Para a galera da 109!

Então pessoal, o R nos deixou. Por mais triste que isso pareça ser, não há motivos para pânico. O Stata é muito bom. O problema é que é pago e a licença não é das mais baratas, mas enfim, essa é a vida.

Segue abaixo os comando necessários para resolver o exercício empírico 10.2 do livro Introduction to Econometrics 3rd Edition, Stock and Watson. A ideia inicial era fazer algo mais completo, mas como meu tempo está curto vou colocar só os comandos e as saídas. A ideia é facilitar a vida de quem quer estudar e não entregar tudo de mão beijada. Sou aluno da matéria também, aprendo fazendo isso e a intenção principal é essa, então, a probabilidade de surgirem outros posts como esse é alta.

Os dois últimos itens do exercício vou ficar devendo. São quase 21:00 de uma quinta feira e estou na faculdade ainda, trabalhei a tarde inteira e estou um pouco cansado. Queria estar com a minha namorada agora, mas como não tenho uma, fico com a econometria mesmo.

Vamos lá!

Os acidentes automobilísticos são os principais causadores de mortes entre os americanos com idade entre 5 e 32 anos. Através de alguns incentivos políticos, o governo federal tem encorajado os estados a criarem uma lei que torne o uso do cinto de segurança obrigatório. Neste exercício iremos analisar o quão eficientes essas leis têm sido em aumentar o uso do cinto e diminuir o número de fatalidades. No site do livro http://www.pearsonhighered.com/stock_watson você encontrará o link da base de dados Seatbelts que contem os dados em painel de 50 estados mais o distrito de Columbia para os anos de 1983 até 1997.

1) Estime o efeito do uso do cinto de segurança na taxa de fatalidade regredindo FatalityRate em sb_useage, speed65, speed70, ba08, drinkage21, ln(income) e age. O resultado da estimação nos sugere que o uso do cinto de segurança reduz o número de fatalidades?

Vou colocar um “.” na frente dos comando para melhorar a visualização.

. encode state, gen(state1)
. xtset state1 year
. gen lnincome=ln(income)
. regress fatalityrate sb_useage speed65 speed70 ba08 drinkage21 lnincome age



Source |       SS       df       MS              Number of obs =     556
-------------+------------------------------           F(  7,   548) =   95.41
       Model |  .007711649     7  .001101664           Prob > F      =  0.0000
    Residual |  .006327757   548  .000011547           R-squared     =  0.5493
-------------+------------------------------           Adj R-squared =  0.5435
       Total |  .014039406   555  .000025296           Root MSE      =   .0034

------------------------------------------------------------------------------
fatalityrate |      Coef.   Std. Err.      t    P>|t|     [95% Conf. Interval]
-------------+----------------------------------------------------------------
   sb_useage |   .0040684   .0012158     3.35   0.001     .0016803    .0064565
     speed65 |   .0001479   .0004029     0.37   0.714    -.0006436    .0009394
     speed70 |   .0024045   .0005112     4.70   0.000     .0014003    .0034086
        ba08 |  -.0019246   .0004447    -4.33   0.000    -.0027982    -.001051
  drinkage21 |   .0000799   .0008756     0.09   0.927    -.0016401    .0017998
    lnincome |  -.0181444   .0009311   -19.49   0.000    -.0199733   -.0163155
         age |  -7.22e-06   .0001089    -0.07   0.947    -.0002212    .0002067
       _cons |   .1965469   .0082232    23.90   0.000     .1803941    .2126998
------------------------------------------------------------------------------

2) Os resultados mudam quando se usa efeito fixo? Tente explicar de forma intuitiva porque os resultados mudam. (Lembre-se do viés de variável omitda..)

. xtreg fatalityrate sb_useage speed65 speed70 ba08 drinkage21 lnincome age, fe vce(cluster state1)

Fixed-effects (within) regression               Number of obs      =       556
Group variable: state1                          Number of groups   =        51

R-sq:  within  = 0.6868                         Obs per group: min =         8
       between = 0.1957                                        avg =      10.9
       overall = 0.3896                                        max =        15

                                                F(7,50)            =     96.72
corr(u_i, Xb)  = -0.1332                        Prob > F           =    0.0000

                                (Std. Err. adjusted for 51 clusters in state1)
------------------------------------------------------------------------------
             |               Robust
fatalityrate |      Coef.   Std. Err.      t    P>|t|     [95% Conf. Interval]
-------------+----------------------------------------------------------------
   sb_useage |  -.0057748   .0016693    -3.46   0.001    -.0091276    -.002422
     speed65 |   -.000425   .0004555    -0.93   0.355    -.0013399    .0004898
     speed70 |   .0012333   .0003483     3.54   0.001     .0005337    .0019329
        ba08 |  -.0013775   .0003751    -3.67   0.001    -.0021308   -.0006241
  drinkage21 |   .0007453   .0007184     1.04   0.305    -.0006976    .0021883
    lnincome |  -.0135144   .0023849    -5.67   0.000    -.0183047   -.0087241
         age |   .0009787   .0007461     1.31   0.196    -.0005199    .0024772
       _cons |   .1209958   .0184235     6.57   0.000     .0839912    .1580005
-------------+----------------------------------------------------------------
     sigma_u |  .00383103
     sigma_e |   .0017871
         rho |  .82128567   (fraction of variance due to u_i)
------------------------------------------------------------------------------

3) Os resultados mudam quando se usa efeito fixo no estado e no tempo?

