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Faça você mesmo o teste: a administração da Silva respeita a Constituição? Maio 11, 2008

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Marcelo Soares tem uma boa dica. Leia com cuidado e veja se a administração atual cumpre o que diz a Constituição.

Revista sobre blogs? Maio 11, 2008

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Pois é. Interessante. Leia-a aqui.

O problema da inscrição “grátis” e uma reflexão sobre blogs de economia Maio 11, 2008

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Pato, vizinho do Rabiscos, Pensando, Homo Econometricum e Oikos, tem uma boa questão para o ingênuo que acredita em almoço grátis.

Agora, algumas ruminadas minhas: é interessante como existem poucos blogs de economia feitos por alunos de economia na rede. Digo, alunos de graduação. Há alguns de gente que já passou por isto e continuou como o Raciocínios Espúrios, o blog do Cristiano Costa, o Moral Hazard, o Duke of Hazard, o Selva Brasilis e tantos outros. Mas, graduação, graduação mesmo, são poucos.

Um amigo meu falava sempre que gostava de pessoas interessantes e que tinha prazer em conversar com pessoas deste tipo. Nunca foi capaz (obviamente) de definir uma pessoa interessante. Mas eu digo o seguinte: blogs interessantes surgem quando existem duas pré-condições: (i) interesse no tema; (ii) bom nível de capital humano acumulado (e em acumulação, claro).

Isto me faz pensar um pouco no que diz o Bruno, lá na discussão sobre blogs. Nada que valha a pena uma reflexão maior, claro, mas existe um padrão interessante entre os blogs de economia que vejo por aí.

i) este blogueiro, modéstia a parte, é um dos precursores dos blogs de economia do Brasil;

ii) a maior parte dos jovens blogueiros de economia são oriundos do RS, não de SP ou RJ.

iii) esta distribuição vai da graduação a pós (como está claro nos exemplos acima).

Muito bem, muito bem. O que vejo? Pensando em blogs de economia feitos por alunos de economia, primeiro, não é necessariamente a riqueza que gera blogs (o argumento marxista: somente burgueses possuem blogs). Fato: não existem milhares de blogs de alunos e ex-alunos de faculdades privadas de economia caracterizadas por uma mensalidade polpuda, digamos assim. Segundo, não existe correlação entre blogs de economia de alunos de graduação e riqueza estadual. Talvez blogs - livres, independentes - como os dos alunos de economia sejam a melhor manifestação da qualidade do conhecimento individual.

Aí o que me deixa pensativo é: o que será que caracteriza o grupo do RS? Por que tantos blogs de lá e não de outro lugar? Será que o ensino de economia na UFRGS é diferente do resto do Brasil? Talvez não porque são poucos os alunos que fazem blogs voltados para economia. Seria o Fórum da Liberdade e o desejo de contestar o conhecimento mainstream que recebem na graduação? Se sim, qual o pensamento econômico dominante na graduação da UFRGS? Não sei. Ou será que o Pato, Guilherme, Philipe, Thomas, Diego e colegas são gente que começou a estudar economia para entender melhor a realidade em que vive? E como explicar o co-blogueiro (também com seu blog individual), o Homo Econometricum, que não é do RS? Finalmente: existem outros blogs de economia e estou é viciado nesta amostra? Pode ser.

Comentários que me ajudem a pensar no tema são bem-vindos. Pode vir até de piratas (endogenous joke).

Blogosfera Maio 11, 2008

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O Bruno está com uma interessante série de textos em seu blog sobre….os blog(ue)s! Interessante para quem não é veterano da área.

FARC: um exemplo a ser seguido Maio 10, 2008

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Uns meninos dizem por aí, sob os auspícios de professores de suposta tendência austríaca (não a econômica, mas aquela outra….humm….) que as FARC são um bom exemplo do renascimento socialista. Bem, eu não discordo. Não é lindo? Imagino o que se passa na cabeça de um destes supostos padres que apóiam as FARC, inclusive os que ganharam exílio no Brasil, com o apoio da ala histórica do partido do sr. da Silva (possivelmente alguns deles no tal partido do SOL…).

