O que é um mercado de órgãos humanos?

É algo que iranianos parecem entender bem. Leitor, veja como são as coisas. Discutir o mercado de órgãos, nos EUA, é algo simples, tão polêmico quanto aqui, mas com uma diferença: lá, eles gostam de discutir tudo. Aqui, você escreve um artigo sobre problemas na alocação de órgãos, envia para jornais, e os editores dos mesmos dizem que “não publicarão porque pode desestimular doações”. Supõe-se, creio, que o brasileiro seja diferente do norte-americano, uma tese cara aos xenófobos.

Contudo, esta é uma abordagem errada (eu ia dizer “doentia”, mas muita gente acha que seria um exagero, apesar do mensalão passar incólume pelas redações – outrora – combativas destes jornais). Gente com mais ou menos vontade de doar órgãos existe aqui, nos EUA, no Japão ou na Bolívia. A diferença de funcionamento está nos diferentes incentivos adotados. Se cultura fosse o fator mais importante, brasileiro seria o principal sujeito nas cadeias dos EUA. Não é, apesar de tudo.

Concluo com um apelo à razão: deixem de ser bestas e medrosos! Discutam o mercado de órgãos, do sexo ou de drogas como gente grande que nem se deixa levar pela ideologia, nem pelos discursos a-científicos (e moralistas). No final, todos ganharemos, independente do que aconteça em termos de políticas públicas. Claro, poderemos perder em outros aspectos, mas o debate – sério – é sempre algo útil.

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Um comentário sobre “O que é um mercado de órgãos humanos?

  1. “Discutam o mercado de órgãos, do sexo ou de drogas como gente grande que nem se deixa levar pela ideologia, nem pelos discursos a-científicos (e moralistas).”

    Cláudio, disse tudo. Que uma pessoa, ao ser perguntada aleatoriamente sobre estes e outros assuntos, procure se ater aos seus preconceitos, é até compreensível. Agora, quando pessoas pretensamente educadas e instruídas não conseguem se portar num simples debate, é bem desanimador mesmo.

    Acho que por estas bandas ainda se confunde muito ignorância com burrice. Veja que a principal ofensa que usamos é chamar alguém de burro, quando na verdade seria melhor usar o termo ignorante. É um problema de como lidar com a ignorância. Ser ignorante não diminui a inteligência de ninguém. Claro que o modo como se lida com a ignorância pode limitar bastante a capacidade de alguém utilizar a sua inteligência, aí mora o grande perigo.

    É como eu já escrevi certas vez: justifica-se uma política pública pela intenção de alcançar determinado objetivo, quando o certo seria julgá-la pela sua capacidade efetiva de alcançar aquele objetivo(se o objetivo for aceito como desejável, é claro).

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