Raiva ótima

Eu não saio por aí dizendo como os sociólogos, psicólogos, etctólogos devem tratar seus objetos de estudo. Mas muitos não-economistas adoram dizer que o homem racional não existe, embora nunca desprezem seu próprio salário ao final do mês…

Eis aí uma discussão frutífera QUANDO ambos os lados possuem um vocábulo biunívoco e absolutamente inútil em QUALQUER outra situação, já que um diz X, outro diz Z (achando que diz X) e a confusão se estabelece.

Pois bem, para escapar da inutilidade, tem-se de contar com pesquisadores de fronteira. Na economia, recentemente, tivemos um Nobel dividido entre dois caras que fazem a mescla entre psicologia e economia. Um deles, agora, mostra que emoções podem ser racionais.

Quer discutir isto? Não é minha área de pesquisa. Eu teria de ler e entender o artigo dele primeiro. Senão, a discussão é mero exercício de retórica para a platéia.

Claudio

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Socialismo real causa problemas de fígado?

Eis o trecho.

(…) Em 1985, a renda anual do Estado proveniente da venda de bebidas alcoólicas constituia entre 12% e 14% da renda total do orçamento. (Em 1990, Gorbachev revelou que, junto com a exportação de petróleo, a vodka sustentou a União Soviética entre 1970 e 1985.) Entre 1985 e 1988, a campanha anti-álcool custou 67 bilhões de rublos ao Tesouro Soviético — o equivalente a quase 9% do PIB de 1985, 17% da renda daquele ano e quase quatro vezes a soma total gasta com saúde.

Não é que a caipirinha citada por Larry Rother iria fazer sucesso na ex-URSS?

Claudio

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Perguntinha

O ex-guerrilheiro e celebrado prefaciador de livros dos grupos de estudos de Defesa Nacional do Brasil, José Genoíno, diz que “não há provas sobre o mensalão” para refutar o relatório do Procurador-Geral.

Será que alguém seria contra a quebra ilegal de seu sigilo bancário para buscar algumas pistas?

Pergunta para os distintos funcionários da CEF envolvidos no episódio. Favor responder sem o uso de ideologia cara-de-pau.

Claudio

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Perguntas

Outro dia descobri porque alunos não gostam de estudar para as provas. É que lhes ensinaram que muitas vezes é “melhor fazer perguntas do que dar respostas”. Penso, em breve, aplicar uma prova cheia de respostas e torturar os coitados inquirindo pelas perguntas certas. PedaBOBOS irão se ver em um clima de angústia notável, creio.

Ironias à parte, sim, algumas perguntas são interessantes de serem feitas, em nível retórico, pois nos ajudam a checar a consistência do argumento alheio.

Eis algumas ótimas (estou rindo até agora):

Da Agência Estado, 12 de abril de 2006 – 19:45

“Mantega prevê estabilização da taxa de câmbio”

Pergunta: Mas o câmbio não é (ou não era) flutuante????

Outras declarações:

“Ministro da Fazenda afirmou também que é o mercado que irá situar onde ficará a taxa”

Pergunta: se é o mercado, como prever a estabilização? O mercado é teleguiado pelo governo, pelos exportadores, pelo Espírito Santo?

Voltando a transcrever:

“O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta que a tendência é de estabilização da taxa de câmbio com o aumento das importações e a queda da taxa de juros.”

Pergunta: Agora temos um ministro das premonições da fazenda?

Mais declarações:

“Mantega disse que o ministro da Fazenda não pode ficar fazendo muitas declarações sobre câmbio para não parecer que está interferindo no seu patamar.”

Perguntas: será que o ministro da fazenda tem todo esse poder? Ele consegue influenciar o mercado? Este ministro?

Mantega é aquele que dizia, há pouco tempo, que o Banco Central seguia uma “modelinho burro” e hoje defende o mesmo Banco Central (e seu “modelinho burro”. Eu não me arriscaria a buscar o ponto comum entre seus argumentos antes e depois…

Claudio
p.s. Ah, o BNDES…

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Stiglitz e a economia chinesa

Sometimes I wonder if Joseph Stigltz has ever read a five year plan that he did not agree with ex ante. Not surprisingly, he agrees with China’s continued attempt at managed economic development through its five year plans. The last paragraph of his recent op-ed summarizes his position.

Market economies are not self-regulating. They cannot simply be left on autopilot, especially if one wants to ensure that their benefits are shared widely. But managing a market economy is no easy task. It is a balancing act that must constantly respond to economic changes. China’s 11th five-year plan provides a roadmap for that response. The world watches in awe, and hope, as the lives of 1.3 billion people continue to be transformed.

Even though most economic theory and evidence contradicts what he claims, Stiglitz remains steadfast in his conviction that his research (i.e. information asymmetries in markets lead to suboptimal outcomes) undermined all propositions about the self-regulating aspects of market economies.

Leia o resto clicando no link acima.

Claudio

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