vieram os ataques “cretinos” aos Ph.D.s que fazem alguma crítica (ainda que tópica) a um único pensador austríaco. Se é uma posição oficial do Instituto, Hélio, boa sorte, mas, como dizem por aí, não conte comigo. Estou fora. 

Estou ao lado do austríaco brasileiro que deseja publicar seriamente. Talvez eu devesse dizer “para além da panfletagem” ou “por um movimento austríaco adulto no Brasil”. Quero ler gente que publique no nível de Peter Boettke, Daniel Klein, Roger Garrison, Peter Leeson. Não quero e não tolero o obscurantismo do economista austríaco brasileiro e de seus militantes seguidores que desejam apenas desfazer do estudo acadêmico que custou muito tempo e horas com a família para gente como os austríacos sérios nacionais que citei acima.  Quero ter o prazer de dialogar com gente que publica em periódico de gente grande, acadêmico, como os citados acima. 

Que tenham ou não gostado da referência de Mises no debate, neste momento, é algo que não me importa mais. Creio que as ponderações (as educadas, digo) dos debatedores me ajudaram bastante. As outras me convenceram: quero mais é continuar aproveitando o que eu achar útil nos escritos austríacos. Ou seja, não sou um economista austríaco brasileiro médio e nunca serei. E agradeço a Hayek por isso. Minha ignorância ainda me motiva a seguir em frente. 

Para este post, leitor, não abriremos comentários. Agradeço sua atenção e compreensão.

Hoje tive uma visita de dois alunos que me perguntaram por bolsas de pesquisa. Infelizmente não temos bolsas, mas eles não queriam dinheiro, mas sim a chance de pesquisar. Fato raro, penso, este de gente que deseja pesquisar e entender um pouco mais do que estuda. Fiquei feliz.

Além disso, aprendi um pouco mais sobre Mises hoje, em um debate no qual até agressões apareceram (lembrei-me porque parei de discutir em grupos e listas de discussão). Aprendi tanto sobre o que Mises escreveu quanto também sobre como o liberalismo brasileiro ainda está longe de ser compreendido (embora muita gente o idolatre, como um socialismo de sinal invertido).

Alguns poderiam pensar que fiquei chateado mas, desta vez, fiquei feliz. Conheci um pouco mais dos leitores do Ordem Livre. Gente que, quase sempre anônima, frequenta este excelente site, deu as caras por lá para me ajudar a refinar meu pensamento (sem falar no sempre ponderado Joel que passou por aqui hoje, em meio ao debate). 

O liberalismo é assim: não é uma obra pronta. Vive da construção (sou hayekiano) e, creio, sou bem menos a favor do uso da violência do que pensava. Ou será que estão quase me convencendo a comprar um revólver e atirar em quem eu achar que queira me escravizar? 

Não sei. Mas, leitor, este dia foi cansativo. Muito. E olha que ainda assim, eu digo para você, foi um bom dia.

Portanto, agora, boa noite.

Duvida? Leia aqui. O interessante do trecho – inacreditável – escrito por Mises é que, além de ele convenientemente tê-lo suprimido em edições posteriores de seu principal livro, é que ele ou nos abre uma nova linha de pesquisa sobre “o uso da violência para garantir a liberdade” (lembra alguma cartilha de esquerda?) ou então nos permite algo mais singelo: perceber que não existe intelectual acima dos seres humanos.

Aliás, esta foi sempre minha crítica a alguns austríacos radicais. Pelo seu próprio bem e, claro, o meu. Afinal, eu não concordo com tudo o que Mises diz. Será que vão lutar até a morte por isto?

p.s. depois cito uma crítica de Lachmann a Mises para não deixar os amigos (e inimigos) austríacos chateados (ou felizes?).

Fábio Pesavento está na linha final de montagem. Ah sim, ele trabalha com história econômica.

Robin Hanson, novamente, mandando bem. Desta vez, explicando propaganda e emoções em um um modelo simples de sinalização. Aliás, este último é um clássico exemplo de como diplomas podem ser apenas pedaços de papel.

Trecho de mais uma certeira do Marcelo:

Há cinco anos, muito a contragosto, a Câmara dos Deputados topou começar a divulgar os gastos totais com verba indenizatória. Nuncatopou divulgar nota por nota quanto nossos representantes gastam com esses, hoje, R$ 16.500 mensais. Teve uma ajudinha nisso da parte do ministro do STF Celso de Mello, que voltou atrás numa liminar que ele próprio concedera.

Pois agora, graças ao recém-renunciado corregedor castelão, quegastou um monte de verba indenizatória pra pagar serviços de segurança (sendo que ELE tem uma empresa de segurança), a coisa ficou feia. Com o vexame, primeiro cogitou-se divulgar só as do Edmar, mas ficaria mais feio ainda. Agora, a Mesa Diretora decidiu passar a abrir todos os gastos. Sob a sombra do vexame, Milton Temer teve uma epifania:

    – A transparência é importante em face do princípio constitucional da publicidade

Perceba: a Constituição foi editada em 1988. Temer foi um dos constituintes. Ele também já havia sido presidente da Câmara entre 1997 e 2000. Só agora, 21 anos após a Constituição e 12 anos após seu primeiro mandato como presidente, ele chegou a essa conclusão no tocante aos gastos com verbas indenizatórias. 