. areg fatalityrate sb_useage speed65 speed70 ba08 drinkage21 lnincome age, absorb(state1) vce(cluster state1)

Linear regression, absorbing indicators           Number of obs   =        556
                                                  F(   7,     50) =      87.90
                                                  Prob > F        =     0.0000
                                                  R-squared       =     0.8867
                                                  Adj R-squared   =     0.8737
                                                  Root MSE        =     0.0018

                                (Std. Err. adjusted for 51 clusters in state1)
------------------------------------------------------------------------------
             |               Robust
fatalityrate |      Coef.   Std. Err.      t    P>|t|     [95% Conf. Interval]
-------------+----------------------------------------------------------------
   sb_useage |  -.0057748    .001751    -3.30   0.002    -.0092919   -.0022577
     speed65 |   -.000425   .0004778    -0.89   0.378    -.0013847    .0005346
     speed70 |   .0012333   .0003654     3.38   0.001     .0004994    .0019671
        ba08 |  -.0013775   .0003935    -3.50   0.001    -.0021677   -.0005872
  drinkage21 |   .0007453   .0007536     0.99   0.327    -.0007684     .002259
    lnincome |  -.0135144   .0025018    -5.40   0.000    -.0185394   -.0084894
         age |   .0009787   .0007826     1.25   0.217    -.0005933    .0025507
       _cons |   .1209958   .0193262     6.26   0.000      .082178    .1598137
-------------+----------------------------------------------------------------
      state1 |   absorbed                                      (51 categories)

4) Qual das especificações usadas até o momento se aproximam mais da realidade? Por quê?

Pense que o uso de efeitos fixos, tanto no tempo quanto nos estados, nos ajudam a medir variáveis que não são observáveis, mas caso sejam omitidas, geram viés em nossa análise e jogam o trampo todo no lixo. O habito dos habitantes de cada estado em relação ao uso do cinto de segurança pode ser uma variável fixa no tempo, mas não entre os estados enquanto uma lei federal que obrigue todos os estados a fiscalizar o uso de cinto de segurança pode ser uma variável que varia no tempo, mas não entre os estados. Logo, por levar em consideração o efeito de variáveis não observáveis, o terceiro modelo se aproxima mais da realidade.

Todo mundo usando cinto!

Todo mundo usando cinto!


5) Usando os resultados obtidos na questão 3, analise o valor do coeficiente de sb_useage. É grande? Pequeno? Quantas vidas seriam salvas se a taxa do uso de cinto de segurança subisse de 52% para 90%?

Para responder a pergunta é necessário entrar em alguns detalhes à respeito da base de dados. Esses “detalhes” você encontra no link Seatbelts_Description, no site do livro que está no enunciado da questão.

Bom pessoal, espero ter ajudado. Mesmo.

Gostei do Stata. No R, como há maior “liberdade” para trabalhar e criar, as coisas acabam sendo mais intuitivas, o que facilita um pouco. Andei olhando alguns fóruns na internet e pude perceber que o Stata está presenta em muitas universidades dos EUA e da Europa, então, é um privilégio também ter acesso a essa ferramenta. Até agora vimos o Eviews na Econometria 1, o R na Econometria 2 e o Stata na Econometria 3, o que é muito bom.

Enfim, é isso ai pessoal. Um abraço.

Mnemotécnicas pedagógicas que deveriam ser aplicadas a alguns candidatos

Puxar a orelha – Era uma invocação à Deusa da Memória, atendida pela conservação imediata do que se procurava reter mentalmente. Fórmula especial de pedir intervenção sobrenatural de Mnemósine, Deusa da Memória e Mãe das Musas. O castigo de “cortar as orelhas”, uma ou ambas, antiqüíssimo e comum, punia a quem não ouvira, entendera, cumprira a voz da Lei. Puxar a orelha correspondia a uma mnemotécnica pedagógica. [Cascudo, Luís da Câmara (1986) Locuções tradicionais no Brasil. Itatiaia/EDUSP, p.220]

“Não aprenderam ainda o que é a independência do Banco Central, candidatos(as)?? Devo puxar-lhes as orelhas mais uma vez?”

Instituições importam? Por que o Brasil pode piorar muito se um dos candidatos ganhar?

O Leo Monasterio reclamou outro dia da desconsideração do problema institucional. Trecho:

No fim dos anos 80, eu ouvi de um professor meu (eu acho que foi o Barros de Castro) : “E se depois da inflação acabar descobrirmos que o problema do Brasil não é esse? E se descobrirmos que nem temos o caos inflacionário como desculpa?”
A realidade mostrou que a estabilidade foi condição necessária, mas não suficiente para o país tomar jeito. Hoje existem dois entraves consensuais ao crescimento: 1) infra-estrutura; 2) educação. A infra-estrutura é um gargalo óbvio e eu não tenho nada a acrescentar. A minha dúvida é sobre a educação.
Meu medo: fazemos um choque de educação, aumentamos o número e a qualidade do ensino e aí… nada acontece. Depois de 20 anos descobriremos que nossas instituições são uma porcaria e impedem o desenvolvimento econômico. Perceberemos que o acúmulo de coalizões distributivas* nos tornou incapazes de fazer as reformas urgentes.

