janeiro 2009


Excelente motivação, esta aqui.

Ok, estou em um dia de “mensagens edificantes para a geração do futuro”. Então, para você que está aí, chateadinho(a) com a sua monografia, tenso(a), ansioso(a), ouça isto. Se você não sabe, talvez entenda por imagens ou mesmo por tradução. Se quiser saber mais sobre a compositora e cantora, veja isto.

Nunca se desiste de um tema porque ele é difícil. Isso é covardia. Você só desiste se não gosta do tema. Fica aí a mensagem de otimismo para vocês.

p.s. eventualmente os (as) amigos (as) adolescentes também curtirão este vídeo.

Quando os bolivarianos do MST invadiram e destruíram um laboratório de pesquisa transgênica, eu avisei aqui: isto nada mais é que competição econômica usando a violência (no caso, com anuência de muitas autoridades públicas). Agora, após ler isto, eu só reforço minha opinião.

p.s. por falar em hipocrisia da esquerda bolivariana (a mesma que pintou as caras e foi às ruas contra a corrupção na era Collor), leia isto.

Surgiu a Associação Mineira de Direito e Economia. Só faltam os economistas, pelo que vi no quadro de sócios-fundadores. Pelo conteúdo da “biblioteca”, no site, já perdi as esperanças: nada sobre Coase, North ou mesmo manuais como os de Robert Cooter ou de David Friedman.

Haverá esperança?

A jornalista Luciane Lisboa, do “Diário do Comércio”, de Minas Gerais, conversou comigo e, de suas anotações, escreveu matéria sobre o corte dos juros. Este tipo de confusão é muito perigoso mas há quem diga que não vale a pena pedir uma nota no jornal porque “ninguém lê” ou porque “dá trabalho e o jornalista fica ofendido”.

Já eu prefiro ser bem claro e desfazer mal-entendidos. Acho um desserviço ao público que lê jornais não ter direito à correção de eventuais erros cometidos. Acredito firmemente na boa fé dos jornalistas e na sua humanidade já que, como eu, também erram.

Mas vamos ao caso. Em determinado trecho da matéria citam-me assim:

Para o coordenador do Núcleo de Estudos de Política Monetária da Faculdade Ibmec (NEPOM), o professor Cláudio Shikida, as motivações que levaram o Banco Central a tomar tal atitude foi (sic), principalmente, o fato de a inflação não ser mais um perigo iminente na economia brasileira e a necessidade de manter a economia brasileira aquecida.

“A atividade econômica no país tem caído muito e a crise já está afetando a cadeia produtiva. Por outro lado, a inflação está baixa, ficou perto da meta. Dessa forma, o governo pode reduzir a taxa com menos riscos de que a inflação volte a subir, disse”.

Em outro trecho fui citado corretamente. Mas o trecho acima está errado. Provavelmente ela se confundiu com suas notas já que entrevistou mais gente. Primeiro, eu não disse que a inflação não é um perigo. Entendo que o Banco Central queira trabalhar com o hiato do produto e com o hiato de inflação de maneira inteligente. Agora, o trecho entre aspas não faz sentido. Eu disse que os efeitos na cadeia produtiva são incertos (no mesmo dia que conversei com a repórter, publiquei isto, dizendo quase o oposto do que está escrito entre aspas no que tange à cadeia produtiva). Também não disse nada sobre a inflação estar alta ou baixa. Eu disse, isto sim, que o Banco Central mostrou se preocupar mais com a atividade econômica do que com a inflação.

Provavelmente foi um mal-entendido e fica aqui esta nota para quem quer que se interesse realmente pelo que os membros do NEPOM têm dito por aí. Recomendo fortemente a leitura do artigo no Millenium cujo link coloquei acima para evitar mal-entendidos.

Por prezar pela boa imprensa é que publico esta nota. Mal-entendidos devem ser sempre corrigidos para o bem do repórter e do entrevistado.

p.s. Não tenho acesso livre, mas a matéria original está aqui.

