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Histerese na taxa de indignação Setembro 13, 2007

Posted by claudio in brasil, falhas de governo, grupos de interesse, humor negro.
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Marcelo Soares, da Transparência Brasil, tem um ótimo texto sobre o tema, aqui. Contudo, é bom não se esquecer do que disse o Adolfo:

Claro que temos o direito de nos indignarmos com mais essa palhaçada do Senado. Mas não adianta querermos esconder o óbvio: os eleitores de Renan continuarão votando nele. O que me preocupa não é o fato de Renan ter sido absolvido pelo Senado; o que me preocupa mesmo é que tal como seus antecessores Renan continuará ainda por muito tempo na vida política nacional. O que me preocupa é que a população brasileira simplesmente PERDEU POR COMPLETO a capacidade de indignação.

Ontem eu perguntei sobre isto: onde estão os caras-pintadas? Conseguiram um emprego público ou abriram ONG’s e hoje vivem bem às custas do contribuinte? Este é um princípio do liberalismo que nem todos percebem: a cada qual conforme sua produtividade. Um liberal não é a favor do fim da CPMF e, ao mesmo tempo, da manutenção dos subsídios, como neste teatro dos sindicatos. Um liberal também não aceita esta besteira de contribuição sindical obrigatória.

Mas uma coisa é você ser liberal, outra é ser economista, embora ambas possam se confundir. Como liberal, então, eu também acho engraçado como a moral dos eleitores é realmente sacana, tal como o Adolfo diz. Mas, como economista, minha pergunta é: por que a capacidade de se indignar é tão baixa?

Mais ainda: será que o norte-americano ou o japonês se indigna mais do que o brasileiro com relação a palhaçadas como esta? Por que tanta histerese com relação ao tamanho do governo? É, realmente, mais barato viver em uma sociedade “rent-seeker”? Como os incentivos, no Brasil, criaram esta ausência de indignação (eis a histerese) permanente?

Aliás, vamos seguir o receituário dos tradicionais proponentes da intervenção do governo: se há histerese na taxa de desemprego, temos que intervir para mitigá-la. Ok, eu gosto da idéia de cursos de aperfeiçoamento para trabalhadores, embora eu tenha dúvidas sobre o impacto destes cursos no bem-estar (quanto custa? Quanto de emprego gera? Alguém no governo fez esta conta? Ou o tio Mangabeira já mandou demitir o cara que se preocupava com isto?).

Se há histerese na taxa de indignação, e se você segue o receituário keynesiano (como se auto-declaram alguns pterodoxos da ekipeconômica, como diria o Gaspari, sempre tão irônico quando o tema era FHC…), então você deveria propor um aumento dos gastos em campanhas para gerar indignação nas pessoas.

Pensando bem, o que foi feito pela conhecida figurinha oriunda da UNICAMP no Congresso ontem segue bem esta receita. Talvez a conclusão seja a de que Renan Calheiros até tentou, mas não conseguiu gerar indignação suficiente. Antes dele, muita gente do partido do presidente da Silva tentou, mas de nada adiantou.

Piadas à parte, permanece a pergunta: por que tanta falta de indignação? Meu palpite: com uma carga tributária próxima de metade do PIB (40%), é barato ser “rent-seeker” (mais barato do que inovar, concorrer, pensar no mérito das pessoas para lhes dar promoções) e mentiroso (dizer que não votou neste ou naquele sujeito que está no governo hoje é barato, você não precisa ser honesto…tal como visto na votação de ontem).

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