Ele tem razão. Só educar não basta. Há várias formas de se mostrar isto e geralmente eu tentaria fazê-lo aqui. Mas basta lembrar dois fatos que li hoje: (a) a insanidade do governo argentino, que não mede esforços em destruir a cooperação dos indivíduos – algo próprio das economias de mercado com limitações de margens de lucro (algo similar ao que o caótico governo venezuelano faz com seu próprio povo e, (b) o tratamento que o governo iraniano – este, que muitos de nossos diplomatas governistas adoram louvar como aliado e exemplo a ser seguido (sei lá em que áreas…) – deu aos perigosíssimos jovens que resolveram dançar Happy de Pharrell Williams.

Aí você me pergunta: e o Brasil? Está longe disto? Olha, eu estava pronto para dizer que sim, mas aí nosso governo forçou a barra para demitirem uma funcionária de um banco, nosso Banco Central tentou calar um de seus críticos (de forma muito seletiva, porque há críticos muito mais virulentos que não mereceram a atenção dos atentos encarregados do Banco Central…) e agora, claro, o governo – com a aprovação de seus militantes (pergunte a um deles se ele é contra este tópico do discurso: não encontrei um que saísse fora da partitura…) ataca um patrimônio de anos e anos de trabalho de economistas e funcionários públicos brasileiros: a política monetária moderna, isto é, a que se faz com um Banco Central independente (ou autônomo, ou independente de facto, etc).

Então, não, não estamos tão longe assim. Muita gente ajudou a piorar a situação e, como sabemos, os incentivos importam.

Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério:
que ele traiu Jesus Cristo,
tu trais um simples Alferes.
Recebeu trinta dinheiros…
– e tu muitas coisas pedes:
pensão para toda a vida,
perdão para quanto deves,
comenda para o pescoço,
honras, glórias e privilégios.
E andas tão bem na cobrança
que quase tudo recebes!
[Cecília Meireles, O Romanceiro da Inconfidência]

Não é mesmo?

Algumas coisas óbvias que alguns candidatos não entendem porque estão de má fé ou são ignorantes

Ignorantes ignoram, por definição. Má fé, ah, má fé é muito chato. Mas eis algumas coisas óbvias que alguns candidatos ou ignoram por ignorância ou por má fé: a relação entre juros altos e bancos. Nada de gráficos, equações ou termos técnicos. O que vamos perder pela falta de exatidão, espero, ganharemos em clareza na visão do todo. Serve como um passo inicial para se desfazer das mentiras.

Vou explicar de maneira (excessivamente) simples. Peço desculpas antecipadas aos leitores do blog. Então, vamos lá: um governo se financia com impostos. Para que? Para gastar. Com o que? Não interessa. Ele gasta. Ponto. Ah sim, ele pode vender patrimônio – privatizar – mas patrimônio, um dia, acaba. Então, tem que viver de impostos.

Mas impostos não precisam ser criados para cobrir gastos em um único mês, trimestre ou ano. Veja, você ganha um salário, gasta metade dele e, em três meses, paga a prestação de sua dívida. Certo? Assim também é com o governo. Então o governo se endivida como você? Sim. Ele quer gastar mais do que pode e não consegue aumentar os impostos sobre você e seus amigos porque senão vocês teriam, digamos, 100% de sua renda tributada. Seria a escravidão e o nosso Judiciário ficaria muito sem graça e ressentido de ter que admitir que parte de sua remuneração viria de um regime pré-Princesa Isabel. Entendeu?

Bom, como é que o governo se endivida? Como você e como empresas: lança títulos no mercado e promete pagar juros. Caso tenha fama de mau pagador, tem que oferecer juros altos e prazos curtos. Que aposentado, jovem ou trabalhador emprestaria a um governo assim? Perder o seu suado dinheiro em papéis podres? Nem pensar, não é? Bom, então, o governo oferece juros altos.

Do lado do senhor e da senhora, aposentados, estudantes, militante virtual que recebe R$ 100,00 por mês para difamar pessoas (sim, eles existem), dono de padaria e funcionário público, enfim, do lado de gente que poupa, você não vai encontrar ninguém que queira perder dinheiro no banco. São estes, sim, os verdadeiros gananciosos que desejam colocar R$ 1.00 no banco e tirar, no mês seguinte, pelo menos R$ 1.00 ou mais de R$ 1.00. Está claro?

Pois é. Então o sujeito, pai de família, que trabalha no banco e assiste propaganda eleitoral estúpida, tem que ajudar estas pessoas fazendo com que seu dinheiro renda algo acima, pelo menos, de zero e, melhor ainda, mais do que a inflação. É o trabalho dele. Ele só o tem se coopera com as pessoas ajudando-as a ganhar mais. É um trabalhador como outro qualquer.

