Violando uma importante lição de economia Outubro 19, 2007
Posted by Pedro Sant'Anna in analfabetismo econômico.add a comment
Recentemente li o livro do Henry Hazlitt, “Economics in One Lesson“. Segundo o autor, a lição mais importante sobre economia é :
The art of economics consist in looking not merely at the immediate but at the longer effects of any act or policy; it consists in tracing the consequences of that policy not merely for one group but for all groups.”
A primeira edição do livro foi escrito em 1946.
É, mas os governantes brasileiros não aprenderam a lição: Licença-maternidade de seis meses já vale para servidores públicos de ao menos 58 municípios e seis estados.
Os efeitos de longo prazo e para as mulheres que não querem ter filhos são ignorados. ( Já falei disso aqui).
Agora a Sociedade Brasileira de pediatria pede expansão da licença maternidade paterna, ignorando os possíveis efeitos indiretos (raciocínio análogo ao das mulheres).
Vamos ver o que que dá essa “ignorância”!
Incentivos do governo distorcem desempenho de acadêmicos? Outubro 19, 2007
Posted by claudio in economia da academia, economia da economia.1 comment so far
Considere este trecho desta excelente entrevista:
Academicamente, nas publicações, o Brasil avançou muito, mas não tanto do ponto de vista das aplicações, de uso da ciência. Em geral, nosso sistema de incentivos ainda é muito acadêmico. Veja o caso da Capes, uma instituição que todo mundo considera muito bem-sucedida, mas que está chegando ao limite do seu modelo: está montada para a valorização do trabalho acadêmico, tem muita dificuldade para apoiar áreas interdisciplinares e desestimula qualquer tipo de atividade em que exista um benefício que tenha a ver com resultados, com aplicações. A Capes tenta colocar todos os programas de pós-graduação no país dentro de um sistema unificado e coordenado de avaliação, mas este sistema já começa a se extravasar. O Brasil até hoje não conseguiu avançar com os mestrados profissionais, que são os que predominam em todo o mundo, porque eles não se sairiam bem nas avaliações da Capes.
Lembra da discussão do Adolfo Sachsida (e minha) sobre os incentivos da CAPES e os programas de graduação e/ou pós-graduação de Economia? A dimensão acima - relação com o mercado - mostra que existe mais um problema sério a ser considerado.
Mas, e os incentivos à inovação?
Uma queixa comum na área empresarial é que é muito complicado usar os fundos públicos de inovação. Como os procedimentos são lentos e não se sabe quando o dinheiro vai sair, muitas empresas acham que não vale a pena o esforço. Se o financiamento à inovação é muito subsidiado, existe o risco de as empresas buscarem o dinheiro e usarem para outros fins. Outra questão é o estímulo, a necessidade que as empresas têm de inovar. É uma questão que já não é mais da ciência, mas de economia. Algumas empresas competem no mundo em termos de inovação e eficiência, enquanto outras trabalham mais em quantidade, baixando os preços, porque conseguem mão-de-obra mais barata, e não têm como competir no nível da tecnologia mais alta.
Notou, leitor, a deixa para se falar de “rent-seeking”? Subsídios podem gerar distorções nos esforços dos empresários, no sentido de levarem-nos a caçar renda (rent-seeking) e não a promover o bem-estar social através da busca de lucros.
Mais outro ponto: como os “progressistas” da “esquerda” “bolivariana”, os heróis dos alunos (doutrinados) de colégios atuam neste ambiente?
Em relação aos centros acadêmicos de pesquisa, é importante desenvolver sistemas de incentivos que favoreçam mais a aplicação e a busca de resultados, e não somente os critérios acadêmicos de qualidade. As fundações universitárias, que existem na USP e em muitas universidades públicas, são uma maneira interessante de criar pontes mais efetivas com o mundo externo. Há um movimento, que eu diria muito reacionário, que busca derrubar essas pontes, argumentando que a universidade pública não pode receber dinheiro fora do orçamento e o professor não pode ter complementação salarial. Deveria ser o contrário. Um professor competente na área de computação que possa fazer contribuições importantes não tem de ganhar o mesmo que um professor de história, geografia, sociologia, que é a minha área, ou de ciência política.
Notou, leitor? Tem sociólogo que deseja mesmo é ser, como diria Gaspari, ociólogo. Ou seja, o sujeito quer financiamento público (= mais impostos do resto da sociedade) para não fazer nada de aplicável. Que beleza! Os recursos escassos, gente passando fome (”quem tem fome tem pressa”, né?) e o sujeito quer dinheiro para fazer pesquisa sobre a fome sem qualquer aplicação prática. Até imagino aquele “construto” teórico bonito, cheio de desenhos e neologismos…mas sem nada de aplicável para resolver o problema da fome. Não acho ilegítimo que se construam teorias novas, claro. Mas Simon (o autor dos trechos) tem um ponto importante: mensuração de resultados.
