Qual Chicago boy, cara-pálida? Setembro 1, 2007
Posted by claudio in história econômica, pensamento econômico, pterodoxos.trackback
Em 1979, quando o setor público já apresentava um pequeno superávit, os administradores de política econômica chilena resolveram fixar a taxa de câmbio em 39 pesos por dólar, para acabar de vez com a inflação. A sugestão vinha do professor Arnold Harberger, da Universidade de Chicago, um entusiasta da âncora cambial. Sucede que o Chile continuou reajustando trimestralmente os salários pela inflação passada, atendendo aos conselhos de outro mestre de Chicago, o famoso Milton Friedman. Configurou-se assim o processo de valorização real da taxa de câmbio descrito (…). [Simonsen, M.H. 30 anos de indexação, FGV Editora, 1995, p.158]
Pois é. Quantas vezes não ouvimos a lenda de que toda a política econômica de Pinochet foi uma obra maligna dos economistas de Chicago? A pterodoxia vive dizendo isto. O trecho acima, portanto, tem duas lições didáticas simples. Primeiro, não insista em falar de “escolas de pensamento” como se fosse um monolito de pensamentos. Nunca é. Existem indivíduos antes de suas classificações imaginárias. No mínimo, mais cuidado, ok?
Em segundo lugar, note como os conselhos dos caras não eram sincronizados. É óbvio que muita coisa boa e muita coisa ruim foi feita pelos economistas de Chicago. Na minha opinião, nada comparável ao laboratório humano que os heterodoxos implantaram no Brasil com seus planos de combate à inflação, mas tudo bem. O importante é que você perceba que não existe esta história de se ver apenas um lado da historia, o dos vencedores da mediocridade acadêmica: os pterodoxos que tentam distorcer a história só porque preferem Fidel Castro à Pinochet.
Nada disto, moço. Ambos fizeram políticas econômicas imperfeitas e, o saldo líquido, você vê, sim, na diferença entre os países, hoje.
Claudio
Esta obra está licenciada sob uma
Vale a pena checar essa informacao do Simonsen…. Friedman NUNCA defendeu em seus livros o estado dando reajustes trimestrais. Uma lida em Capitalismo e Liberdade evidencia que Friedman defendia o mercado como o melhor elemento para arbitrar precos. E uma surpresa para mim ver Friedman dando sugestoes ao governo para alterar o salario de mercado. Confesso que fico com um pe atras nessa informacao do Simonsen (esse sim, um grande entusiasta da intervencao estatal).
Espero que alguem que goste de historia economica traga mais informacoes sobre isso.
Adolfo
Acho que a pista é procurar nas memórias do Friedman.