Esta entrevista é bem interessante. Trechos:

Os cientistas, via de regra, não se arriscam o suficiente?

Como um grupo, os cientistas são a sociedade mais conservadora que existe. A maioria dos cientistas não pesquisa o desconhecido. A maioria estuda aquilo que já se sabe e evita aquilo que não se sabe. É a maneira mais fácil de fazer uma carreira em ciência. Mas para ter impacto é preciso fazer coisas diferentes daqueles que vieram antes de você. É assim que se descobre coisas novas.

Ou seja, cientistas, supostamente os empreendedores que necessitam de fundos públicos para se arriscarem….não se arriscam. É o que muitos já sabem. Só não sabemos, ao certo, quantos não fazem o que dizem estar fazendo. Em economia, eu, Ari e Jocka pesquisamos alguma coisa a respeito aqui e aqui.

A busca pelo lucro não “corrompe” a ciência? Ou a busca pelo lucro e pelo conhecimento são objetivos compatíveis?

Eles podem ser perfeitamente compatíveis. A pergunta vale para qualquer profissão. Até que ponto o lucro “corrompe” o que você escreve nas suas reportagens, por exemplo? É tudo uma questão de integridade pessoal. Acho que a maioria dos cientistas tem muita integridade ou estaria fazendo outra coisa. Claro que há cientistas que já forjaram pesquisas para obter fama e fortuna, mas o espectro é muito amplo. Não acho que seja justo condenar um cientista por tentar ganhar dinheiro para sustentar sua família. Eu tive a sorte de ganhar mais dinheiro do que a maioria dos cientistas, mas coloco 90% de tudo que ganho de volta no meu instituto, para financiar mais pesquisas.

Nunca antes, na história deste país, alguém disse tanta obviedade de forma tão simples e resumida. Apesar disto, os “cabeças-de-ideologia” (ou “monstrinhos não-liberais”, ou neocons latino-americanos) continuam a ignorar os fatos (queda da ex-URSS inclusa) para fazer doutrinação nas escolas de ensino básico, médio e superior. Basta lembrar que a ex-URSS, bastião do não-liberalismo mundial, é famosa pelo imenso número de fraudes em pesquisas científicas. Em outras palavras, não é com a supressão do mercado que você diminuirá as fraudes na ciência (o caso da educação socialista na ex-URSS é o melhor exemplo disto).

O problema, como sempre, é mais embaixo.