Construtivismo não leva ninguém a…

Quer saber? Então leia a entrevista. Depois, chore. Os resultados no PISA não negam e já geraram até a reação bizarra de “não concordamos com o PISA porque é um exame neoliberal e excludente”.

Sim, tem gente que além de não saber ler, não sabe perder ou pensar.

Não precisam agradecer, feministas, é só uma questão de incentivos

A luta das mulheres é como qualquer outra luta e não foge à regra: responde a incentivos. Não caia na conversa da vendedora de ilusões que só quer um emprego público: no final do dia, você tem que entender como incentivos funcionam. Veja o caso da prostituição, por exemplo.

Momento R do Dia – os clientes que não comiam…

An interesting story appeared over the weekend about a popular NYC restaurant realizing that, although the number of customers they served on a daily basis is about the same today as it was ten years ago, the overall service has significantly slowed. Naturally, this situation has led to poor online reviews so, the restaurant hired a firm to investigate the problem. The analysis of surveillance tapes led to a surprising conclusion. The unexpected culprit behind the slowdown was neither the kitchen staff nor the waiters, but customers taking photos and otherwise playing around with their smartphones.

Pois é. A história toda está aqui.

Acabou o mimimi pterodoxo: corrida aos bancos também tem equilíbrio!

Foi o Laurini, aquele danado, que viu primeiro e publicou, mas eu replico aqui a ótima notícia.

O artigo “Run theorems for low returns and large banks”, escrito pelo professor Jefferson Bertolai, do Departamento de Economia da FEA-RP, em coautoria com Ricardo de Oliveira Cavalcanti e Paulo Klinge Monteiro, do EPGE/FGV, foi publicado na revista Economic Theory, A1 no Qualis CAPES na área de Economia.
No artigo, os autores demonstram a existência de equilíbrio em casos de corrida bancária. Até então, dentro da literatura existente, não havia prova matemática da existência de equilíbrio em casos de retiradas em massa de recursos bancários.

Obviamente, vai começar o mimimi pterodoxo número dois, que é o famoso: “mas isso é só matemática, não entendo nada, logo, não é relevante porque sou muito inteligente” (coloque hífens para ler com aquele gostinho especial). O fato é que o artigo é muito importante e tem implicações teóricas que precisamos começar a entender melhor a partir de agora.

Antes de sair por aí com um panfleto dizendo que “matemática não é economia” ou que “economia é muito abstrata e precisamos ler o Piketty”, sente e estude, meu amigo. Você poderá se tornar um ser humano melhor amanhã…

Ah sim, não conheço nenhum dos autores, mas lhes pagaria uma cerveja artesanal por esta publicação. Parabéns!

Mercados geram cultura? A resposta é inequívoca: sim!

Leia esta ótima matéria para ver como o comércio gera cultura. Trata-se de uma das matérias de um especial do Asahi Shimbun sobre o chá verde e a trajetória de um piloto kamikaze (que, ironicamente, sobreviveu à guerra).

Eu sei que muita gente é emporiofóbica e acha que mercado destrói cultura. Trata-se de um preconceito bem sedimentado em muita cabeça de meninos e meninas que andam por aí, pelos colégios, desarmados diante da ignorância. Mas o fato é que trocas voluntárias (sim, este é outro nome para trocas de mercado, a despeito do que te disseram nos “supostos” livros de história do ensino médio) geram cultura.

Claro que é verdade que o advento do Caminho do Chá (esta arte japonesa inventada a partir do chá verde trazido da China), uma vez admirado, roubou público do que quer que existisse antes, mas aí não é uma destruição de cultura, mas a criação de uma nova forma de se agregar valor ao chá (o prazer de se beber chá não precisa ser preservado em sua pior forma, a não ser que alguém o queira…e se o quer, que não obrigue os outros, mas faça-o para si).

A diversidade cultural vem do fato de que sempre há quem discorde deste ou daquele aspecto de uma determinada forma de se fazer algo – no caso, tomar chá – e é por isto que a arte nipônica do chá não é unanimidade mas, nem por isso, deixa de ser admirada.

A propósito, pode ser que você queira mesmo é fazer uma super-panqueca de chá verde, esquecendo-se desta conversa toda. Bem, isso não é difícil e a receita está aqui.

Por que mudanças marginais? – a justificativa conservadora

Meu amigo – e ex-patrão – Afonso, presenteou-me, outro dia, com o As idéias conservadoras de João Pereira Coutinho. Como já li de Karl Marx e Adolf Hitler a Thoreau passando por Anuários do IBGE e Zé Carioca sem preconceito algum, não seria com este livro diferente, né? Há quem me chame de conservador, embora eu ainda afirme que sempre achei minha autocrítica bem ruinzinha.

Voltando ao livro, o Coutinho nos lembra de um ponto que já foi muito bem explicado por Hayek em vários de seus textos: a questão da imperfeição humana. Por que devemos ser cautelosos quanto a projetos de mudanças amplas e ambiciosas? Nossa imperfeição.