Aí ele olha os títulos no mercado. Geralmente os rendimentos que se prometem não são altos e os prazos são longos. Mas lá está o governo do ministro Mantega lhe oferecendo títulos com juros mais altos. O que ele faz? O mesmo que você: compõe uma carteira com estes títulos. Todos ficam felizes, não é? O governo se financia, o sujeito do banco garante mais um tempo de salário e os eleitores ganham um rendimento ali, no limite, quase acima da inflação ou algo melhor: depende da composição da carteira.

Agora, antes de falar de pseudo-conceitos científicos – mas populares entre jornalistas, políticos e economistas ignorantes – pense um pouco: a quem interessa uma taxa de juros alta? E olha que eu nem falei da inadimplência e outros fatores. O fato é que é o governo, sim, um dos grandes responsáveis pela elevada taxa de juros e isto não é porque o Banco Central é autônomo, independente, magnético ou diabético. Mais do que isso, todo chorão que reclama de juros altos os adora quando é hora de receber rendimentos de fundos de aplicação. Sim, boa parte dos chorões é hipócrita e mentirosa, mas há os que são enganados por este discurso…até hoje.

Por que o governo gasta? Por que tudo isto? Bom, isto é outra discussão. A de hoje é apenas esta: lembrar a você que a “ganância” do “capitalismo” é exatamente o que faz seu professor – que maldiz o mercado – aplicar nos fundos que aplica. Não tem nada demais nisto. Além disso, o governo, que ele tanto ama, é o mesmo que gera juros altos. Olha, eu nem falei da insegurança que ataques ao banco central por parte de gente que deveria defendê-lo, ou seja, gente do governo, causam nas taxas de juros. Mas eu explico rapidinho com um exemplo.

Suponha que eu seja o cara mais confiável do bairro e que os pais me pedem para buscar seus filhos na escola. Carona solidária.Tudo vai bem até que um dos pais que topou o arranjo espalha o boato de que maltrato a meninada ou que sou um pedófilo. Veja, não é alguém de fora que diz isso, mas um dos pais envolvido no acordo informal. 

Ele põe em cheque minha capacidade de ajudar os pais trazendo seus filhos de volta para casa. O que acontecerá? Terei que gastar meu tempo desfazendo boatos. Talvez tenha até que cobrar para buscar os meninos e criar um contrato legal – aumentando custos – para mostrar que sou uma pessoa confiável. No limite, posso até perder amigos, mas o fato é que o custo de continuar fazendo o transporte aumentará. 

Bem, um banco central cuja autoridade é questionada por quem está no governo só tem duas opções: assumir que é o que não é e curvar-se ao governo ou mostrar que é autônomo e…aumentar os juros.

Estamos conversados?

Federalismo fiscal e dotações…na história econômica do Brasil

Endowments, fiscal federalism and the cost of capital for states: evidence from Brazil,1891-1930
ANDRÉ C. MARTINEZ FRITSCHER and ALDO MUSACCHIO

There is a large literature that aims to explain what determines country risk (defined as the difference between the yield of a sovereign’s bonds and the risk free rate). In this article, we contribute to the discussion by arguing that an important explanatory factor is the impact that commodities have on the capacity to pay. We use a newly created database with state-level fiscal and risk premium data (between 1891 and 1930) to show that Brazilian states with natural endowments that allowed them to export commodities that were in high demand (e.g. rubber and coffee) ended up having higher revenues per capita and lower cost of capital. We also explain that the variation in revenues per capita was both a product of the variation in natural endowments (i.e. the fact that states cannot produce any commodity they want) and a commodity boom that had asymmetric effects among states. These two effects generated variation in revenues per capita at the state level thanks to the extreme form of fiscal decentralisation that the Brazilian government adopted in the constitution of 1891, which gave states the sole right to tax exports. We also run instrumental variable estimates using indices of export prices for each state. These estimates confirm our findings that states with commodities that had higher price increases had lower risk premia.

Por isso é que eu gosto de história econômica: dotações, federalismo e testes de hipóteses…tudo isto em um só texto. Muito bom.

Momento Reflexão do Dia – Veia tenebrosa

Dia destes eu estive em um laboratório, para fazer exames de sangue. Geralmente é a mesma moça que colhe meu sangue mas, neste dia, foi outra.

- O senhor me desculpa, não estou achando a veia…
– Imagina, fique à vontade.
– Está difícil…nossa…o senhor é vampiro, morto-vivo ou algo assim?
– Quase. Sou professor.
– Ah, entendi.

A moça desistiu. Entregou para Deus, chutou o balde, enfim, cansou. Pediu mil desculpas e chamou uma outra que parecia ser a oficial sênior do pedaço.

- Muito prazer. A agulha está esterilizada…
– Ok, tudo bem. Mas é que tenho que trabalhar, quer dizer, dar aula.
– Vou achar. Ah, aqui está.

Neste momento, vem outra moça – é, já eram três assistindo – e me cumprimenta.

- Ora, tudo bem?
– Tudo bem! Como vai?
– Bem, e o senhor, novamente aqui…

Virou-se, então, para as outras, e disse:

- Ele sempre vem aqui. A veia dele é tenebrosa.

E a outra arrematou:

- Difícil de ver.

E a terceira, assustada, quase em pânico:

- É verdade…professores, eles não têm coração…onde está o sangue??

