A fome de cientificidade e a pança verborrágica Abril 15, 2008
Posted by claudio in Uncategorized.Tags: brasil, esquerda aneróbica, etanol, sociologia em frangalhos, verborragia
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A semana começa com uma gritaria de nosso governo contra um - aí vamos de jornalista brasileiro - “suposto” movimento de economias desenvolvidas contra o oprimido e raquítico país “infante”, o Brasil. Há, certamente, uma mistura de interesses aí. Há interesses de usineiros brasileiros (cuja vida sob o Pró-álcool foi alvo de críticas por parte dos militantes históricos do partido do presidente da Silva…até 2003), agricultores norte-americanos, franceses e, claro, desprotegido de todos, os interesses dos consumidores seguem ignorados.
Nesta confusão toda, alguns tentam jogar a culpa nos EUA (claro), para desviar a atenção das bobeiras ditas por aliados históricos da esquerda brasileira. Em outras palavras, tem gente que não quer acabar com a fome no mundo, mas sim destruir a chance de o mercado agir em prol da redução da fome. Não é preciso fazer uma extensa pesquisa para saber quem são estes aliados e o que falam. Vejamos algumas frases (parecem saídas da boca de um cientista ou de um político?):
Crime contra a humanidade? Parece-me um bocado forte comparar um genocídio nazista à produção de etanol. Ah sim, o etanol vem do milho, ou da cana e isto, sim, tem impacto sobre o preço dos produtos agrícolas. Isto é fato. Assim como a liberação de mão-de-obra para a produção de relatórios na ONU implica em aumento do salário em outros setores do mercado de trabalho (e uma pressão para baixo nos salários dos outros burocratas da ONU, claro). Também é verdade que antigamente as pessoas comiam alimentos bem piores, em termos de qualidade (e quantidade) e também é verdade que usamos o terreno, outrora um campo de produção de mamonas, para construirmos prédios o que, certamente, deve ter tido um impacto sobre o preço das mamonas. Se este impacto é maior que o benefício gerado é algo que o burocrata deveria calcular, já que pago para tanto, creio.
Mas não é só isto.
Além dos produtores brasileiros cometerem, “supostamente”, um genocídio, o Brasil deveria chamar seu exército de volta do Haiti. Por que?
Ok, sabemos que a violência é um problema sério no Brasil. Ninguém nega isto. Mas além do genocídio que praticamos com o etanol, agora também temos uma guerra civil no país? É muito jargão para pouca evidência. No mínimo, uma guerra civil desestabilizaria todo o ambiente de negócios e, portanto, a produção de etanol nem sairia do papel.
Em resumo: há várias verdades por aí, no discurso do burocrata amigo da esquerda francesa e brasileira. De fato há violência no Brasil e, sim, a produção do etanol altera preços relativos. Mas daí para seu discurso há uma violência (ou uma guerra civil?) imensa com relação aos fatos. E nada disto tem a ver com George Bush, mas sim com a filosofia de Zigler, quase primeva, no sentido marxista de uma sociedade ideal em um suposto comunismo primitivo que, aliás, nunca existiu.
Menos, Zigler, menos.
(Ironic mode on)
Pois é, a ONU também exagera e distorce, quem diria não?
(Ironic mode off)