fevereiro 2009


Entre a revisão de um artigo, um aluno com dúvidas e uma monitora com dúvidas existenciais, dou uma pausa e rio um pouco pensando…na gente mesmo.

Roger Congleton está com um texto para discussão interessante, sobre o tema.

Interessante comentário do Fábio.

As FARC, agora, também promovem assassinatos de índios. Onde está aquele pessoal de sempre?

Pois é. Parece piada, mas não é. Aqui e aqui.

Este artigo é interessante e mostra como é importante (reprimir) a participação estudantil (livre) em um determinado tipo de democracia latino-americana que, diz-se, é muito bom para a saúde (de quem manda).

Pois é. Lá, o ministro cai. Quando se fala de instituições e desenvolvimento econômico, um dos pontos sempre destacado é o papel do sistema legal. Não é questão apenas de ter um sistema legal que funcione. Cuba tem um excelente. Coréia do Norte também. 

A questão é um sistema legal que funcione para que haja promoção do desenvolvimento econômico. Esta, como várias, não é uma questão que seja óbvia – como querem alguns – e nem simples. Basta ver a quantidade de estudos e polêmicas de alto nível nesta área de pesquisa. 

Mas não deixa de ser engraçado pensar que, no Brasil, um presidente valorize a falta de cultura e a informalidade nos discursos enquanto que, em outro, um ministro “só porque bebeu”, perca o cargo. Não é moralismo: é um sinal de algo mais importante.

  

 

From Drop Box

“À Venezuela e aos povos da América Latina foi imposto um sistema de rotação de governos tão acelerada que era impossível surgir um projeto nacional de longo prazo. Agora, na Venezuela, derrubamos essas limitações. Aqui construiremos a Venezuela potência, em longo prazo.”

A ciência política e a historiografia têm muito a nos dizer sobre a sapiciência de tais frases, não?

A AMDE está de blog novo. Digo, agora ela tem um blog. Vale a pena visitá-lo.

Enquanto o setor privado resistiu, a classe política entrou de cabeça no racismo de Jim Crow. Estudo sério de História Econômica de Jeniffer Roback.

p.s. a sra. Roback tem também um interessante resumo dos aspectos econômicos do pensamento…de George Orwell.

Nos anos 90 eu aprendi muito em debates na Armchair Ecoomist e na Econlaw, ambas da George Mason University. Também arrisquei outras listas, mas parei no dia em que me deparei com uma mensagem que dizia (paráfrase, claro) que: “todo marxista tem deformações mentais permanentes”. 

Como antigo leitor que, sim, leu muito mais Marx do que a média da turma, interessando-se por temas não-econômicos do mesmo, notei que jamais poderia voltar a este diálogo. O motivo? As deformações mentais. Só não creio que sejam as minhas. Mas, claro, a frase acima mostra que posso estar errado.

Isso foi lá nos anos 90. Então, há motivos para se participar de listas hoje em dia? Acho que sim. Você sempre encontra um antigo amigo ou se atualiza sobre os fatos. Além disso, claro, é uma boa oportunidade de obter alguma boa referência quando o debate é de bom nível.

Mas, falar com quem não vejo (como em comentários de blogs, esta derivada das listas), isto é difícil. Minha política será, a partir de hoje, a de muitos blogueiros amigos: os comentaristas que falem sozinhos entre si, após lerem o que escrevo. Se eu me interessar, comento.

Discretamente, sem citar o nome, vou dizer o seguinte. Por duas vezes trabalhei com ela no setor público. A pessoa é de uma competência só. Exceção no mar de lama do corpo-mole que é o Estado brasileiro. Posição política diametralmente oposta à minha, nunca se deixou levar por ideologias e deve ter sido a primeira pessoa a saber de minha admiração pelos filmes de John Woo na fase Hong Kong. 

Agora se aposenta, contam-me alguns ex-alunos (que são alguns dos meus atuais amigos mais inteligentes). 

Aposentada, penso, deixará um imenso fosso onde trabalhou. Não a vejo há algum tempo, mas aposto que todos a encontrarão nestas salas de cinema com os terríveis “filmes de arte” de BH. Minha fase “culta” de cinema não existe mais – exceto por um ou outro Ozu e Kurosawa – mas minha amiga certamente estará lá, marcando presença naqueles filmes franceses que ela diz serem geniais e eu abomino.

O bom da história é que vai descansar um bocado. Agora, pode apostar, a repartição na qual trabalha vai ter muto trabalho porque minha amiga era muito, mas muito acima da média…

Plasmonics? Queria saber o que o pessoal da Vetta pensa sobre isto.

p.s. veja também esta visão muito mais interessante (do que as que vejo geralmente na selva brasileira) de marketing.

Dica do Philipe:

Um estudante americano de nove anos de idade lançou um guia com dicas para conquistar garotas que já está na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times .

Alec Greven, do Estado do Colorado, diz que a ideia de escrever o livro, intitulado How to Talk to Girls (“Como Conversar Com Garotas”, em tradução livre), começou como um projeto para a escola.

“Eu apenas observava no parquinho (da escola) como os meninos faziam besteira e os erros que eles cometiam”, diz Greven.

(…)
A BBC convidou Greven a demonstrar sua técnica de conversa com Kristina Sorge, de 22 anos, da Califórnia.

(…)

“Acho que ele foi muito bem. Os conselhos são ótimos. Ele só precisa crescer uns dez anos”, avaliou Kristina.