Reproduzo por inteiro, direto do Laurini:

O caso Luzin

Ontem ocorria uma animada discussão sobre o processo de revisão do Qualis, e um dos pontos era qual a pontuação que deveriam receber as revistas nacionais. Um ponto era que revistas nacionais eram supervalorizadas no Qualis atual, e o ponto contrário era que revistas nacionais desempenham um papel importante ao permitir a comunicação e discussão de alguns tópicos de interesse apenas local. Uma discussão muito importante.
Depois da discussão lembrei de um caso famoso na matemática :

The Luzin affair of 1936

On November 21, 1930 the declaration of the “initiative group” of the Moscow Mathematical Society which consisted of former Luzin’s students Lazar Lyusternik and Lev Shnirelman along with Alexander Gelfond and Lev Pontryagin claimed that “there appeared active counter-revolutionaries among mathematicians.” Some of these mathematicians were pointed out, including the advisor of Luzin, Dimitri Egorov. In September 1930, Dmitri Egorov was arrested on the basis of his religious beliefs and died in 1931. After his arrest he left the position of the director of the Moscow Mathematical Society and after him the director became Ernst Kolman. As a result, Luzin left the Moscow Mathematical Society and Moscow State University. In 1931, Ernst Kolman made the first complaint against Luzin.

In July-August 1936 Luzin was criticised in Pravda in a series of anonymous articles. It was alleged that he published “would-be scientific papers,” “felt no shame in declaring the discoveries of his students to be his own achievements,” stood close to the ideology of the “black hundreds”, orthodoxy, and monarchy “fascist-type modernized but slightly.” Luzin was claimed at a special trial of a Commission of the Academy of Sciences of the USSR which endorsed all accusations of Luzin as an enemy under the mask of a Soviet citizen. One of the complaints was that he published his major results in foreign journals. The method of political insinuations and slander was used against the old Muscovite professorship many years before the article in Pravda.

The political offensive against Luzin was launched not only by Stalin‘s repressive ideological authorities but also by a group of Luzin’s students headed by Pavel Alexandrov. Although the Commission convicted Luzin, he was neither expelled from the Academy nor arrested. There has been some speculation about why his punishment was so much milder than that of most people condemned at that time, but the reason for this does not seem to be known for certain. However, he was never rehabilitated even after the death of Stalin[4] [5].

Ter publicações internacionais já foi um ato de traição.

posted by Márcio Laurini at 2:05 PM

Muito cuidado com o discurso de que “falta humanismo (ou “função social”) para economia, peugeot 206 ou uma furadeira. O final, ensina-nos a história (a mesma “história” que geralmente usam para justificar a tal “função social”) é sempre o mesmo. Laurini prestou um serviço à blogosfera hoje. Quem leu este post e não sabia destas histórias do uso pterodoxo-bolivariano da ciência, aprendeu mais uma.

p.s. eu mesmo já falei disso aqui várias vezes, mas esta história foi genial.

Alberto Dines e Mino Carta em franca agressão verbal? Julgue você mesmo.

Novo ejournal. Pena que começa com artigos já lidos exceto, creio, o último deles……….o que me lembra minha eterna crítica aos austríacos radicais: não produzem nada de novo, apenas reciclam antigos pensadores. Isto não é uma boa prática, seja para libertários, austríacos ou qualquer um.

Se você quer publicar novamente um artigo antigo clássico de alguém crie logo uma biblioteca virtual com os seus “clássicos”. Journal é para novos artigos, reflexões de autores que fazem acontecer. Deixe os mortos com sua honra para a posteridade…

No mais, tomara que tenha futuro este “Libertarian Papers”.

Veja só a solução para a febre: tomar o remédio vinte vezes ao dia, ao invés de seguir a bula.