Não é lindo o silêncio do pessoal da esquerda nestas horas? Onde está nossa “velhinha de Taubaté” nestas horas? Provavelmente tocando um saxofone por aí…

É, escravo sexual nos olhos dos militantes de esquerda é refresco.

O problema Maio 10, 2008

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O problema nunca foi eleger um imbecil. O problema sempre foram os imbecis que tentam justificar o que o eleito diz….a qualquer custo. Gente assim é tão perigosa quanto um austríaco que prende a filha no porão.

Perguntas boas Maio 10, 2008

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Boas perguntas para os ingênuos e os safados. Dica do SB.

Austríacos Maio 9, 2008

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Higgs é um bom historiador (história econômica). Mas o Selva tem razão: o mantra não ajuda muito os austríacos.

Os eficientíssimos loiros dolicocéfalos de Oliveira Vianna e o “rent-seeking” Maio 9, 2008

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Oliveira Vianna errou em um monte de coisas. Se houvesse superioridade racial no Sul, proteção maternal-paternalista do governo seria algo impensável.

O vinho brasileiro poderá ter maior proteção tarifária para proteger a indústria nacional. Em reunião com representantes da cadeia produtiva do setor e com os deputados Pepe Vargas (PT-RS) e Henrique Fontana (PT-RS), o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, acenou com medidas pontuais para evitar que as importações prejudiquem as vinícolas brasileiras.

O governo cobrou dos produtores um plano para o setor, que permita enfrentar melhor a concorrência estrangeira. O ministro indicou que, a depender de negociações com a Argentina, sócio no Mercosul, e o Chile, com quem o país tem acordo de livre comércio, poderá até aplicar mecanismos de “valoração aduaneira”, pelos quais a Receita Federal fixaria preços mínimos de importação, para evitar subfaturamento e fraude nos vinhos importados dos dois países.

Maluco mesmo é lembrar do discurso bairristóide que muitas vezes ouvi lá: “a culpa do partido do sr. da Silva é que a cúpula tem muito paulista e poucos gaúchos”. Empresários gaúchos, Fórum da Liberdade…IEE e IL-RS, manifestem-se!

Salvar o capitalismo dos capitalistas é o trabalho do IEE, IL-RS, IL-RJ, Instituto Millenium e, agora, do braço virtual do CATO, o Ordem Livre.

Sim, sim, Oliveira Vianna era mulatinho, mulatinho (e, ironia das ironias, não precisou de quotas raciais para chegar onde chegou…para espalhar suas teses sociológicas estranhas e de tom racista, fosse isto a moda da época ou não).

Etanol e você Maio 9, 2008

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Blaming ethanol is an effort to divert attention from soaring oil prices, which bear far more responsibility for high food costs, Dinneen said. He argues that ethanol lowers the price of gasoline and therefore has a positive effect on food prices.

Corn producers say they are wrongly accused of profiting from the crisis. “We’ve been in a situation of ‘exactly when was it that you stopped beating your wife?’” said Jon Doggett, vice president for public policy at the National Corn Growers Association. “Our members are frustrated.”

High commodity prices are not playing a significant factor in the food price spikes, he said. “We are trying to explain to folks how little corn is in a box of corn flakes.”

He also pointed to hedge funds, saying they drive up prices through speculation.

While lobbyists — and economists — disagree about the impact of ethanol, most experts seem to agree that the biggest factor in the price hikes is the rising demand for food by China, India and other countries with booming economies.

Etanol, preços dos alimentos, etc. O que você acha disto? Leia a notícia toda.

Caplan e a gasolina Maio 9, 2008

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O fundo é soberano, mas o indivíduo é serviçal Maio 8, 2008

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A Janaína Leite fez um bom comentário sobre esta idéia dos economistas da administração da Silva de criar um tal fundo soberano. Dá uma lida lá.