Simon parece achar que a avaliação acadêmica está razoavelmente desenvolvida e, neste ponto, eu acho que ele é muito otimista. Mas isto não torna sua crítica menos relevante. Apenas mostra que o problema é maior.
Mas, claro, você poderia pensar que os acadêmicos da universidade pública devem estar revoltadíssimos com isto. Será?
Na época do governo Fernando Henrique Cardoso, o Paulo Renato de Souza, como ministro da Educação, tentou mexer com as universidades públicas, dando-lhes mais autonomia e responsabilidade pela qualidade de seus resultados e uso adequado de recursos. Houve uma reação contrária muito forte e nada se fez. Na época do Itamar Franco, todos na universidade gostavam de Murilo Hingel, o ministro da Educação; ele sempre elogiava as universidades e não tinha nenhuma política para o setor. O atual governo faz também um pouco isso.
Notou? Fala bem e dá dinheiro, sorrisos. Tente dar autonomia - o que significa mais responsabilidade - e você ganhará vaias. Lembra um pouco o comportamento de Peter Pan: não quer crescer nunca.
Bom, mas você pode se perguntar sobre o papel dos burocratas no desenvolvimento da ciência. Hoje mesmo discutimos eu e uns alunos sobre a tal política industrial.
Eu nunca acreditei no planejamento da economia e muito menos no planejamento da ciência. Para se ter ciência é preciso uma comunidade científica livre. Deve ser livre, acadêmica, tem de ter instituições com independência. Ben-David mostra bem, em seus estudos, como foi assim que a ciência ocidental se desenvolveu. Além dele, Robert Merton, um dos principais nomes da sociologia norte-americana, havia desenvolvido a idéia da ciência como uma comunidade livre de scholars, que se contrapunha às tentativas de atrelar a ciência aos regimes políticos que, nas décadas de 1930 e 40, tentaram amarrar a ciência aos regimes autoritários da Alemanha nazista, antes, e à União Soviética stalinista, depois. Esses autores se opunham à tradição que se pode chamar bernalista, de John Desmond Bernal. Bernal era um inglês que desenvolveu pesquisas originais na área de cristalografia e contribuiu ativamente para o esforço de guerra de seu país contra a Alemanha. Era fascinado pela União Soviética, que citava como um grande exemplo de como se coloca a ciência a serviço da sociedade. Nisso ele seguia a tradição de Jean Perrin, físico e Prêmio Nobel francês, responsável, junto com Irène Joliot-Curie, pela organização do sistema científico francês no período do Froint Populaire na década de 1930. Para eles, a ciência tem de estar dentro do Estado, a serviço do planejamento, e ajudar a organizar a sociedade de acordo com critérios científicos.
Conclusão? Gente muito inteligente em química nem sempre o é em economia (e vice-versa). Olha só como o sujeito bom de serviço desejava impor seu modo de ver à sociedade.
Vale a pena ler toda a entrevista. Mesmo.
Artistas engajados…em seu próprio interesse Outubro 19, 2007
Posted by claudio in falhas de governo, lobby, rent-seeking.add a comment
Reproduzo na íntegra:
A Gang da Arte
Aqui, nem um pouquinho de mal-estar causa Outubro 19, 2007
Posted by claudio in Economia do Crime, brasil, economia da corrupção, falhas de governo, instituições.add a comment
O mundo blogosférico Outubro 19, 2007
Posted by claudio in Blogs de economia, Capital Humano, blogosfera, discriminação, tamanho do governo.add a comment
- O que causou o desenvolvimento irlandês? - Uma boa matéria para quem acha que, o correto, é ameaçar o Congresso caso um único imposto seja extinto.
- Basta aumentar o número de pessoas na escola ou temos que discutir a qualidade do ensino? Samuel Pessôa e Naércio Menezes têm discutido isto em seus artigos. E a discussão é relevante para a América Latina. Aliás, é importante para os países ex-bolivarianos da Europa também.
- Adolfo Sachsida sobre a discriminação como um fenômeno genérico.
Presente Outubro 19, 2007
Posted by claudio in economia, escolha pública.add a comment
Valeu, Jorge!
Jorge Vianna Monteiro deve ser um destes raros acadêmicos que realmente desejam que os alunos usem a teoria vista em sala para interpretar a realidade econômica brasileira. Passam-se os anos e ele não muda nunca. E ainda me deu este baita presente! Repito: valeu, Jorge!
O mimadinho Outubro 19, 2007
Posted by claudio in Cuba, bolivarianismo, brasil, esquerda bolivariana, lula.add a comment
Minnie the Che
Uncle Filthy compartilha as coisas que mais o irritam em relação ao fidelismo. Essa nem é pior.
Agora entendo porque tanto menininho rico usa camisa com a estampa do assassino de esquerda.