Tive que assumir o leme da nau:

- Ora, não se preocupe. Meus alunos sempre me perguntam se tenho coração. Óbvio que já tive. Algum dia. Com tantas mentiras e dissabores que vivenciei e vivencio na faculdade, o coração endureceu. Não bombeia mais nada. Acho que se procurar, acharemos um pouco de sangue. Tomara que dê para fazer os exames…

- E não dá para trocar? – Perguntou uma delas.

- Nada. Passou da validade. Além disso, os alunos adoram. É um motivo a mais para usarem como justificativa: “o professor não tem coração, ele derrubou o avião do Eduardo Campos, ele matou Kennedy, etc, etc”. É um festival de besteiras. A gente se diverte. De uma forma triste, eu acho, mas é divertido.

- Deve ser difícil ensinar, não? – Disse-me outra.

- Olha, é. A gente dá o sangue. Quer dizer. Eu já nem tenho mais sangue para dar. Cutuca aí para ver se sai algo.

Foi quando alguma delas percebeu.

- Não precisa mais apertar a mão. Acho que encontrei uma veia. Parece que ainda tem sangue. Será que posso?

- Claro, claro. Mas cuidado. Caso ainda haja um coração em mim, ele poderá precisar do sangue. Se bem que vou dar aula a manhã inteira. Não, não, pode tirar tudo.

Veia tenebrosa…é, estou na profissão certa. Tiram-me o sangue de todos os lados. Pagam-me o valor correto por ele? Talvez. Vai saber.

Bocó!

Bobo, palerma, abestado, boca-aberta. Bolsa de lona, couro, crosta de tatu, levada a tiracolo nas caçadas. Não tendo tampa, o bocó está sempre aberto, sugerindo a figura pacovia do bobo, de boca entreaberta numa admiração contínua. Apodo correspondente ao “Boca de aruá” nordestino. [Cascudo, Luís da Câmara (1986) Locuções tradicionais no Brasil. Itatiaia/USP, p.194]

image

A análise científica requer mais do que apenas palavras ou estatística? Sim!

Tenho dito sempre aqui que uma correlação não faz verão. Recentemente, meu aluno Thomaz voltou a publicar no blog e, o que é sempre bom, o texto gerou uma saudável polêmica porque, em resumo, ele tentou sustentar sua tese com uma vaga correlação. O debate que, infelizmente, ficou no Facebook e não aqui, seguiu-se com intervenções de Pedro Sant’Anna (co-criador do Nepom), Regis (PPGOM-UFPel) e, claro, este que vos fala.

Existe, claro, uma questão de custo de oportunidade quando se fala em qualquer decisão humana (e não-humana…vide Freakonomics), inclusive a de se publicar textos em blogs. Quem me acompanha há mais tempo sabe que já cometi erros aqui, já exagerei acolá e, com o passar do tempo, tornei-me mais preocupado em esclarecer ao leitor as limitações do que coloco aqui. Não sendo perfeito, obviamente, devo sempre assumir meus erros e omissões.

Mas eu queria apenas voltar ao tema usando um exemplo prático, um case, como disse o Thomaz na polêmica. Aliás, este é um meta-case, já que vou usar um texto (case) para ilustrar o problema.

Lembremos do (mau) uso da estatística em um outrora celebrado autor das sociais, o famoso Oliveira Vianna. O trecho que vou citar a seguir tem um pouco de tudo. No caso, ele se remete não apenas às suas tabulações, mas também à literatura estrangeira. O tema em questão é o valor da ‘raça’ amarela em termos de inteligência.

O problema é o desempenho dos japoneses em testes psicométricos. A hipótese de trabalho:

Estudadas scientificamente pelo processo psycometrico dos ‘tests’, como se comportam ellas? como se comporta especialmente a [raça] japoneza em confronto com as raças brancas, especialmente a anglo-saxonia? [Oliveira Vianna (1938) Raça e Assimilação, p.208]

Não se sinta constrangido com o trecho acima. Lembre-se que a eugenia já foi muito popular entre o pessoal das sociais nos anos 30. Narloch, em um dos seus “guias politicamente incorretos”, lembra-nos mesmo que Allende era um entusiasta da eugenia (embora sua admiração viesse com uns 20 ou 30 anos de atraso…).

Então, veja, havia um contexto na Sociologia, Antropologia, enfim, em que a turma que estudava a sociedade achava ser “raça” um conceito central.

Oliveira Vianna faz mais: ele cita, então, um estudo norte-americano:

Os dois pesquisadores americanos (que visivelmente não morrem de amores pelos orientaes, principalmente os japonezes) foram forçados a concluir que as duas raças amarellas, com especialidade a japoneza, estudadas scientificamente em relação aos ‘tests’ da intelligencia e do caracter (temperamento), não são em nada inferiores a nenhuma das raças européas e – o que é mais surprehendente – em alguns dos ‘tests’ se mostraram mesmo superiores! [idem, p.208]

Repare no texto de Oliveira Vianna. A despeito do português impecável (e do bela grafia dos anos 30…), o autor não consegue disfarçar sua surpresa com o fato de que japoneses poderem se sair bem em testes psicométricos. Melhor ainda é o que ele diz ao final do pequeno capítulo:

O japonez é como o enxofre: insoluvel. E’ este justamente, o ponto mais delicado do seu problema immigratorio, aqui como em qualquer outro ponto do globo. [ibidem, p.209]

racistasA psicometria é uma ciência que, como qualquer outra, tem sua história cheia destes preconceitos que são típicos de cada época. Oliveira Vianna, desta forma, não é um homem descolado do contexto histórico. A bem da verdade, o racismo não era a única forma de se pensar a sociedade e há teses e teses sobre isto – em especial sobre este autor – no mercado.