Renato vai adorar isto…

A blogosfera séria de economia (a blogosfera não-pterodoxa e não-bolivariana, portanto) realmente tem dado um show de bola nesta história da crise mundial e da taxa de juros. Procure na barra lateral pelos blogs: A outra face da moeda, Escolhas e Consequências, A mão visível, Cristiano Costa e The Duke of Hazard, por exemplo. Claro que convido a todos para o blog do NEPOM no qual, pelo menos um dos membros deste agradável grupo de alunos, o Renato, tem feito um notável esforço de compreensão da realidade econômica.

p.s. recebi uma bonita homenagem do Cristiano Gomes, um ex-aluno. Eu tenho certo orgulho destes elogios, claro, mas no caso dele, eu gostei porque ele me acompanha desde a época em que eu contava histórias na internet antes da existência dos blogs. Obrigado, Cristiano!

An experimental investigation of Hobbesian jungles
Benjamin Powell a,∗, Bart J. Wilson b,1

Abstract
Hobbes’s state of nature serves as the analytical starting point for much of what economists have written on anarchy and the formation of government. Unfortunately little historical evidence exists about how men behaved in a “state of nature”, if such a situation ever even existed. We conducted a laboratory experiment to create a Hobbesian state of nature and observe the level of economic efficiency subjects achieve. We also investigate Buchanan’s conjecture that people would unanimously agree to a social contract against theft.

A página do prof. Powell tem mais detalhes sobre o artigo. Leia também esta excelente resenha sobre a Escolha Pública e a Anarquia.

Na recessão dos anos 80, “Love Machine”, do grupo Morning Musume foi uma mensagem de otimismo. No ano da crise, “Hi wa Mata Noboru” (algo como: “o sol ainda nasce”, “o sol nasce amanhã”, etc) dos grupos Aladin e Pabo tem o mesmo significado: levantar o astral da população diante da crise.

Acho interessante esta reflexão cultural dos fenômenos econômicos. Mas…como sou analfabeto em música brasileira, pergunto: há algo similar aqui?

Distress in European Banks: An Analysis Based on a New Dataset

Author/Editor: Poghosyan, Tigran | Cihák, Martin

Summary: The global financial crisis has highlighted the importance of early identification of weak banks: when problems are identified late, solutions are much more costly. Until recently, Europe has seen only a small number of outright bank failures, which made the estimation of early warning models for bank supervision very difficult. This paper presents a unique database of individual bank distress across the European Union from mid-1990s to 2008. Using this data set, we analyze the causes of banking distress in Europe. We identify a set of indicators and thresholds that can help to distinguish sound banks from those vulnerable to financial distress.

Meus pensamentos sobre isto.

p.s. mais sobre a crise aqui.

The political economy of IMF forecasts
Axel Dreher · Silvia Marchesi · James Raymond Vreeland

Abstract We investigate the political economy of IMF forecasts with data for 157 countries (1999–2005). Generally, we find evidence of forecast bias in growth and inflation. Specifically, we find that countries voting with the United States in the UN General Assembly receive lower inflation forecasts as domestic elections approach. Countries with large loans outstanding from the IMF also receive lower inflation forecasts, suggesting that the IMF engages in “defensive forecasting.” Finally, countries with fixed exchange rate regimes receive lower inflation forecasts, suggesting the IMF desires to preserve stability as inflation can have detrimental effects under such an exchange rate regime.

Se você for ao Google, talvez ache versões anteriores do artigo.

Agora, por que parar no FMI? Não será que outros órgãos públicos tendem a puxar sardinha para seus pagadores, os governos? Comentários?

Alex bate com elegância e derruba o credo pterodoxo em sua versão heterodoxa.

A análise do NEPOM sobre o que o Copom fará hoje está no ar… aqui. Embora em férias, Renato (sim, o mesmo da Outra Face) trabalhou muito nisto. Pedro Econometricum está tentando “ser gente” em um curso de férias no IMPA e não pôde ajudar muito. Mesmo assim, deu um empurrão no final. O resto do pessoal, bem, estão em merecidas férias.

