Quarta-feira, Setembro 3rd, 2008


Eis o melhor exemplo de que, neste país, rent-seeking vale mais do que mérito. O sujeito ganha uma medalha de ouro, critica a burocracia cuba..digo, brasileira, e leva uma bronca. Mais ainda, a bronca é tamanha que o sujeito se curva e se humilha

Chega a ser nazista a história: falou contra o governo, a Gestapo vem em bate. Ou, na moderna versão bolivariana, você fala mal de Castro e tem a ração cortada. Claro, há também o temível efeito bolivariano na versão chavista cujo presidente sabe, exatamente, quem é opositor por conta de uma safadíssima lista de opositores que o governo obteve em um referendo (ou plebiscito, sei lá)

Agora, a pergunta máxima: o que diria Celso Furtado disto tudo?

Já está decidido: meu próximo livro de ficção será sobre o processo de criação em monografias de graduação. Há muitas histórias engraçadas para contar (e há muito sentido econômico em cada uma delas). 

Vejamos quando teremos algo novo.

The real question, however, is the opposite: If I’m not old enough to drink, why am I old enough to die for this country?

Se eu não sei beber, porque é que eu posso votar? O voto pode gerar eleições ruins com consequências terríveis como a implamentação de más políticas para mim e para os outros (ou para os outros apenas). Estas políticas podem até resultar na emergência de uma ditadura, como vimos na Alemanha nazista. 

Proponho, assim, a proibição do direito ao voto para aqueles que bebem e dirigem. Também proponho a proibição do direito ao voto para os que tomam remédios e dirigem. Claro, os que estão obesos também devem ser proibidos de votar. Afinal, não conseguem nem se enquadrar nos padrões de saúde determinados pelos políticos da área de saúde!

Mais ainda, gente que estaciona o carro na calçada também não deveria votar. Gente que atravessa fora da faixa, idem. Obviamente, o povo que não tira média na escola também não deveria votar. Para ser justo, professores picaretas, que agradam alunos mas não ensinam, também não deveriam votar. Pais irresponsáveis que pensam que seus filhos são anjos também não deveriam votar (tem gente até que defende que nem tivessem o direito a gerar filhos…). Gente com tendências autoritárias – segundo algum critério de nossos burocratas da saúde e da neurociência – também não deveria ter o direito ao voto.

Aliás, burocratas também teriam de se submeter a todos estes testes e deveriam ser avaliados por uma comissão independente que, obviamente, teria de ter reconhecida imparcialidade e iluminação divina (claro que Deus teria de ser uma garantia última, né?) para julgar os burocratas. 

Pensando bem, porque não desistimos disto tudo e vamos para casa tomar uma? Opa, não podemos. Proibiram a cerveja (ou vão proibir em breve).

Incentivos econômicos contra o narco-tráfico…no Afeganistão.

O presidente da Nicarágua quer agradar os antigos aliados soviéticos. Aposto que muita gente já está ouriçada…

A Google, hoje bem menos idealizada pela meninada “sou sempre contra Bill Gates” realmente avança a passos largos. Até contra a Wikipedia. Em breve os tradicionais rebeldes lançarão vírus contra a Google. Não duvide.

Quando Maluf declara apoio a um membro do partido do sr. da Silva, você fica desconfiado? E quando um membro de uma sociedade fortemente racista apóia um Ron Paul? Aí você fica todo ouriçado e vê neoliberalismo até embaixo do banquinho? 

A política é um mundo realmente único…