O que temos é um raciocínio construído com base em uma estatística ruim – não se vê muito esforço do autor em fundamentar suas hipóteses de forma muito profunda. Há um ou outro cálculo de indicadores em seu texto, mas nada mais do que isso.

Assim, a análise científica dele tem de tudo um pouco. Citam-se dados, referências da literatura da época, nacional ou estrangeira, enfim, uma prática não muito diferente da que usamos hoje. A diferença, talvez, esteja em alguns pontos:

a) Nem sempre está claro quando Oliveira Vianna é normativo ou quando é positivo. Ou melhor, em seu livro, mistura-se opiniões pessoais com teses positivas. Não é estranho, portanto, que tantos o acusem de racismo enquanto outros achem que ele apenas seguia a literatura da época. É a mesma polêmica que alguns levantam ao ler o livro do Narloch ao se defrontarem com o pensamento ‘eugenista’ de Allende.

b) Oliveira Vianna busca respaldar suas opiniões em um texto que não é apenas literário. O livro tem cálculos de índices, tabelas e gráficos (como o famigerado gráfico acima) para tentar ajudar em seu argumento. É certo que gráficos são importantes, mas e a lógica?

c) Oliveira Vianna não tem um único teste estatístico para testar as hipóteses que levanta. Por exemplo, ao final do livro, ele tem o artigo que talvez seja o mais polêmico de todos: O problema do valor mental do negro. Obviamente, o nome desperta uma certa ojeriza, embora, como já disse, isso fosse popular no passado (lembre-se de Galton que, aliás, ele cita). Neste ensaio, ele cita um único estudo estatístico (com uma única amostra) para tentar mostrar suporte (ou, se quiserem: suportar (no pun intended)) a tese de que uma raça teria menos possibilidade de gerar pessoas com ‘valores mentais’ do que a outra (e adivinhe que ‘raça’ é…).  Em seguida, ele cita algumas referências sobre a história da África para sustentar a tese, desta vez, tentando mostrar que civilizações avançadas africanas não eram, originalmente, negras.

O que se conclui disso tudo? Na minha opinião, é simples: você pode seguir ‘consensos’ e pode se valer de um pouco de estatística, inclusive, criando categorias próprias (‘raças’, por exemplo). Claro que se a ciência não sofre censura estatal, existe sempre a possibilidade de outros autores contestarem suas descobertas.

A polêmica a que me referi no início deste texto enseja este debate, não é? Até que ponto o que fazemos é ‘ciência’, ‘divulgação da ciência’, ‘má ciência’ ou ‘má divulgação da ciência’? Tanto eu como o Leo Monasterio, Andre, Pedro, Thomaz, só para lembrar alguns que publicaram neste blog comigo sempre tentamos fazer os dois primeiros. Você pode sempre dizer que estamos seguindo “a mentalidade da época”. É verdade. Não como falsear esta afirmação. Mas acho que estamos no caminho certo. Usamos a Teoria Econômica, esta que não demoniza pessoas por raça, credo ou time de futebol. Esta mesma teoria que sempre esteve aberta a novos conceitos (veja até onde chegamos). Não que não existam grupos de fanáticos que desejam apenas fazer exegese ou impor seu credo político sobre outros. Eles existem. Mas a esperança é que a boa ciência triunfará.

Ah sim, para fazer uma homenagem aos racistas no futebol, vai aí uma outra tabela do mesmo livro.

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A inflação e nossa infância (novamente)

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Eu já havia citado uma das peças de propaganda aqui, mas eis a outra. Nos anos 70 a vida não era fácil para as crianças como, aliás, mostrei neste vídeo.

Google e R – teoria do consumidor em ação (e um aviso)

Como medir o impacto de uma estratégia (incentivo) sobre a demanda? Esta pergunta assombra os economistas há séculos. Bem, lá na Google, cujo economista-chefe é o Hal R. Varian, autor do livro de Microeconomia mais badalado no mestrado (pelo menos assim o era nos anos 90) e também de um bom livro de graduação (até hoje), eles levam esta questão muito a sério.

Obviamente, eles usam o R como uma das ferramentas de trabalho. Eis o exemplo mais recente. Reproduzo o trecho.

Google has just released a new package for R: CausalImpact. Amongst many other things, this package allows Google to resolve the classical conundrum: how can we asses the impact of an intervention (for example, the effect of an advertising campaign on website clicks) when we can’t know what would have happened if we hadn’t run the campaign? For a marketer, the worry is that the spike in clicks was partially or wholly the result of something unrelated (say, a general increase in web traffic) rather than your campaign.

Como diriam os americanos: how awesome is this? Eu te digo: muito. O pequeno texto – cujo trecho citei acima – explica rapidamente como funciona o exemplo.