Democracias menos liberais são também as mais falidas? - o argumento anti-mercado Maio 8, 2008

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Como sabem os leitores deste blog, um argumento comum ouvido entre as trincheiras não-liberais (sem dados para comprovar a tese, claro, mas com muito líder sindical em cima de caixotes bradando como Mussolini) é o de que o comércio “escraviza e destrói”. Para esconder as mamatas que recebem do governo, espalham por aí que o individualismo é uma ficção ou um pecado.

Pois bem, o gráfico abaixo não tem mais do que 2000 caracteres, mas mostra uma correlação entre dois rankings. Em um deles, o Sudão está entre os primeiros (estados falidos). No outro, os EUA está entre os primeiros (condições favoráveis a criação de empresas…privadas).

Se há alguma explicação para este gráfico, eu arriscaria que governos mais falidos, aqueles que maltratam mais sua população, que são péssimos provedores de bens públicos, são também os que mais dificultam a criação dos mercados.

Pergunte ao seu professor: por que poderia haver uma relação como esta, do gráfico acima, se todo mundo diz que liberalismo só é compatível com sociedades que oprimem os cidadãos?

Por que pesquisas científicas não podem depender de um suposto planejador benevolente apenas? Maio 6, 2008

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Este artigo - coloquei o link há pouco, aí embaixo - mostra bem algo que já discuto há algum tempo na blogosfera (com o Adolfo Sachsida apenas, creio) e com colegas. Há um problema sério em se depender de fundos públicos para se fazer pesquisa. Ok, o problema não é depender de um fundo público, mas de um único fundo. Por que? Porque o dono da grana pode recusar projetos de pesquisa só por preferências ideológicas.

Nos anos 90, uma colega minha pediu bolsa a uma fundação estadual de pesquisa. Iria para Columbia, nos EUA, estudar Finanças. Recebeu um parecer desfavorável (virou folclore esta história, eu sei) de um sujeito que dizia ser a UNICAMP já um centro especializado no estudo de Finanças. Obviamente, o infeliz que deu este parecer confunde Hilferding com um modelo CAPM ou, quiçá, um parafuso enferrujado.

Isto deixou minha colega arrasada por muito tempo. Nunca alguém pagará o mal que lhe foi feito. Absurdo, eu sei. O artigo citado acima mostra algo similar, nos EUA. Eu duvido que uma proposta de pesquisa (se bem que, uma vez publicado aqui este texto, a estratégia ótima seja aprovar o que vou propor aqui e depois dificultar ao máximo meu trabalho, de forma lenta e gradual…) que, por exemplo, proponha-se a mostrar falhas na alocação dos recursos públicos como a que eu citei seja aceita…por uma agência pública de fundos de pesquisa.

Se você acha que gente da Academia é neutra e honesta, pura e sinceramente buscando o “saber” (ou o “Saber”, vai saber…), infelizmente você está enganado. Basta ir a uma única reunião de departamento (ou do sindicato) para descobrir a verdade elementar: acadêmicos também respondem a incentivos.

Leia o artigo acima. Vale a pena. Ele ensina, inclusive, como a perseverança pode fazer com que você faça sua pesquisa, mesmo a despeito destes absurdos cometidos por gente que se diz melhor que um bode e que pretende ter um voto tão valioso quanto o seu. Sorte a deles que o critério de ponderação não é o da eficiência econômica senão…

Eu também quero uma boquinha Maio 6, 2008

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“O governo federal tem tentado criar as condições para salvar a Gradiente… Luciano Coutinho, presidente do BNDES, é um companheiro que está tentando ajudar, nós vamos fazer o que estiver ao nosso alcance para ajudar a Gradiente a voltar a produzir e a gerar empregos”, afirmou Lula durante seu discurso, distribuído pela assessoria da Presidência.

Muitas vezes o papel do SERVIDOR público é manter-se silencioso ante à pressão dos interesses organizados. Falar, creio, pode atrapalhar. Declaração complicada esta. BNDES voltou a ser hospital de empresas privadas? Por falar em BNDES, eis aqui a origem de vários dos comentários ignorantes (que ignoram o assunto) e mal-educados que aparecem neste e em outros blogs de vez em quando.

Nunca antes na história deste país o pessoal sério do BNDES se sentiu tão mal…

Eu gostaria de ter alunos num programa deste Maio 6, 2008

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Muito melhor do que uma viagem a passeio (em termos de aprendizado).

