Neocon, no Brasil, é todo aquele que defende o status quo que, no caso do paÃs, é o não-liberalismo. Uma vez definido isto, chamo a atenção para o esclarecedor post do Lucas, lá no Ordem Livre que reproduzo abaixo.
Não precisamos de um novo currÃculo do governo
14 de March de 2008 por Lucas Mafaldo
O governo acaba de instituir a obrigatoriedade do ensino das culturas africana e indÃgena nas escolas.
Esse tipo de notÃcia provoca uma vontade quase irresistÃvel de discutir nossas preferências curriculares. Eu mesmo, ao terminar de lê-la, logo me vi defendendo mentalmente a cultura grega.
No entanto, fazer isso seria simplesmente perder o foco. A grande questão não é qual currÃculo as escolas seguirão, mas sim, quem tem a autoridade para escolhê-lo. Quando começamos a discutir se o novo currÃculo do governo é bom ou ruim, deixamos de ver todos os problemas que qualquer currÃculo do governo sempre terá.
Em primeiro lugar, dar ao governo a autoridade para escolher o currÃculo de todo o paÃs implica em uma uniformização enorme de todo o ensino. Isto implica no fim da competição entre currÃculos: uma escola fica proibida de tentar elaborar um currÃculo inovador para adquirir uma vantagem sobre a concorrência.
Em segundo lugar, isso significa que toda futura mudança curricular precisará passar pelo processo polÃtico. Ao invés do professor ir progressivamente afinando seus métodos, ele precisará formar um comitê polÃtico e tentar pressionar o congresso para aprovar cada nova reforma.
Em terceiro lugar, nunca teremos certeza de que o interesse dos polÃticos sempre coincidirão com os nossos. Na medida em que a educação dos nossos filhos passa a ser decidida pelo governo, isso significa que estamos efetivamente abrimos mão de nossa autoridade sobre eles. O atual governo talvez concorde com nossos ideais. O próximo talvez trabalhe diretamente contra eles.
Não precisamos de um novo currÃculo do governo. Precisamos que o governo pare de escolher os currÃculos.
O negrito foi por minha conta. Note bem, leitor, que o todo o textinho está bem escrito e claro na argumentação. Mas, para mim, os negritados são os mais importantes. As pessoas, quando saem por aà criticando o que pensam ser o liberalismo, nunca gostam destes argumentos. Sempre fogem da argumentação abstrata, nestas horas, para um ponto como: “na realidade sempre haverá mudanças de governo, por isto não deverÃamos nos preocupar”.
O argumento, como se pode perceber sem muito esforço, não é bom. Eu poderia argumentar pelo massacre de judeus com a mesma história: “se a democracia escolheu massacrar judeus agora, não é problema porque sempre haverá novos governos eleitos posteriormente…”.
Ora, se assim o é, então você percebe que podem existir tendências geradas por idéias estúpidas e não estúpidas. Na verdade, o bom do liberalismo é que se você mesmo perceber que uma idéia é estúpida, você pula fora rápido. Alguém dirá: “ah, mas e se você não perceber? Não é melhor que alguém guie você para a boa idéia”? A resposta é: não, não é uma boa idéia. Ou pelo menos não é uma boa, exceto se o mundo for habitado por anjos que são eunucos em termos do interesse próprio, na feliz expressão de James Buchanan.
Por isto o liberal gosta de limitar o tamanho do governo. Quanto menor o tamanho do bolo, menor o quinhão que poderá ser roubado da sociedade. Isto vale não apenas para gastos públicos ou carga tributária. Isto vale, principalmente, para sua vida. Regulação é um remédio que nossos neocons gostam de aplicar em excesso, gerando obesidade estatal e dependência do governo como o Lucas, brilhantemente (brilha de tão clara a explicação…), expôs acima.
Não é questão de ser contra ou a favor do aprendizado da cultura indÃgena ou africana. É questão de permitir à s pessoas que não querem estudar isto se moverem para outras escolas. Regular tudo é tirar as opções das pessoas, o que nos leva aos dois posts anteriores neste blog:
- O que mostra que a liberdade de associação gera bons frutos para o desenvolvimento intelectual;
- O que explica o que é economia e, também, o que é custo de oportunidade.
São questões para se pensar. Pergunte ao seu professor sobre o que ele acha do post de Lucas, reproduzido aà no alto. Pergunte também sobre o que ele acha destas reflexões. Exercite seu direito de compreender melhor a realidade. Em um regime liberal, claro, isto sempre ocorre. Não é à toa que você encontra neste blog temas os mais diversos debatidos sem o menor preconceito ou medo de errar. Faz parte do jogo liberal e é exatamente o que não querem nossos neocons bolivarianos e autoritários. Se não acredita em mim, ótimo. Vá lá ler Hayek para ver o que ele diz sobre liberalismo e depois volte aqui para dizer que se enganou. ^_^