Teremos um novo Milton Friedman?
Bela homenagem do pessoal do EconJournalWatch ao falecido gigante intelectual da economia.
Produção científica
Neste ano de 2013 verificamos que fazem 10 anos da publicação do primeiro artigo da dobradinha Ari-Shikida, uma das mais produtivas do campeonato brasileiro.
Co-autoria é algo que não funciona se não houver muita sintonia. Assim, é hora de comemorar!
O ministério da sua inteligência adverte: Estado pode causar dependência, comportamento violento e impotência
Antes de implementar uma política social, estude-a bem.
O que acontece quando…
…o capitalismo para os pobres encontra o fascismo para os pobres? Acho que dá depredação intelectual. E você?
Para onde foram aqueles tomates?
Os últimos meses de politicagem econômica têm sido fartos na queda do capital humano brasileiro. Na primeira vez em que li sobre ciclos econômicos reais, como tanta gente, achei muito estranho o fato de choques tecnológicos serem, porventura, negativos e positivos. Como o leitor comum, sempre me acostumei com avanços tecnológicos, não retrocessos.
Mas a vida vai além da minha interpretação cerebral dos fatos. Ao abrir um jornal, vejo centenas de choques tecnológicos negativos. Políticos fazem proposições de políticas as mais loucas – umas por interesses ocultos, outras por burrice mesmo – e se a gente pensar um pouco no assunto, choques tecnológicos realmente podem ser negativos. Afinal, seres humanos não são perfeitos.
A América Latina é um exemplo acabado disto. Embora todos saibamos que tomates não causam inflação, autoridades políticas que ocupam cargos econômicos afirmam que sim. Não apenas isto, a arrogância (mais que) fatal chega a tal ponto de loucura que se pretende ter “extirpado o político do ciclo político-econômico”. Nada mal para quem acredita em tomates ou em “pactos sociais”, mas péssimo para o desenvolvimento.
O problema, sabemos todos, é que a gente aprende ao longo do tempo – o que é bom – mas o aprendizado morre com você. Enquanto os foguetes e a TV de LED continuarão, a boa gestão econômica será sempre vítima de choques ideológicos. Não me cansei de ver supostos liberais (libertários) e supostos democratas (marxistas) dançarem em torno da fogueira do deus-bezerro ideológico, acusando os que usam a econometria ou a estatística de hereges, fariseus, etc. Achou um resultado que contraria a fé do sujeito em quotas raciais? Então você é um ignorante que usa dados. Achou um resultado que mostra que leis específicas para minorias são-lhes prejudiciais? Então você é um “conservador malvado”. Note que o inverso dos exemplos também vale. Ache um resultado favorável e você é um “socialista ignorante”.
E por aí vai.
Isso nos leva aos problemas que nunca me abandonam e que dizem respeito ao viés do double standard, à irracionalidade racional, à educação como sinalização (apenas) e outros microfundamentos que precisam ser melhor estudados porque, afinal, choques negativos na acumulação do capital humano de um país são gerados por indivíduos. Enquanto eu discuto as quotas, uma senhora que ganha R$ 15 mil por mês prefere xingamentos sobre sua própria condição social afim de gerar um discurso que, dificilmente, não será interpretado como um discurso do ódio.
Difícil mesmo é imaginar que possamos resolver os problemas do país sem, antes, resolvermos, cada um de nós, nossos problemas em interpretar a realidade. De um jeito ou de outro, é claro, a inteligência avançará, mas este avanço não será contínuo e…nem gratuito.
O preço da inteligência é impedir o florescimento da ignorância, principalmente aquela que serve a políticos que ganham com o discurso do “Brasil ignorante, pobrezinho e explorado contra o dragão da maldade”.
E o aluno achava que cadeia de Markov era só um trabalho chato do Jonathan…
…mal sabe ele que tem gente pagando por conhecimento (de cadeia de Markov, claro).
p.s. o prof. Jonathan é amigo nosso e colega de trabalho.
Momento R do Dia
Para os fãs de bases de dados como a do Banco Mundial, a dica de hoje é uma mão na roda.
