Janaína, inclusive, põe a esquerda nua com seu novo discurso da “ética” que abunda nas escolas. Desculpe-me, leitor, mas este trecho é importante. Espero que a Janaína não se irrite com minha reprodução de suas palavras:
País com 75% de analfabetos funcionais entre 15 e 64 anos. A esquerda, esperança até há alguns anos, defende a corrupção como algo necessário _ afinal, “todos os que vieram antes fizeram o mesmo” e o governo distribui cada vez mais bolsas assistenciais. Não é o máximo?
Essa frouxidão moral serve de escudo para quem age como o compadre do presidente da República, que negocia favores lesando o Estado em centenas de milhões de reais. Também protege a ministra-chefe da Casa Civil, presidenciável, e a mantém cúmplice do tráfico de influência. Permite a propagação de jornalistas de serviços que blindam o governo e têm dívidas com bancos públicos perdoadas.
Sem cobrança dos eleitores, CPIs viram moeda de troca: o PSDB deixa que a dos cartões corporativos acabe em nada, o PT não faz tudo que pode para investigar a Alstom. A solidariedade também está presente quando a companheirada do Banco do Brasil engana a Previdência e ganha aposentadorias milionárias _ mesmo BB, aliás, que compra bancos públicos micados sem licitação. Ninguém fala nada.
O silêncio também ronda Celso Daniel, que continua injustiçado, pois aqueles a quem ele chamava “parceiros” preferiram sociedade com o que há de mais vil no mundo do crime. Alinharam-se aos narcotraficantes das Farc, abriram as portas do mercado para dinheiro da máfia russa e da corrupção angolana.
Aposto que os filhos de todos esses políticos e apanigüados estudam nos melhores colégios. Futuros doutores, talvez advogados como a filha de Roberto Teixeira, ou empresários bem-sucedidos como Paulo Henrique Cardoso e Lulinha.
Veja bem, leitor. Independente da corja que esteja no poder (a de hoje, a de ontem ou a de amanhã), uma lição os brasileiros já deveriam ter aprendido com o Thomas Jefferson e seus amigos revolucionários: não existem anjos. Decepção com a esquerda? Nem um pouco. Eu já desconfiava mesmo. Mas anos e anos de discursos pouco científicos de supostos cientistas políticos, supostos filósofos, supostos sociólogos e, sim, supostos economistas, criaram um viés de irracionalidade muito grande para algumas pessoas. Em outras palavras: muita gente acreditou (e acredita) em Papai Noel.
O problema vai além disso, aliás. Nós, que curtimos estudar New Institutional Economics sabemos que a resposta está no estudo dos direitos de propriedade e, portanto, das instituições formais e informais de um país (o que nos remete à longa série de textos deste blog sobre Estados Falidos). Este tema tem me ocupado há algum tempo (tive até um aluno com uma monografia sobre isto, recentemente) e o prognóstico não é, por enquanto, dos melhores. Por que?
Instituições flutuam entre duas dimensões conceituais: formalidade e informalidade. Leis são parte das instituições formais e cultura fazem parte da parte informal das instituições. As primeiras são mais facilmente alteradas, claro. Mudar a cultura de um povo acerca dos direitos de propriedade passa por um processo de ensino que certamente não se baseia em doutrinação, mas sim no verdadeiro pluralismo (aquele que é inseparável do liberalismo clássico) e leva gerações para se sentir porque, sim, depende das escolhas individuais.
No momento em que o consenso no país é a celebração do “politicamente correto”, fica difícil ser otimista. Quando eu falo de autoritarismo, totalitarismo, bolivarianismo e socialismo real, certamente me refiro à sua mais marcante dimensão comum: a tentativa de alguns dizerem a outros o que é melhor para elas de forma tão forte que se transforma em regulação das livres ações alheias.
Eis o perigo que, acho, Janaína enxerga em última instância. Se ela discordar de mim, tudo bem. Afinal, não vivemos, ainda, em um regime que proíba a discordância de opiniões. Mas não seja otimista: a leitura dos discursos de nossos atuais governantes não nos mostra que este é um perigo tão distante assim…
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