Crise dos alimentos

A crise de alimentos na Veja

Lê-se na explicação da Veja Online sobre as causas da crise de alimentos que “a população [dos países emergentes] está se tornando mais urbana… o que torna necessário que se produza mais comida em larga escala para atender às cidades”. Mas a urbanização na China e Índia (como qualquer outra urbanização) decorre do aumento de produtividade agrícola e, consequentemente, da baixa no preço dos alimentos.

Um elemento principal da crise, não mencionado pelo site, é que a adaptação às mudanças econômicas é enrijecida pelas restrições à comercialização internacional dos alimentos. Metade de toda a produção de arroz no mundo é administrada por conselhos governamentais. Os governos de países ricos são os culpados mais óbvios, por fecharem seu mercado à competição internacional. Entretanto, 70% das barreiras comerciais são erguidas entre países pobres por seus próprios governos. O protecionismo restringe a oferta, diminui o incentivo ao desenvolvimento tecnológico, e alimenta a si próprio, ao fazer uma crise do aumento da prosperidade mundial.

A alta dos alimentos é um motivo urgente para que se derrubem as barreiras protecionistas. E cabe à imprensa nos alertar para essa solução.

Eis algo que a grande imprensa não tem analisado com muito carinho: o papel da – já antiga – intervenção governamental sobre o preço dos alimentos. Diogo também poderia apresentar alguns estudos de análise de custo-benefício para embasar melhor seu argumento. Mas a hipótese já me parece interessante. Eventuais entusiastas do tema podem se divertir.