Diego não entendeu Maio 6, 2008

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Tenho um problema de firewall aqui, mas acho que o Diego não entendeu o que eu escrevi. Diego acha que eu defendi “veemente” os professores em meu comentário ao texto do Philipe.

Diego, dá uma lida no texto. Veja lá o que eu falei sobre meus antigos professores (alguns deles). Se você achou uma defesa “veemente”, ela está no final, quando falo do que penso ser o mínimo de um professor bom (estes que você e o Philipe (e eu) defendem(os)).

Corporativismo não mora aqui não, amigo.

UPDATE: Diego e Philipe parecem ter pensado que meu primeiro parágrafo se referia ao Philipe (o meu pessimismo quanto aos alunos…). Claro que não me referia ao distinto. Tratava-se de uma introdução mais geral sobre o problema. Esclarecido o ponto, seguimos em frente.

Notícias estranhas Maio 6, 2008

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O simpático “Refém do Estado” chama a atenção para uma notícia interessante. Vamos à reprodução:

Esse país realmente é uma maravilha. Olha que lindo:

Aluno é condenado por criticar coordenadora.

Ele disse que ela era péssima. Tadinha. Deve ter ficado uma semana sem dormir.

Agora tá explicado porque tem tanto aluno defendendo o professor Carlão. Se alguém disser que ele é péssimo é capaz de pegar a cadeira elétrica.

Se você seguir o link, descobrirá que o aluno criticou a coordenadora - segundo consta a notícia - chamando-a de “péssima coordenadora”. Em seguida, o aluno processado me vem com esta de que a culpa da multa é da “mercantilização do ensino”.

Outro que troca os pés pelas mãos, pelo visto. Vamos ao que penso.

Primeiro, parece-me razoável que assuntos internos a uma empresa privada sejam resolvidos entre os envolvidos. É muito mais barato, inclusive, para todos, se ambos chegam a um acordo. Normalmente é assim que funciona. Vamos supor que o aluno realmente apenas chamou a coordenadora de “péssima”. Não acho que seria um motivo para processo. Usar a Justiça para resolver qualquer probleminha é típico do pensamento não-liberal que, ao contrário do que diz, desconfia das pessoas e sempre insiste em algum suposto “direito adquirido” porque “é preto (ou afro-descendente, vá lá)”, “é pobre”, “é socialmente bonito”, etc. Quando a lei é criada para grupos específicos, aumenta o risco de diminuição das liberdades individuais, inclusive a do aluno ou da professora envolvidos.

Então, inicialmente, eu acho que crítica não é o problema mas não acho que uma crítica destas gere tamanha comoção. Ou há algo mais ou a professora, como diz o “Refém”, pisou na bola fortemente pois acredita que o Estado deve resolver pendengas cujo custo é predominantemente privado, com poucas externalidades.

Por outro lado (o famoso “em segundo lugar…”), não é possível entender o argumento do aluno. Quer dizer que ele ser processado é culpa da “mercantilização do ensino”? A notícia não nos dá mais detalhes mas até onde sei, a Justiça é um monopólio do Estado. A queixa é tão estapafúrdia que ignora outras características que também são de responsabilidade individual. Vejamos, se eu sou contra o ensino pago, por que eu faria um vestibular de uma faculdade privada? Uma vez aprovado, por que eu me matricularia lá? Não faz sentido. Aliás, como já disse aqui ontem ou anteontem, o ensino universitário privado cumpre um papel social importante. Se você não gosta de uma faculdade privada, esforce-se para estudar em uma universidade pública.

De tudo isto, só há o que lamentar. A lei não deveria ser invocada para resolver problemas onde as externalidades são desprezíveis (ou então o jornal não nos contou tudo sobre a queixa do aluno anti-mercado). Por outro lado, a queixa do aluno - se realmente é apenas o que diz a notícia - passa longe da argumentação lógica e mostra um ódio pela faculdade que o aceitou como aluno que poderia ser resolvido de forma muito mais simples com o bom e velho mecanismo Tieboutiano.