Muitos alunos de Ciências Econômicas (e outros de Marketing) fogem da parte de métodos quantitativos com as desculpas mais variadas, mas o progresso gerado pelos mercados (Schumpeter, Smith, Mises, etc) tem levado nossa profissão para um grau de sofisticação nesta área do qual não podemos mais escapar. Acabou aquele choro de “não quero aprender Econometria” ou “não sei o que fazer porque minha faculdade não ‘tem o Eviews'”.

Com o passar dos anos tem ficado claro que escolas de Economia que se recusem a ensinar Cálculo não vão colocar no mercado profissionais que vençam um chinês de 14 anos. As escolas que se fiarem em retórica apenas ou na formação de quadros para movimentos e partidos ideológicos também não vencerão um chinês de 15 anos de idade (nem mesmo os que trabalham na doutrinação comunista). Finalmente, as que fazem o jogo infantil de “pluralismo só com a Sociologia”, nem vou comentar.

Poesia é muito bonito mas, a não ser que você seja um Carlos Drummond de Andrade ou uma Cecília Meireles, o mercado vai te engolir.

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Dessazonalizar ou não dessazonalizar: eis a questão!

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Outro dia eu falei sobre o PIB mensal (lá no blog do Nepom). Lá, comentei que havia algo engraçado na série: dessazonalizada, mas com sazonalidades. Nada que uma boa pesquisa não esclareça. O prof. Dave Giles já havia citado o problema em seu blog e eu o citei aqui. Em outro momento da blogosfera nesta semana, o Vitor comentou o mercado de trabalho, novamente, destacando sua sazonalidade

O ponto importante é que sazonalidade é algo que merece um tratamento próprio. Obviamente, qualquer um que queira analisar as séries com muito cuidado não pode deixar de considerar o problema que os métodos automáticos de dessazonalização causam (o ponto do prof. Giles). Em princípio, a regra simples é:

a) É só um relatório para ver tendências? Então use um destes filtros (estude um pouco para saber qual é o mais adequado) e não se esqueça de especificar o filtro utilizado.

b) É para previsão? Aí, meu amigo, não pode dessazonalizar. Tem que tentar modelar a sazonalidade. Qualquer curso básico de Ciências Econômicas que procure fornecer ao aluno ferramentas úteis em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo tem, em seu currículo, disciplinas relativas à Econometria de séries de tempo (a própria existência do livro do Bueno é uma prova de que cursos assim existem) e, claro, lá você encontra tópicos relacionados à sazonalidade.

c) É apenas um trabalho descuidado, para tirar uma nota média razoável, beirando ali uns 7.5 ou 8 pontos em 10? Apenas dessazonalize e cite o método. Não se preocupe muito com explicações. Claro, se o professor perguntar, a nota será menor do que 7.7 ou 8, mas eu avisei.

Claro, o conselho é sempre o mesmo: não seja um peitica e estude.

p.s. Não resisti…era tão barato…comprei este livro, seguindo a dica do Laurini. Criador do XKCD? Não será leitura tão fácil, mas com um autor destes (e um cara como estes recomendando…).

Em tempos de ignorância, uma brisa de sobriedade não faz mal a ninguém.

Primeiro, a ignorância:

Agora, a brisa de sobriedade:

Sem título

Entra eleição, sai eleição e eles sempre estão lá. Parece piada, mas não é. Ainda existem pessoas que caem nesse tipo de conversa e defendem veemente a luta contra “o capital”. Justo ele que emprega, gera renda, movimenta a economia e ainda financia “o estado”. Só o que a Vale já pagou de impostos ao governo brasileiro supera, e muito, todo o faturamento que um dia ela já teve sendo uma estatal.

Não precisa ser um apaixonado pela iniciativa privada, mas dizer que ela faz mal tende ao absurdo. Nem mesmo o estado acredita nisso, afinal, o que seria dele se não fossem as empresas? Seria ele capaz de criar o mesmo número de emprego e gerar o mesmo nível de renda? Seria ele capaz de desenvolver os mesmos remédios, as mesmas pesquisas, os mesmos avanços? Não e, mais uma vez, nem mesmo ele acredita nisso.

Bom, passado esse momento de sobriedade vamos a algumas breves explicações à respeito do meu desaparecimento. Não imaginei que trabalhar fosse tomar tanto o meu tempo e tanto a minha cabeça e, para piorar a situação, deixei para tirar carteira de motorista só agora e estava no limite do cansaço e da pressão para resolver isso logo. Graças a Deus deu tudo certo e as coisas estão voltando ao normal. Agora é colocar a vida em ordem e isso inclui voltar a publicar mais aqui.

Então é isso. Quando ver o vídeo acima e pensar que não há motivos para ter esperança, olhe para o gráfico de dispersão logo abaixo e lembre que ainda há motivos para sorrir.

Quer entender, de verdade, o que é a “independência/autonomia” do Banco Central?

Tem gente fazendo propaganda na TV buscando espalhar medo e desinformação. O tema? Banco Central.

Eu poderia ficar calado e não falar nada. Mas, infelizmente, é uma área que entendo. Estudei muito mais tempo que qualquer um dos candidatos à presidência na área de Economia para dizer que há muita mentira e besteira sendo dita. Ponto.

