Frases que eu gostaria de ter escrito

Não existe nada mais perigoso para a inteligência e talvez até para o caráter do que isolar-se num ambiente em que não há discordâncias, porque fica muito fácil perder o outro enquanto outro de vista. Não há nada pior do que adotar, ainda que inconscientemente, uma atitude como “o problema do mundo é que as pessoas não pensam como eu”.

Esta é do Pedro Sette Câmara, sempre elogiado aqui (e condenado na blogosfera chapa-branca).  As frases aí em cima, no conjunto, são de uma sabedoria e clareza notáveis. Eis o primeiro passo para ser um economista pterodoxo: acreditar que todos estão errados e só você – e sua turma – estão certos.

Como o mercado pode ajudar em desastres naturais

Uma leitura comum – e errônea – acerca do funcionamento do mercado é a de que o mesmo seria incapaz de ajudar as pessoas a resolverem problemas derivados de acidentes ou catástrofes naturais. Será isto verdade? Os eternos pterodoxos da ala “criado-pela-avó-e-cheio-de-insegurança” são raivosos na crítica: como são incapazes de tomar qualquer iniciativa, vêem o mercado como o mal satânico.

Há críticas razoáveis ao mercado, mas elas não vêem da pterodoxia. Elas só vêem de quem entende o que é o mercado e o que ele faz de bom para a sociedade. Creio que uma discussão muito frutífera pode vir desta interessante coletânea de textos sobre os efeitos da catástrofe de New Orleans. Trata-se de um e-book muito bacana (mas não tão bacana como este…?)

Relações Internacionais e o Horror Diplomático

As consequências não-intencionais de algumas políticas diplomáticas. Eis aqui um belo texto sobre como burradas surgem de boas intenções sob incentivos errados.

Moral: aprenda a desenhar corretamente os incentivos.

Matemática em Economia

O ensino da matemática no Brasil é uma merda! Não nos ensinam a pensar e sim, decorar fórmulas para aplicar e tirar dez nas provas, passar no vestibular, enfim..

Eis aí a palavra de uma aluna de graduação. O meu post foi este e repercutiu lá no Laurini, um cara que, mais do que ninguém entende bem de matemática e de professores que fazem o discurso que Cibele definiu bem como “bicho-papão” (leia lá).

A discussão é mais profunda. Eu acrescentaria mais: o ensino de História no Brasil é mais do que uma merda, com a licença poética (naturalista?) do desabafo que a Cibele adotou. Só fui aprender História mesmo na hora da tese do doutorado. Mesmo que o aluno não seja lá aquelas coisas em Matemática – como sempre foi o meu caso – o mínimo necessário para se interpretar fenômenos históricos é solenemente empurrado para debaixo do tapete por professores (pseudo-professores) de História Econômica que não sabem mais do que repetir versões de outros autores sobre o que, provavelmente, ocorreu na realidade.

Veja o que Pastore & Pinotti falam no post abaixo: não é da autoridade do economista que se deriva a utilidade do que ele diz, mas sim da falseabilidade científica das hipóteses. Conto nos dedos (de uma mão, creio) os departamentos de economia no Brasil nos quais os professores usam artigos de McCloskey, Sokoloff, Engerman ou Fogel para ensinar história econômica do Brasil.

Não, não sou internacionalista. Onde está a leitura de Peláez? Ou a de Buescu? O que eles nos disseram sobre história econômica e teoria? Quem já leu a dissertação de Simão Silber (USP) desconstruindo os erros de Furtado (e de Peláez)? Só quem estuda na USP. Nos centros da religião pterodoxa, criticar Furtado é um pecado. Trata-se de uma Al-Qaeda na ciência: se não for conosco é contra nós.

Matemática e História andam juntas em Economia (vai ler Avner Greif, meu filho!). E nem é preciso tanta matemática assim. Mas o custo de oportunidade dos picaretas é o seguinte: “mais matemática é igual a mais crítica à minha opinião e menos matemática é mais tempo para minha doutrinação dos alunos”. Não é difícil ver o que ocorre.

No dia em que as pessoas que se dizem pluralistas realmente o forem (ou seja, estudarem biologia, matemática e não apenas “sociologia”), aí teremos algo útil.

Fugi um pouco do foco, mas creio que esta discussão é umbilicalmente ligada à outra.

Ciência versus Religião (= subconjunto da Pterodoxia)

O comportamento das poupanças nunca preocupou o grupo de economistas que partilha da crença religiosa de que “o investimento cria a sua própria poupança”. Afinal, na origem desta proposição está o inventor da macroeconomia – Keynes -, e quem ousaria ir contra as suas idéias? Proposições científicas não têm este status porque são feitas por cientistas reputados, mas sim porque não são negadas pelos fatos. A Lei da Gravidade não é uma proposição científica porque foi feita por um cientista do calibre de Newton, mas sim porque ninguém na face da terra conseguiu ver um corpo “cair para cima”. O gráfico 2 foi construído a partir dos dados trimestrais das contas nacionais do Brasil, mostrando no eixo horizontal as poupanças totais em proporção ao PIB, e no eixo vertical os investimentos totais em relação ao PIB.

Pastore e Pinotti, como sempre, didáticos.