Mais um número deste excelente periódico (Econ Journal Watch) Maio 6, 2008

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In This Issue:

Welcome to the May 2008 issue of Econ Journal Watch. EJW is a triannual peer-reviewed journal for scholarly commentary on academic economics.

Our articles are organized into thematic Sections. Each Section can be accessed by clicking on the links running across the top of the page: Comments, Economics in Practice etc. Each Section contains articles in Adobe pdf format, which can be viewed individually. Or, click on the link at the bottom of this page to download and print the entire document as a single pdf file (134 pages).

Table of Contents with links to articles (pdf)

Comments

Investigating the Apparatus

Character Issues

Download and Print Entire May 2008 Issue (134 pages, 1.8 MB)

Ensino superior - o buraco é mais embaixo… Maio 6, 2008

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Questão de incentivos, eu diria:

Professores matões

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escrito por Philipe Berman - 10:14 AM

Já falei diversas vezes aqui no blog sobre a decadência das universidades federais no Brasil. Se as privadas estão deixando a desejar, as públicas embarcam no mesmo barco. Minha namorada estuda na UFRGS e tem duas disciplinas nas segundas-feiras. Ontem de manhã, o professor não apareceu por que disse estar doente. Toda a turma compareceu, mas o departamento não colocuo um substituto. Na cadeira da noite, a professora compareceu ao local da aula, mas se irritou devido à ausência do retroprojetor. Resultado final, ela mandou todo mundo embora pra casa e não deu aula. Ora, todos que estudaram em universidades estatais sabem que falta material de apoio, mas usar isso como desculpa para deixar de realizar o seu trabalho é coisa de vagabundo.

Minha namorada me ligou na hora, com raiva e nervosa. Perguntei a ela se alguém havia reclamado sobre o ocorrido, mas parece que onde ela estuda houve casos nos quais alguns alunos que reclamaram das aulas e da ausência dos professores foram prejudicados nas avaliações finais. Como sempre, a culpa pela educação no Brasil é do aluno. Se não for, punamos eles mesmo assim, afinal, pra quem eles vão reclamar?

Quem disse isso foi o Philipe. Honestamente, fiquei surpreso.  Leo Monasterio sempre me diz que tenho uma visão muito pessimista dos alunos. Faz algum sentido. Estudei e agora leciono há mais de dez anos. Não é difícil ver que boa parte dos alunos só reclama para facilitar a própria vida, não para fazer jus ao que pagam de mensalidade (que é o direito de estudar e se submeter a testes de aferição do conhecimento individual).

Sim, já vi gente séria reclamando como o Philipe. Lembro-me de um professor de Economia Brasileira que vivia faltando aulas porque, dizia ele, tinha enxaqueca. Numa destas, eu o encontrei no setor de “xerox” da faculdade, feliz e contente. Claro que começou a se sentir mal, “supostamente”. Outro professor gente boa era o de Setor Público, que, como trabalhava para o governo estadual, mais matava aula do que lecionava. Pelo menos nunca foi injusto na cobrança, mas paguei o preço: só fui aprender sobre o tema no mestrado, em desvantagem com meus colegas.

Creio que a namorada do Philipe realmente tem porque ficar nervosa. Espero que também não seja como alguns alunos que, morando a 15 minutos da faculdade, chegam com 40 minutos de atraso. Vejo muito isto e realmente me pergunto sobre a importância que um sujeito dá ao estudo (sinalização com informação assimétrica ou aumento de produtividade?).

Quanto aos professores, sim, como já disse aqui antes: professor é um cara que se respeita…quando ele cumpre suas tarefas. Quais são suas tarefas: (i) preparar aulas; (ii) preparar exercícios); (iii) cumprir horário (se a matéria adiantar e o programa for factível, ok, senão, não); (iv) escrever no quadro e (v) responder perguntas que não atrasem excessivamente o andamento da matéria. Simples assim.

Você pode ser um iconoclasta e um anarquista intelectual, mas respeito é bom e todos gostam. Não são conceitos mutuamente exclusivos.