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Gays discriminam o restante da sociedade: uma lição de economia Junho 15, 2006

Posted by claudio in Uncategorized.
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Sou simpático à livre expressão das pessoas, gays ou não. Agora, esta notícia mostra um lado bem feio do movimento da moçada GLS. E me cheira a pirraça política da ala GLS filiada ao partido do atual ocupante da Granja do Torto.

O que eles querem? Fazer sua “Parada Gay”. Perfeito. Mas querem fazer isto na avenida Paulista. Até aí tudo bem, se o restante da população não quiser usar a via para outros fins. Não é difícil imaginar que ao menos uma pessoa queira usar a avenida hoje. Pense em uma mulher simpatizante do movimento GLS que esteja grávida e a Paulista seja a forma mais rápida de se chegar à maternidade. Pronto, ficou de fora.

Como este exemplo existem vários. E é por isto que todo estudante de economia (GLS ou não) aprende que uma estrada sem pedágio, mas congestionada é uma espécie de bem público chamado “bem de uso comum”. O exemplo “estrada sem pedágio congestionada” é do livro de introdução de Economia do Mankiw, nem meu é.

O que acontece neste caso? A av. Paulista é um bem rival e não-excludente. O que significa isto? Primeiro, se um bem é rival, meu uso do mesmo impede, simultaneamente, o seu uso. Se a Parada GLS ocupa a Paulista, a simpatizante grávida não pode usar, simultaneamente, a avenida. Mas não se paga para andar na Paulista, logo, a Paulista não possui a característica da “excludência”. Mesmo que eu pague impostos, não tenho de pagar uma taxa em alguma catraca instalada em pontos da avenida.

Isto quer dizer que se ninguém fizer nada, o passar dos anos trará desgaste ao asfalto da avenida (sem falar no barulho, nas pessoas que defecam e urinam em lugares inapropriados, etc) e ninguém pagará por isto. Feio, né?

Ok, a prefeitura sabe disto. E os legisladores também têm uma idéia do problema. Então criaram uma taxa que deve ser cobrada de passeatas como esta. Você pode até imaginar que os políticos criem taxas para se aproveitar das pessoas - algo razoável - mas neste caso, existe uma justificativa científica simples: a avenida é um bem de uso comum.

Gays, lésbicas, simpatizantes e não-simpatizantes que participem ou não da passeata têm, igualmente, o direito de usar a avenida. Agora, quando um evento como este ocorre, o congestionamento é, justamente, a conseqüência principal senão o próprio objetivo da Passeata.

E quando eles se recusam a pagar a taxa, estão fazendo com a sociedade algo que eles mesmos condenam: discriminam. Discriminam porque se acham no direito de privatizar uma avenida sem compensar os que não poderão usá-la no dia de hoje.

Mais do que qualquer outra coisa, a atitude é que é feia. Um pai economista provavelmente não teria problemas em explicar ao filho porque não se deve discriminar um gay ou uma lésbica. Mas seria muito mais difícil explicar porque eles devem ter privilégios e os heterossexuais não.

Faltou ao movimento GLS um pouco de respeito ao restante da sociedade. Certamente existem economistas gays e lésbicas. Eis uma boa chance de explicarem aos militantes de sua causa um pouco de economia.

Claudio

Comentários»

1. leo - Junho 15, 2006

O problema mesmo eh que o legislador malandrametne deixou aberta possibilidade de isencao da taxa para os seus queridinhos. Quando vc abre aa possibilidade de que religioes, por exemplo, nao paguem, fica aberta a porta para o troca-troca (epa!) politico-eleitoral.
A proposito, momento quero-o-meu-lugar-no-inferno:

“P: Qual a diferenca entre a parada GLS e uma procissao?

Na parada GLS as criancinhas estao mais protegidas.”

2. claudio - Junho 15, 2006

Hum…isto eu nao havia visto. neste sentido, voce tem um adendo importante ao que eu escrevi. vou ter de fazer um update.

3. Álvaro Brandão - Março 11, 2008

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