Papai e mamãe ainda são os mesmos Janeiro 30, 2006
Posted by claudio in microeconomia.trackback
A tecnologia tem alterado os custos de oportunidade de muita gente. O microondas, por exemplo, livrou homens de escolherem parceiras sexuais apenas por questões de alimentação e também liberou mulheres de se ocuparem apenas de atividades relacionadas à cozinha.
Ok, acho que ninguém discorda disto. Mas, se assim o é, porque se verifica uma divisão de papéis entre pais e mães constante ao longo do tempo? Este artigo, de alguns psicólogos, usando análise fatorial, apenas arranha a questão. A amostra é limitada (100 famílias e apenas de Porto Alegre), e os autores não avançam muito além da análise de “cluster”.
Por exemplo, pode ser que mulheres e homens mantenham a tradicional divisão do trabalho por motivos que não foram captados pelos questionários aplicados. Veja-se, por exemplo, este trecho:
A amostra pesquisada de 100 casais apresentou características sócio-bio-demográficas que indicam um grupo de sujeitos, na sua maioria, católicos, de nível sócio-econômico-cultural médio da população brasileira. Nesse sentido, o fenômeno aqui investigado está circunscrito em um contexto definido por casais em que 90% dos homens e 69% das mulheres trabalham fora, sendo que os homens têm melhores ingressos -econômicos, maior nível de escolaridade e passam menos horas com seus filhos que as mulheres. A maioria dos casais entrevistados está de acordo que sua relação conjugal é satisfatória e tem grande importância no desempenho de suas tarefas educativas enquanto pai e mãe. Provavelmente, essa informação explica em alguma medida o fato de 60% dos entrevistados sentirem-se cúmplices na relação de coparentalidade.
Se 90% dos homens e 69% das mulheres da amostra trabalham fora, já é de se esperar que menos homens participem mais ativamente da educação dos filhos. Além disso, um bom controle seria o dos salários de cada um dos membros do casal. Pode ser que parte dos 90% dos homens ganhe menos que suas parceiras.
Enfim, várias variáveis podem alterar as conclusões do estudo. A pergunta dos autores é interessante, mas fiquei com a sensação de que talvez falte um pouco mais de psicometria no trabalho com os dados.
Claudio
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