Somos imperfeitos, intelectualmente imperfeitos, não porque tenhamos nascido livres e nos encontremos aprisionados em toda parte (a célebre proclamação de Jean-Jacques Rousseau que não é mais do que a corruptela bíblica sobre a queda do homem), mas porque a complexidade dos fenômenos sociais não pode ser abarcada, muito menos radicalmente transformada rumo à perfeição, por matéria tão precária. [Coutinho, J.P., As Ideias Conservadoras explicadas a recolucionários e reacionários, Três Estrelas, 2014, p.34]

É incrível como esta idéia simples ainda não tenha gerado maior cautela por parte de mais gente, independentemente de seu posicionamento no espectro ideológico. A arrogância humana e a má fé dos vendedores de sonhos nunca tiveram muito valor (lei da escassez, claro!), mas minha impaciência com a espécie (supostamente humana) sempre me deixa cansado de tanta lentidão para optarmos por soluções mais, digamos, “pé no chão”.

Seja você um liberal (libertário) ou não, este é um ponto que não deveria ser ignorado em suas análises da realidade. Afinal, somos todos imperfeitos e é por isto que você termina este meu texto achando que ele poderia ter sido escrito de forma mais talentosa. Poderia mesmo.

 

Estatísticas municipais

O Mansueto divulgou, mas eu quero reforçar (criticamente): este site é uma ótima fonte de dados municipais e você deve usá-lo. Contudo é limitado. A série histórica é curta, embora haja mais dados na fonte original (o Tesouro, cuja página ficou bem mais confusa, infelizmente, mas você acha os dados lá). Além disso, os indicadores que se mostram lá são apenas alguns dos indicadores que se podem construir.

É uma ótima iniciativa, como já disse o Mansueto. Só faltou estender a série histórica e detalhar mais os dados, na minha opinião.

Perdeu, apelou.

A FIFA está de conluio com o FMI e todas essas forças do capitalismo que não querem que as pessoas vejam a garra argentina”. Eleitor de Cristina Kirchner, Dinardi – que auto-definiu-se como “peronista da velha guarda” – sustentou que a FIFA “não quer que a Copa fique na América do Sul, onde surge uma resistência contra os poderes do norte!”

Discurso sem pé, sem cabeça e, claro, sem cérebro. Péssimo. Além de perdedor.

Abenomics…

Como falei mais cedo, a dança dos indicadores não nos permite apontar para um pessimismo. Eu diria que, com este último, podemos apostar em um otimismo moderado. O que a administração Abe precisa fazer é trazer a Coréia do Sul de volta para a grande aliança do Pacífico que tem se protegido das ditaduras chinesa e norte-coreana em termos políticos.

Agora, voltemos aos afazeres usuais…

Recado aos papais e mamães: ganhem algo mais valioso do que uma Copa educando seus moleques

Lição de ouro desta Copa para os pais: ensinem os seus filhos a aprenderem a conviver com a derrota. Cansei de ver monstrinhos mal-educados, arrogantes e estúpidos, que foram mimados pelos pais e acham que nunca podem ser derrotados ou pensam que a culpa é de todos, menos deles.

É um momento importante, mas não apenas em nossa História. É uma oportunidade de você, pai e você, mãe, que errou muito até agora, mimou o seu único filho e criou a ilusão de que ele é mais poderoso que Zeus ou Odin. Corrija seu erro. Mostre-lhe que derrotas acontecem. Mostre-lhe que é absurdo ser um país que acha que tudo se resolve no tapetão.

Aproveite, papai. Aproveite, mamãe. Faça um bem para o seu filho e, de quebra, ajude o país a construir um capital humano melhor. A educação do seu moleque é de sua responsabilidade, não minha ou de meus colegas professores do ensino básico, médio ou superior. A gente só pode ensinar algumas coisas, mas não a importância de se cumprimentar as pessoas ou de se dar descarga na privada após o uso.

Sim, isto vale para qualquer pai e qualquer mãe. Tatuado(a), homo, hetero, com dois filhos, com um filho, de todas as cores, faixas de renda e regiões do Brasil.

Ganhe ao menos esta Copa.

Cinco coisas que já encheram o saco no marketing nas redes sociais

1. Os textos chamados “Sete coisas que você….”.

2. Os textos chamados “Cinco coisas que você…”.

Para começar, quem disse que sou analfabeto funcional e só preciso saber cinco ou sete coisas? Ok, serve para chamar a atenção, mas o uso correto é apenas para tal, não para dizer que eu só preciso saber uma quantidade ímpar (sic) de informações pois sou “analfa” funcional e esta é a era da informação acelerada. Deixa de ser preguiçoso e vá redigir um texto decente.

3. Os vídeos que dizem algo como: “XXX fez 1111, você não vai acreditar no que ele fez”.

Honestamente? Eu acredito em tudo. Como diria o vovô: já vi de tudo nesta vida.

As outras duas coisas estão no título só para você ver a porcaria que são estes títulos. Cansei.

A Abenomics…

Deve-se ter cuidado com manchetes como esta pelo simples fato de que ela olha para o curto prazo apenas. Afinal, sabemos que: (i) há vários setores (desagregação) e (ii) a relação entre curto e longo prazo se dá pelas expectativas.

Os dados originais estão aqui.