Diz Sardenberg:
Coloque-se na posição de um produtor de arroz no Rio Grande do Sul. Durante muitas safras você lutou com os preços baixos e sofreu a concorrência do arroz uruguaio, que entrava, via Mercosul, mais barato, dado o custo de produção menor (incluindo uma carga tributária menos punitiva). Você reclamou dessa situação e lhe disseram: “O que fazer? São as forças do mercado global…”
Aí, pelas forças do mercado, os preços sobem e ficam bons do ponto de vista do produtor. E agora, não pode? Vem o governo e ameaça com restrições à exportação e com o controle de preços internos.
Seria a mesma violação das regras do jogo que sofrem os produtores rurais argentinos. Exportadores de carne, por exemplo, fizeram um esforço danado para cumprir as regras sanitárias internacionais, livraram-se da febre aftosa e conseguiram colocar seu bife nos supermercados dos países ricos. Aí vem o governo Kirchner, proíbe as exportações e tabela os preços internos.
Continue lendo o texto (veja o link nos parágrafos). Difícil de entender?
Historiadores que fazem jus ao diploma sabem que a história não é esta lenda dos supostos especialistas e consultores de órgãos dedicados à construção de uma novilíngua na qual “social” é sinônimo de anjos e “individual” é o próprio tinhoso.
Por exemplo, uma mentira disseminada por supostos professores de História em colégios é a de que Pizarro chegou e – destacam sempre o catolicismo – arrasou com inocentes autóctones.
Nada mais longe da verdade.
Pizarro chegou e encontrou um império selvagem que massacrava seus vizinhos. Tudo bem que o massacrou, mas é bom lembrar que contou com a ajuda de todos os oprimidos da época. Em outras palavras, não existia nenhum bom selvagem aqui, exceto na mente amalucada (ou romântica, como queiram) do Rosseau e seus seguidores.
Ao final, sim, a colonização se deu com um banho de sangue mas, por outro lado, banhos deste tipo ocorrem em outros momentos da história (como no extermínio de ucranianos sob as bençãos socialistas) sem a mesma reação nervosa dos supostos atores sociais. Digo, supostos não porque até que atuam bem no palco…
Eis um debate que mostra a importância do conhecimento das hipóteses adotadas pelos envolvidos na discussão. Claro, também mostra como se fazer análises positivas, mesmo que haja pontos normativos nem sempre claramente especificados nas análises.