Pluralidade também deve ser investigada
A mensagem do Thomas Sowell é clara e correta: este papo de que existem conceitos sagrados porque, sei lá, o Paulo Freire disse, é errada e também é caminho certo para a intolerância. Nada de double standards! Quantos brasileiros saem do ensino médio pensando assim? Nenhum. Minto. Talvez um ou dois.
Aliás, é este um dos motivos de nosso eterno subdesenvolvimento.
Pirataria importa?
Para a indústria musical, diz o autor, sim. Claro, a discussão adicional que se deve fazer é sobre como a indústria fará para se adaptar à nova tecnologia.
Socialismo para pesquisas escolares
Para você, que pesquisa sobre socialismo real, eis algo que seu professor de História conhece, embora nem sempre o diga: a fome na Ucrânia.
É importante lembrar deste e de outros fatos em tempos de silêncio do governo brasileiro no que diz respeito aos ataques explícitos, não-democráticos e sérios dos governos latino-americanos contra as liberdades (disfarçados, às vezes, de “nada-a-ver-porque-damos-vozes-aos-GLS-contra-pastores-imbecis”, ainda que os mesmos corajosos que protestem contra os pastores fiquem convenientemente calados quando mensaleiros condenados tentam calar o STF).
“Estamos na OMC…e apoiamos a carnificina da liberdade, alicerce de qualquer democracia”. Este deveria ser o lema de nosso governo. Falamos da pobreza, mas barramos a entrada de haitianos. Falamos de facilitar as viagens aos EUA, mas evitamos cortar custos com vistos por conta de interesses políticos. Dizemos que apoiamos o livre comércio, mas não deixamos nosso povo comprar um produto estrangeiro que custe mais de U$ 50.00 (a classe média do Marcelo Neri já é capaz de comprar um produto deste, é bom lembrar) sem lhe jogar imposto de 60%…mesmo que não exista sequer a desculpa (que é péssima) do “similar nacional”.
Economia em tempos de obscurantismo porque a política (sim, ministro, a “política”, do “ciclo político-econômico”) chutou a lógica em prol dos interesses eleitoreiros.
Por que a inflação não cede?
Só lembrando:
1. o governo apoiou os supermercados proibindo sacolas de plástico
2. o governo tentou tornar lei (não sei se conseguiu) os 10% dos restaurantes
3. o governo aumentou custos para farmácias de manipulação e as demais: Anvisa e suas sucessivas regras
Agora, venha me falar de logística, da falta de ação do governo, etc. É mais ou menos o oposto, né? Depois algum pseudo-economista aparece aqui e vem falar que o governo tem que “acabar com a teoria quantitativa da moeda” ou que “a inflação é inercial, não tem nada a ver com a moeda”, ou ainda que “a culpa é dos empresários que não baixam os preços”.
Quando o governo tenta amordaçar o STF e o ministro da fazenda tem a coragem de vir a público mostrar que não sabe nada de ciclos político-econômicos sem gerar qualquer protesto da sociedade (e mesmo da raquítica oposição), então está na hora de rever seus conceitos.
Quem ganha Bolsa-Família já percebeu que as ações do governo já corroem 6% de sua bolsinha. Alguns mais espertos já perceberam que a bolsa tem custo e parte do custo é coberto via impostos e endividamento público. Logo, seria desejável que o governo cuidasse de seu endividamento ou dos impostos. Papagaiar por aí que “vamos forçar a queda dos produtos da cesta básica” é um sinal de que o desespero atingiu o coração de quem não entende como a economia funciona mas tenta, a todo e qualquer custo, intervir nos preços relativos.
Resultado? Inflação, desemprego e crescente insatisfação.
p.s. Não, não adianta pagar uma guerrilha virtual para falar bem do governo no Twitter. Inflação é algo que se sente no bolso, não no Twitter.
Plano de Aula: aquele que você apresenta ao aluno no primeiro dia de aula (e ele jamais o lê)

Plano de Aula: o seu amigo esquecido
Vale a pena morar na capital?
Eis a pergunta de todos que moram em Sampa (a cidade mais legal do Brasil). Bem, este é, claramente, uma pergunta econômica. Afinal, quem não se lembra do modelo da produção doméstica, de Gary Becker?
