Segunda-feira, Fevereiro 18th, 2008


Ok, você gosta de criticar os economistas porque são “liberais” ou mesmo seu amigo porque ele é “individualista”? Bem, primeiro dê uma lida neste texto.

Eu sei. Você ficou confuso porque o texto fala de libertarianismo/liberalismo e está cheio de referências aos EUA. Mas, veja, não é minha culpa se o debate, no Brasil, é inexistente. Você vê muito papo sobre os “liberais”, mas nunca vê um deles convidado para um debate, não é? Nem falo da questão das claques compradas pela ala não-liberal da academia (103% da mesma, atualmente…). Falo de convidar mesmo, de chamar ao debate.

Isto, leitor, é um conjunto vazio. Não existe, no Brasil, um único liberal convidado a debater suas teses junto aos auto-proclamados “democratas” do pensamento. Desculpe-me se o decepciono, mas é a triste verdade. Fique com as histórias dos cartões corporativos e as estranhas relações entre suas faturas e a elite intelectual das universidades públicas. Este sim é um tema que finalmente desmistifica o último bastião do não-conhecimento: a tropa de doutrinadores travestida de acadêmicos e seus aliados, os corruniversitários.

Triste, né?

Leo Monasterio adora esta discussão. Não, o jabá não tem nada de economicamente criminoso. Ficou chocado? Vai lá ler que você vai gostar.

O escândalo dos gyouza envenenados foram terríveis para os chineses no início do ano. Afinal, os pastéizinhos foram exportados para seu grande parceiro comercial: o Japão. Agora, alimentos para atletas no evento esportivo do ano, certamente, serão fornecidos com mais cuidado.

Interessante como uma economia fortemente regulada pelo governo tem os mesmos problemas que alguns insistem em imputar apenas ao mercado (o escândalo do leite no Brasil, recentemente noticiado, vem à minha mente). O problema, aparentemente, está nos incentivos para que a regulação funcione.

Esta do Coronel (Coturno Noturno) está ótima. Sou obrigado a reproduzir:

Clésio Andrade, da CNT: nem precisa pesquisar muito.

A CNT, Confederação Nacional do Transporte, é dirigida por Clésio Andrade, que foi vice-governador na chapa de Eduardo Azeredo, foi sócio de Marcos Valério nas agências de propaganda do Mensalão e do Caixa Dois do PT e foi vice-governador do primeiro mandato de Aécio Neves. No final do ano passado, Clésio Andrade, junto com Walfrido Mares Guia, Azeredo, Marcos Valério e os demais acusados do “valerioduto tucano” foram denunciados pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Os dois crimes podem ser punidos com até 22 anos de prisão. O grupo só escapou do indiciamento por formação de quadrilha porque, segundo o procurador-geral Antônio Fernando, o crime está prescrito. A denúncia, de 89 páginas, foi apresentada ao STF, depois de dois anos de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Aqui outra matéria muito interessante, para conhecer bem quem é o manda-chuva da CNT.
A conclusão do relatório da CNT/Sensus, vindo de quem veio, deve entrar para o anedotário político nacional:
“O presidente Lula continua blindado. A sua avaliação positiva mantém-se alta em função dos bons resultados da economia e dos programas sociais, além do fato de ele ter um discurso de fácil assimilação popular. Porém, como mostram os números da pesquisa referentes à avaliação do impacto na população do caso dos cartões corporativos, é importante que o Governo aproveite o bom momento exigindo uma conduta exemplar de seus funcionários e ministros”.

Há de se pensar não apenas no aspecto científico que este post suscita, mas também no que, não remediado, assim o está. Ou algo assim.

Parece até piada…

A última é a de uma igreja que resolveu brigar com a imprensa. O que é interessante? A forma como se coordenou uma estratégia entre centenas de membros da dita igreja. Já li várias vezes que a ideologia (ou a religião) é uma forma de mitigar problemas de ação coletiva. Mas nunca tinha visto um exemplo brasileiro.

Com esta notável notícia, já podemos inaugurar os estudos de Economia da Religião no Brasil. Note que isto é diferente das tentativas de se dotar a análise econômica de um “guarda-chuva” religioso, o que é uma atividade típica do pessoal do Acton Institute, dentre outros. Contudo, tanto uma como outra são interessantes manifestações de uma riqueza intelectual típica da academia da civilização (i.e., países desenvolvidos). Na selva – Brasil e assemelhados – ainda há muita poeira nos olhos dos acadêmicos. Poeira esta que, lamentavelmente, cria mais preconceitos do que os derruba.

Mas fica aí a dica: economia da religião.

Adversaries the U.S. currently faces in Iraq rely on surprise and apparent randomness to compensate for their lack of organization, technology and firepower. If one could find some method to their madness, however, the asymmetric threat could be made significantly less serious, according to scientists at The University of Alabama in Huntsville. These UAHuntsville scientists hope to help provide a better intelligence posture on these asymmetric threats by developing computer models that identify trends in the behaviors of the adversaries.

Trends in the behaviors? Pois é. Como os caras fizeram isto?

The four steps were: create a database of past attacks; identify trends in the attacks; determine the correlation between attacks and use analysis to calculate the probabilities of future attacks and their location.

Entendeu, né? No fundo, a questão é sobre como prever as ações dos adversários dadas as suas preferências e restrições, no contexto específico do combate. Conheça mais sobre este tipo de modelagem aqui.

Ninguém, que eu saiba (mas posso estar enganado), estudou a relação entre políticos e política industrial no Brasil, para valer. Se realmente tenho razão, eis a dica para os que gostam do assunto. Embora o exemplo seja para os EUA – mais uma vez provando que o governo dos EUA não é algo “liberal” – a metodologia bem poderia ser aplicada aqui.

Agora eu é que peço sua ajuda, leitor: há algum estudo científico sério, similar, para o caso brasileiro? Espaço aberto nos comentários.

Opa, vouchers para a educação. Não é nada a respeito daquele táxi que você pegou em viagem da empresa. Lamentavelmente, este é um debate que esfriou após a ida do Paulo Gontijo para Washington. O estudo – que ainda não foi feito – é o que você está pensando agora: qual seria o impacto disto em termos de bem-estar no Brasil?

Suponha que o governo se preocupe com as reservas de petróleo. Deve estocá-lo? Sim, não ou depende? Se depende, que fatores são importantes na decisão? Eis um exemplo. Basicamente, estocar petróleo seria como deixar de vendê-lo o que significa, por sua vez, um deslocamento para a esquerda da curva de oferta de petróleo (digamos que petróleo é quase sinônimo de gasolina). O resultado seria um aumento do preço. Mas, diz-se em parte da notícia acima, isto depende de algo crucial: o tamanho do país no mercado mundial do petróleo (a elasticidade e/ou a inclinação da curva).

A notícia vale como uma boa inspiração para um exercício simples de Fundamentos de Economia ou de qualquer outro nome dado à primeira Microeconomia do seu curso.

Mais um daqueles posts no qual salvo consultores em desespero (que nunca citarão este blog como fonte, claro). Desta vez,  uma análise sobre o biocombustível no Brasil. Pessoalmente, eu prefiro este estudo do meu amigo e colega Marcus Xavier.

Sempre circula pela internet uma mensagem fazendo troça da universidade privada e louvando as “virtudes” da pública. Bem, talvez seja a hora de você rever seus conceitos.