(…)

Em outras palavras, até a menina de 22 anos caiu na conversa mole do garoto. Vai para a galeria dos “ídolos do Movimento Machão Mineiro”…

Nos idos dos bons anos 90, fizemos por aqui um Proer. Ronald Hillbrecht o explicou bem em seu livro-texto de Economia Monetária. Apesar disso, muita gente usou o Proer como um ponto imbecil em debates políticos. Seria aquilo um socorro caríssimo para os bancos? Calma lá…

O custo do Proer, em termos do PIB, é um dos menores do mundo (onde está meu exemplar não-autografado do livro do Ronald?) e estamos onde estamos hoje, ceteris paribus, também por conta do Proer. 

Agora, e quanto ao Proer do Obama? Funcionará? O pós-keynesiano Leijonhufvud tem sérias dúvidas quanto aos gastos que seu governo pretende gerar para, supostamente, sanar a economia.

Cristiano está chamando a atenção, já há alguns dias, para este incentivo proposto pela administração Obama diante da crise atual. Com sua licença, reproduzimos o trecho:

Já escrevi aqui sobre a idéia do limite de salários aos executivos do setor financeiro dos bancos que pegarem o dinheiro do contribuite americano emprestado. 

Algumas pessoas do setor acreditam que isso vai causar o chamado Brain Drain. Ou seja, uma fuga de cérebros dos bancos que receberem o dinheiro para os que não tomarem empréstimo do governo (Leia AQUI).

Bem, existem duas possibilidades. Primeira, esses caras apesar de serem os experts da área foram pegos de surpresa e o banco deles faliu. Segunda, esses caras não eram tão inteligentes assim e o banco acabou falindo.

Em ambos os casos eu perguntaria: Por que um banco que não precisa do dinheiro do governo demitiria um funcionário/executivo que conseguiu manter o banco equilibrado até agora para contratar um que era executivo de um banco que está mal das pernas?

Parece-me que a idéia do limite diz respeito ao fato de o banco usar dinheiro público. É o que entendo do trecho acima. Pode não funcionar? Pode. Penso um pouco no caso brasileiro. Muitos órgãos públicos funcionam mal e porcamente por conta dos incentivos que se baseiam na mesma justificativa. Salário de funcionário público, a priori, vem na divulgação do concurso e jamais ultrapassará certo teto. 

Isto, em si, já causaria o “brain drain”. 

Não sei bem se é o caso do que propõe a administração Obama, mas se for, há um sério risco de que o pior aconteça. Alguém tem mais detalhes sobre a proposta?

Imagem positiva
Faltou comentar esta outra ironia no post anterior: muçulmano moderado que criou canal de TV nos EUA com a idéia de acabar com os clichês que sempre ligam o islã ao terrorismo, ao sexismo e à violência e queria promover, segundo suas próprias palavras, uma “imagem mais positiva dos muçulmanos e do Islã” foi preso – após ter decapitado a sua mulher. Segundo seus advogados, não tem nada a ver com o islã, ele apenas “perdeu a cabeça”. Ou melhor, foi a mulher pobre quem a perdeu.

Dica do Mr. X. Parece piada, mas não é…

Selva Brasilis descobriu mais uma: o BID não fez seu dever de casa. O que mostra que não é a “construção” de organismos multilaterais a opção “salvadora” para a economia global. Nem sempre o multilateralismo funciona. Depende das características da sociedade (economia e política, para começar). 

Posto isto, nada de posições absolutas do tipo: só o multilateralismo salva, ok? 

Lição #1 para cientistas – duvide de tudo (inclusive da lição #1).

Lição #2 para cientistas – após #1, comece a pensar em testar o que diz, empiricamente, de alguma forma. 

Claro que daí para frente é com você. Boa sorte.

É um palhaço mesmo…

Ronald dá uma bela aula sobre law and economics aplicada a um problema brasileiro polêmico.

Meu xará, em momento pessimista. Além disso, cansou da superficialidade de muitos colegas.

Hoje nosso NEPOM ganhou mais dois adeptos. É o grupo de estudantes dedicados à análise econômica que “mais cresce no Brasil”. Aposto. 

Todo aluno que busca sair do obscurantismo tem seu lugar em nosso grupo. Há muito doutor em economia ruim mas, pior mesmo, é o cara que, sem o doutorado, desfaz dos estudos por – creio – pura inveja. Não no NEPOM. Ali temos boas cabeças pensantes. Alunos os mais diversos, tentando aprender a fazer economia. 

Longe do dogmatismo, perto da realização pessoal (pareço até o Renato do Nepom falando…).

Bem-vindos Pedro e Natália. A pilha de trabalhos de vocês é aquela ali, à direita. Não, esta. Sim, a mais alta. O que? Não, agora já assinaram o contrato…

Bom final de semana a todos.

Genial! Selva (o mais selvagem crítico que já vi) entrevista Adolfo (o mais selvagem crítico que já vi…também).

Leo Monasterio tem uma interessante dica sobre como frases aparentemente óbvias não o são quando se as estuda. Muita gente afirma peremptoriamente que isto ou aquilo é óbvio. Gente assim morre antes de aprender as consoantes porque, se tudo é óbvio…

No caso de teologia, talvez isto não seja bem assim, mas em estudos históricos (não-teológicos) sobre desenvolvimento econômico, é importante olhar bem os dados e saber trabalhar estatisticamente com eles.

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