Então vamos fazer assim: ouça o Alexandre e depois, se tiver dúvidas, posso indicar referências bibliográficas para você se aprofundar nos estudos.

Grandes momentos dos estudos raciais no Brasil: vocês são racistas, que se entendam!

Ah, o racismo…

De maneira que as cidades do período colonial funcionam como poderosos centros de seleção e concentração dos elementos brancos superiores. São êsses elementos superiores que, deslocando-se para o campo e entrando na aristocracia rural, concorrem para assegurar a esta classe o alto coeficiente ariano e eugenístico, que tanto a distingue nessa época (…). [Oliveira Vianna, Evolução do Povo Brasileiro, José Olympio Editora, 1956 (4a edição), p.143]

Honestamente, o que ainda me surpreende é o grau de popularidade que estas idéias ainda encontram entre o povo deste país. Sei de um professor universitário cujo aluno criticou a miscigenação da sociedade brasileira porque a mesma atrapalhava a evolução da mesma.

Claro, há um lado muito engraçado em trechos como este aí no alto. Não há como não rir desta pretensão de que haveria algo como grupos raciais com temperamentos próprios. Aliás, “raças” e ironia são duas palavras que me remetem prontamente ao famoso folclorista Câmara Cascudo.

São calouros, lá se entendem!

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“Eu usaria uma saia em protesto por algum amigo eugenista…”

Câmara Cascudo nos explica a origem da expressão popular São brancos, lá se entendem, ainda hoje em voga (mas muito menos do que posso me lembrar…). Segundo ele, origina-se de uma discusão entre um capitão e um soldado no Rio de Janeiro, no século XVIII. Narra-nos o autor:

O Capitão Manuel Dias de Resende, do Regimento dos Pardos, fora desrespeitado por um seu soldado. Queixando-se ao Comandante do Terço, Major Melo, português cioso da prosápia, mereceu a zombeteira resposta: Vocêis são pardos, lá se entendam! O capitão procurou o Vice-Rei, narrando a indisciplina da praça e a sentença do major. Luís de Vasconcelos e Sousa [o vice-rei] mandou chamar o Major Melo, obtendo a confirmação, mandou-o recolher preso. Preso, eu? E por quê? – Nós somos brancos, cá nos entendemos, informou o futuro conde de Figueiró. A resposta do Vice-Rei (…) teve uma imensa repercussão em simpatia, comentada com aplausos e tornou-se frase feita, empregada nas oportunidades. E não desapareceu. [Cascudo, L da C. Locuções tradicionais no Brasil. Belo Horizonte, Itatiaia, 1986, p.63]

Pois é. Nem a expressão desapareceu, nem os pardos, os brancos e os demais. Nem os calouros e os estagiários, estas pestinhas…

A inflação e a crise econômica roubam-nos até a infância

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Salvo engano, o concurso aparece em 1976. Repare como uma criança já recebia mensagens econômicas relacionadas aos problemas relacionados ao preço do petróleo: o concurso era explícito quanto ao patriotismo (e o cupom verde e amarelo todo bonito?).

Agora, se entendi direito, a motoca também funcionava à gasolina? Então a economia de gasolina…

Encarceramento ajuda no combate ao crime?

Descubra alguams evidências no artigo abaixo, recém-publicado.

O efeito do encarceramento sobre as taxas de homicídio no Brasil

Ari Francisco de Araujo Jr.
Daniel Montresor Pimenta Belo Pereira
Cláudio D. Shikida
Pery Shikida

Resumo: Este artigo buscou analisar o efeito do encarceramento de criminosos sobre a taxa de homicídios no Brasil (período de 2005 e 2010). Para isso, foram utilizadas informações dos 26 estados brasileiros mais o Distrito Federal. Modelos estimados levam em consideração a característica de painel dos dados. Na regressão por MQO, os resultados indicam que o encarceramento não possuiu um efeito significativo sobre as taxas de homicídios das Unidades Federativas brasileiras. Por outro lado, na regressão por GMM, as estimativas mostram relação negativa entre o encarceramento e as taxas de homicídios.

Palavras-Chave: Encarceramento, Homicídios, Painel, Brasil.

Isso são outros quinhentos, meu caro banco central…

Outros quinhentos, segundo Câmara Cascudo, diz respeito a:

A partir do séc.XIII os fidalgos de linhagem na Península Ibérica podiam requerer satisfação de qualquer injúria, sendo condenado o agressor em 500 soldos. Quem não pertencesse a essa hierarquia alcançava apenas 300. Compreende-se que outra qualquer vilta, vitupério sem razão, posterior à multa cobrada, não seria incluída na primeira. Matéria para novo julgamento. Outra culpa. Outro dever. Seriam evidentemente, outros quinhentos soldos.[Luís da Câmara Cascudo - Locuções Tradicionais no Brasil, Itatiaia, 1986, p.41]

Fidalgos de linhagem adoram cobrar por injúrias, não? Veja, não sou eu quem diz, mas Luís da Câmara Cascudo, o grande folclorista brasileiro.

Ah, a fidalguia nobiliárquica…tão sensível…