Leia tudo aqui.

Excelente artigo de P.J.O’Rourke sobre as bobagens que se diz por aí. Trecho:

The free market is dead. It was killed by the Bolshevik Revolution, fascist dirigisme, Keynesianism, the Great Depression, the second world war economic controls, the Labour party victory of 1945, Keynesianism again, the Arab oil embargo, Anthony Giddens’s “third way” and the current financial crisis. The free market has died at least 10 times in the past century. And whenever the market expires people want to know what Adam Smith would say. It is a moment of, “Hello, God, how’s my atheism going?”

Amazing!

O poder de monopólio não depende da administração da cantina, mas sim de baixo grau de competição efetiva ou potencial.

Discutimos hoje, em sala, um pouco de econometria aplicada. O problema foi: “como se mede o produto potencial”? 

Gosto desta questão porque ela introduz o aluno no mundo real da econometria aplicada à macroeconomia com uma imensa riqueza de questões interessantes. Pois bem, vários alunos sugeriram que se medisse este importante conceito por meio de algum tipo de censo, a velha história do “vamos medir a capacidade instalada”. 

Fato é que o produto potencial é algo difícil de se medir – com aquela certeza que gostaríamos – mas não impossível. Meu ex-aluno Victor Tito fez isto em sua monografia de graduação e, claro, há muito o que se fazer nesta área se você gosta mais de econometria do que a média dos seus colegas inteligentes (e mais ainda do que o resto). Não é desencorajar, mas o tema é tão trabalhado que fica difícil dar uma resposta do tipo: “ah, é tranquilo, pesquisa aí que sai fácil, fácil…”. Não é.

Mas há que se pensar em novos métodos. Eu gosto, por exemplo, de abordagens como esta, da fronteira estocástica. Será que sai daí alguma medida de produto potencial? Sei não…mas lembre-se deste artigo que, creio, já citei aqui.

Eu já falei que, em termos didáticos, Renato, do Nepom, tem feito um ótimo trabalho em seu blog? Com minha carga horária tomada pelas aulas – e seus exóticos componenetes, eu incluso – tenho tido pouco tempo este semestre. Por isto este blog está algo mais lento. 

Entretanto, há toda uma nascente blogosfera de bons alunos de economia que têm tornado meus dias de rabugice bem menos ranzinzas (e, como diria o S., sorumbáticos…).

Afro-descendentes e racistas.  Bem, racismo nunca foi monopólio de alemães (e pintores austríacos medíocres), né gente?

Muito se aprende sobre os funcionamentos dos mercados de uma época quando se estuda a história e a geografia. Ok, chamamos isto de história econômica hoje em dia. O mais bacana é achar mapas e descrições antigas, hoje, disponíveis. 

Embora o foco principal do blogueiro não seja a economia, seu post vale muito a pena.

Bom resumo dos tipos de propaganda por Robin Hanson.

Você sabia…

  • que em 1917 o governo estabeleceu um teto para a taxa de juros de 6% ao ano?
  • que em 1933, a ditadura Vargas estabeleceu que o teto para a taxa de juros não poderia ser ultrapassado (e seria de 12% ao ano).

Ou seja, nem sempre seguimos uma ordem do tipo “múltiplos de cinco”. 

p.s. a pergunta é: por que era 6% ao ano, inicialmente? Com a palavra, os historiadores sérios de economia…

Excelente clássico da música japonesa, Ringo Oiwake, da sensacional Misora Hibari, nas vozes de Jero e Uzaki.

Divertido momento da realidade…aqui.

Se é indescritível, como o Laurini escreveu o post? Piadas à parte, vale a leitura. (ih…usei a crase. Será que o governo vai mandar me prender?)

p.s. isto é que é blog para interessados em matemática.

Eis o que Keynes realmente disse sobre gastos em infra-estrutura e redução de impostos. Gostou? Agora veja esta bela entrevista com Robert Barro no qual, dentre outras, ele coloca os maus hábitos de Paul Krugman no devido lugar.

Xará me pôs numa fria: o meme dos seis segredos. Sei que ele não fez por mal, mas…aí vai.

1) Socialismo: eu acreditei.

2) Tentei escrever contos quando era adolescente. Nunca saíram da gaveta.

3) Nunca peguei mulher em festa.

4) Minha primeira dúvida profissional era entre História, Jornalismo e Economia. 

5) Vi cada coisa na administração de algumas universidades que me chocaram.

6) Já li Sartre, mas talentoso mesmo eram Camus (literatura) e Aron (o alter-ego “do bem” do caolho safado).

Na fila: Philipe, Igor, Sachsida e Ronald. Compreenderei se não gostarem.

Os eleitores brasileiros vêem o presidente como um Napoleão-Bismarck-De-Gaulle moderno. Um gato de botas, por assim dizer. Já o mundo vê o Brasil – com seu presidente e eleitores – de maneira não tão ufanista assim…

A vida é assim. Pode-se enganar alguns por algum tempo, mas não a todos por muito tempo…

Como paraninfo da turma do segundo semestre de 2009, busquei fazer um discurso que agradasse à turma. Aí vai o soneto.

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