Nem todo ex-perseguido pelo regime militar é bobo


O PT tem a sua Stasi, o “serviço de informações”. Trata-se de um um aparelho para trabalhos sujos que só os partidos de regimes totalitários tiveram, como o Partido Comunista da ex-Alemanha Oriental. Pode ser o embrião de uma futura polícia política do PT. Veja o que diz, a propósito, o professor Roberto Romano em seu blog:

Pouca gente prestou atenção no detalhe submerso no caso dossier fajuto contra a oposição. Trata-se do “setor de inteligência” instalado no PT. Quem, como eu, foi obrigado a viver sob regime ditatorial, e foi preso por organismos como o CENIMAR, foi para o DOPS e viveu sob a vigilância do SNI, só pode ficar com as antenas ligadas ao saber que um Partido político guarda em seu interior um segmento dedicado a obter “informações” úteis ou inúteis para os dirigentes da referida agremiação. Pouco importa se os arapongas do PT são aloprados ou qualquer outra coisa. A existência daquele segmento é uma evidência mais do que solar dos alvos e métodos petistas. No Rio Centro, um executor canhestro detonou certa bomba no próprio colo. No primeiro turno de 2006, outros canhestros detonaram a bomba no colo do próprio partido. Mas isso não isenta o analista de observar que procedimentos tecnicamente imperfeitos não esgotam o conteúdo e a forma dos procedimentos. Imaginem se os supostos aloprados fossem eficazes. A eleição teria sido liquidada em favor de Lula e de Mercadante. Nada obsta que as técnicas (e os técnicos) de espionagem petista sejam aperfeiçoados. E quando eles atingirem o ponto ótimo ? Outras aventuras mais ousadas virão, em detrimento da cidadania democrática. É bom notar que o ovo da serpente não foi esmagado. Ele pode se voltar contra todos os “neutros” ou “progressistas” que hoje votam em Lula e no seu partido. Nada, nada naquela agremiação foi mudado, sobretudo no plano dos cérebros. É bom ter a mente e o corpo despertos para futuras e inevitáveis maquinações.

Gabeira, Romano, e tantos outros não compartilham dos desejos totalitários de alguns. Claro, são vistos como “direitosos” e “neoliberais” (ou “privatistas”). É assim que os que pedem debates tratam os que querem debater: ou se ausentam, ou acusam os outros de nomes supostamente feios.

Voltemos à Economia.

Claudio

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Monografias

Alunos, acordem! Enquanto vocês não começam a trabalhar nas monografias, outros vão respondendo as boas perguntas que vocês poderiam fazer.

Este aí, por exemplo, é sobre independência do Banco Central. Conheço uma pá de gente que diz querer fazer monografia em Macroeconomia mas não lê os artigos. Olha a chance aí!

Claudio

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Microcrédito sem boas instituições não funciona

Minha opinião é a seguinte: se você tem uma excelente vara de pescar, boas iscas, um bom bote, mas pesca num mar de lama, então…

Pois é o que eu penso do microcrédito, mesmo sem ter muita certeza que o instrumento é de primeira.

Claudio

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Auto-crítica

The role that competition among scientists will have on researcher initiative bias was discussed by Tullock (1959) who argued that competition would counteract the version of publication bias that occurs when 20 researchers each use different data sets to run the 14 same experiment but when only the one significant result gets published. Tullock argued that in this case the other 19 researchers would come forward and discuss their insignificant results. The conclusion Tullock drew from this is that publication bias is more likely to occur in a situation where there is a single data and 20 possible explanatory variables. In that case, there is no obvious refutation that could be published over the false positive. The best that can be done is to publish articles emphasizing the number of potential explanatory variables in the data set (as in Sala-I-Martin, 1997) or the fragility of the results to alternative specifications (as in Levine and Renelt, 1992).

Economistas são auto-críticos. Veja também este artigo que será publicado em 2007 sobre a produção acadêmica nacional dos economistas.

Eu me pergunto se outros cientistas sociais também fazem este tipo de estudo. Se alguém souber, por favor, deixe a indicação nos comentários.

Claudio

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Ditador é tudo igual

Chile aloprado
O ex-ditador Augusto Pinochet disse a um juiz que não sabia das torturas em seu governo. Só faltou chamar os torturadores de “bando de aloprados”.

Pinochet segue a nova escola da “ética na política” brasileira cujas características são: i. o chefe não sabe de nada, o que automaticamente o inocenta e não é preciso provar nada em contrário; ii. todo mundo faz, então posso fazer pior que todos me acham esperto; iii. militantes só brigam pela ética quando não há militantes e coronéis (dos militantes) envolvidos; iv. os intelectuais fazem silêncio diante da corrupção em sua sala-de-estar, mas ficam barulhentos com qualquer corrupção ao lado.

Pinochet pensou, um dia, comandar um país (ele tirou um outro inepto, o Allende, do poder) com poderes absolutos. Por que? Pela mesma desculpa que ouço da boca de alguns: ele precisava passar por cima deste “congresso corrupto” e fazer as reformas necessárias.

Para a sorte dos chilenos, algumas reformas foram até interessantes. Mas para nosso azar, não vejo nada similar nesta campanha. Bom, tinha gente querendo conselhões para jornalistas e cineastas, mas, sejamos justos, isto não é tortura. Mesmo porque, hoje, a simples prisão, sem tortura, já dá direito a indenização.

Pinochet fez escola.

Claudio

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O uso político das decisões públicas

Evidências? Algumas:

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais foi o motivo para que carnês e folhas de estacionamento rotativo sejam vendidos com adesivos que escondem o preço novo que seria praticado. A denúncia foi feita nesta terça-feira, dia 17/10, pelo deputado João Leite.

Os carnês de faixa azul estão com um adesivo colado sobre o preço e continuam a ser vendidos por R$ 20. No entanto, ao ser retirado o adesivo, consta o valor de R$ 24. Nas folhas internas há também uma faixa de R$ 2 sobre o preço R$ 2,40. Segundo João Leite, a prefeitura de Belo Horizonte teria desistido de conceder o aumento porque o presidente Lula não conseguiu se reeleger no primeiro turno.

Direto daqui.

Claudio

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