Quando voltarem, creio, estaremos com o time completo e com possibilidades maiores de análise. Planejo alguns grupos de trabalho com temas específicos que têm surgido dos comentários no blog e em mensagens de amigos e colegas da área.

Você gostou do trabalho do pessoal do Nepom? Comentários abertos.

Talvez o mais científico dos journals. Confere lá que vale muito a pena.

Governmentium.

MOI confirms vouchers may be missing

By Loa Iok-sin, Flora Wang, Shih Hsiu-chuan and Ko Shu-ling
STAFF REPORTERS
Wednesday, Jan 21, 2009, Page 1

The Ministry of the Interior (MOI) yesterday reiterated that an unknown number of consumer vouchers may have gone missing because of administrative errors at collection centers, but said the exact number was unclear and it had not decided what action to take.

The ministry’s statement came after the Chinese-language Liberty Times (the Taipei Times’ sister newspaper) reported yesterday that nearly NT$11 million (US$327,000) in vouchers may have been mistakenly distributed.

On Sunday, the government issued vouchers worth NT$3,600 to eligible citizens and residents as part of plans to boost domestic consumption.

“Figures returned from voucher collection centers on Jan. 18 showed that some vouchers had gone missing, but so far, we’re not sure about the exact number,” Deputy Minister of the Interior Chien Tai-lang (簡太郎) told reporters at the ministry’s year-end press conference.

Leia mais aqui.

http://www.c-avolio.com/uploaded_images/foto_obama.jpg

http://www.c-avolio.com/uploaded_images/foto_obama.jpg

Dica do xará.

Este vai na íntegra:

O mais poderoso do Planeta?

Enquanto preparava o molho a bolonhesa para meu almoço de hoje estava pensando numa expressão que normalmente ouvimos por aqui, associada ao presidente dos Estados Unidos: “o homem mais poderoso do Planeta.”

Esta expressão nunca esteve tão longe da verdade.

Eu até chegaria a dizer que, individualmente falando, Chavez, Mugabe e Lula – este com suas Medidas Provisórias – têm muito mais poder para impor suas vontades e caprichos aos cidadãos dos seus países do que George Bush ao povo americano.

Enquanto a atuação do presidente americano é estritamente limitada pelo Congresso e seu poder limitado pela Constituição, por aqui as medidas provisórias abundam, inclusive criando canais de TV e todo tipo de coisa “urgente”. Basta uma canetada e pimba! TV Brasil criada. Outra canetada e pimba! Centenas de milhões liberados para empresas em dificuldades.

Há algo verdadeiro na queixa do xará. Só se fala em “poder” nuclear. Mas em termos de causar estragos, maus governos são muito mais poderosos fora dos EUA. Saddam fez o diabo com pessoas. Malucos fanáticos no Irã vão à prostíbulos e condenam a liberdade sexual dos jovens. Militantes da esquerda bolivariana passaram anos nas selvas da Colômbia plantando cocaína para uso ilegal e aprisionando gente inocente.

Por que é mesmo que uma boa constituição é como cêra nos ouvidos de Ulisses e por que isto é a perfeita metáfora de como se contém o poder ditatorial de grupos de interesse sobre outros?

Ahá…

Guarde este nome, leitor. Thomas Kang, mestrando da FEA-USP, tem desenvolvido excelente trabalho em história econômica sob orientação do famigerado Renato Colistete. Acabei de ler um texto seu (do Thomas) e já adianto, a safra nova de historiadores econômicos é muito boa.

Também vale citar, novamente, sua crítica ao autismo que grassa a historiografia econômica brasileira: muita idolatria, pouca atualização. Há muita gente boa em circulação que precisa ser mais lida e debatida em seus trabalhos: Renato Marcondes e Fábio Pesavento, por exemplo. Não conheço, mas aprecio o trabalho: Cláudia Caputo e Hildete Pereira. Outro cuja tese, agora, está online, é Gustavo Franco.

Só aqui na blogosfera. Duke e Renato.

Well, I think so. ^_^

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