Pois é. Agora, vamos aos dados brasileiros? Veja o que dizem os autores deste estudo do IPEA.
p.s. O problema deste texto é que os autores parecem ter esquecido do conceito de um “Abstract” (“Resumo”). Ficou imenso. Fora isto, é um bom texto. Sim, parece que estamos vivendo mais “engarrafados”… Os autores são cuidadosos nas conclusões, mas parece que não há dúvidas sobre a piora.
Minicurso do R em Pelotas
O minicurso rendeu muito. Por exemplo, só o material didático já ganhou co-autores e um deles tem ampliado boa parte do texto. Informalmente, temos 90 páginas. Nada mau para o que tinha umas 60 ou 70 páginas…
Em breve, espero, novidades sobre o material.
Seminário em Homenagem a James Buchanan
Lá no PPGE-UFRGS há um evento que vale a pena. Giacomo e Ronald uniram forças e conseguiram levar o Jorge até lá. Três pessoas realmente preparadas para falar sobre o falecido James Buchanan, um dos maiores economistas que já tivemos.
Aqui está o link.
IPCA
O meu aluno Fabiano mandou a previsão do IPCA dele para Abril: 0.5749504. Passou perto do que foi. O que ele usou? ARIMA.
Sambistas
Tinha que ser o Ângelo o revisor final! Agora sei a causa dos problemas, he he he. Brincadeiras à parte, vale a leitura.
Momento R do Dia
O melhor nome de blog do R vai para…este.
Nunca existiu almoço grátis
Então algumas pessoas ficaram chateadas com os preços e resolveram criar um movimento para boicotar restaurantes. Até aí, tudo bem. A democracia dá a qualquer um – conhecedor ou não do mercado – a protestar. Entretanto, as pessoas nem sempre entendem o que é o aumento de preço.
A moda, agora, é seguir o misticismo “social-bolivariano” de “controle/congelamento” de preços. Qualquer preço que suba, culpa do empresário. Os empresários, que se acomodaram e até gostaram das relações incestuosas com o governo, agora, parecem acordar do sonho do ópio. Perceberam que tem gente demandando que eles baixem os preços como se aumentar os preços fosse um simples capricho de um menino rico mimado.
Trata-se de uma lição para o empresariado nacional. Não querem investir no ensino correto de Economia, escutam impropérios sem reagirem, afagam o bolso do fiscal corrupto, ignoram as inverdades “ensinadas” na escola sobre o papel do empresário (“malvado neoliberal”) e querem o que, então?
Bem, nada disso significa que os chefs lá da notícia tenham agido conforme a média de seus colegas. Não significa que tenham agido e nem que não tenham agido. Eu não conheço nenhum deles.
O mundo atual é interessante. Espanca-se a oposição na Venezuela e ninguém protesta. Estupra-se uma mulher em um ônibus no RJ e o ufanismo governista nos diz que o podre está na Índia. O modelo econômico faz água e quem o mostra é acusado de ser “da direita”.
A questão dos restaurantes em SP passa longe disto. É simples questão de oferta e demanda. Não se trata de luta de classes. Quem leu – e entendeu – os primeiros capítulos do livro de Economia sabe muito bem a diferença entre um aumento de preços por conta de queda na oferta ou aumento na demanda e um gerado por impostos. Deveria ser neste ponto que a discussão deveria começar.
Simples assim.
Momento R do Dia
Este cara fez o trabalho que eu queria ter feito quando li o post sobre os Simpsons. Eis o que ele fez. Dá para ver todos os shows da base de dados em uma única página. Genial, não? Veja, por exemplo, o Family Guy.
Como este, dá para ver um bocado de outros. Obviamente, o ponto importante é saber que tipo de metodologia usar para verificar a quebra das séries e, bem, aí começa o trabalho do economista, eu diria. Caso queira estudar uma série com quebra estrutural…epa…acabei de fazer o exemplo para a apostila. Aguardem.
Porque exageraram na crítica
Hamilton faz um ótimo resumo sobre a relevância do trabalho de Reinhart & Rogoff.
Excelente comentário
Gaudêncio Torquato faz ótimas considerações sobre a palhaçada que é o país quando o assunto é: lei. A história de tratar desigualmente as pessoas começa aí, nesta sacanagem.


Esta obra está licenciada sob uma